E igualmente (pelo mesmo princípio de que não se deve entregar ativamente com as próprias mãos, mesmo diante de uma ameaça coletiva) mulheres a quem gentios disseram: entreguem uma de vocês para que a violemos (sexualmente, à força), e se não, violaremos todas vocês (ameaçando um crime coletivo contra todo o grupo, caso não lhes seja entregue uma vítima em particular) — que se tornem todas violadas (que os gentios façam o que quiserem por sua própria iniciativa, se assim decidirem), e não entreguem uma só alma de Israel (nenhuma delas deve ser ativamente entregue às mãos dos agressores, mesmo que a recusa resulte, na prática, em que todas sejam vitimadas — pois entregar deliberadamente uma vida judaica para salvar as demais constitui, em si, um ato proibido de participação na destruição de uma vida).
Esta mishná final do Perek Chet transcende inteiramente o tema da teruma, tratando de um princípio fundamental sobre o valor absoluto da vida humana individual, com base nas três transgressões cardeais que nunca podem ser cometidas mesmo sob ameaça de morte.
Por que a diferença entre "entregar" e "deixar que aconteça" é tão central nesta última mishná, unificando todo o Perek Chet? Esta mishná final revela, de modo mais dramático e humano possível, o princípio que percorreu todo este bloco de mishnayot desde a formulação geral de Rabi Yehoshua: existe uma diferença juridicamente e moralmente fundamental entre um resultado que ocorre pelo curso dos acontecimentos (mesmo que trágico e não intencional) e um resultado que decorre de uma escolha humana ativa de sacrificar uma vida ou uma coisa sagrada específica para salvar outra. No caso do vinho e do azeite de teruma (mishnayot 8:9-8:10), essa distinção determinava se a teruma poderia ser tocada para salvá-la, mesmo tornando-se impura. No caso dos pães de teruma diante do gentio (mishná 8:11), determinava se um pão poderia ser colocado à disposição do agressor sem ser diretamente entregue. E, nesta mishná final, o mesmo princípio atinge sua expressão mais grave: diante da escolha impossível entre entregar uma vida específica ou arriscar que todas sejam vitimadas, a halachá determina que nenhum ser humano tem autoridade para escolher qual vida sacrificar — pois toda vida humana individual tem valor absoluto e insubstituível, e a impossibilidade de "salvar o todo" à custa de uma parte escolhida ativamente reflete o mesmo princípio, elevado à sua forma mais séria, que já regia a proteção da teruma ao longo de todo o capítulo.
Esta lei, por seu conteúdo, pertence propriamente a Hilchot Yesodei HaTorah (As Leis dos Fundamentos da Torá), onde o Rambam a codifica quase literalmente, e não a Hilchot Terumot.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que encerra o Perek Chet.
Todos concordam com isto — Rabi Yehoshua não diverge aqui, e, igualmente, tudo o que for semelhante a isto (ou seja, ao contrário dos casos anteriores da teruma, em que Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua divergiam sobre entregar ativamente ou não, neste caso final, envolvendo vida humana, não há divergência alguma: todos concordam que jamais se deve entregar ativamente uma pessoa específica, mesmo diante da ameaça de que o grupo inteiro seja vitimado).
"Entreguem-nos uma de vocês": pois querem vir sobre ela à força (violá-la sexualmente).
"Que se tornem todas violadas": pois não se afasta uma vida por causa de outra vida (princípio fundamental de que nenhuma vida humana tem prioridade sobre outra, de modo que se possa escolher ativamente sacrificar uma para salvar outra). E nisto concordam Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua.