Do tevel (produto do qual ainda não foram separados teruma e dízimos, cujo status já foi mencionado na quarta mishná deste capítulo como um dos seis casos cujos crescimentos são chulin), seus crescimentos são permitidos (o que cresce do tevel plantado pode ser comido livremente, mesmo antes de se separar teruma e dízimos dele, num modo de consumo ocasional), em espécie cuja semente se decompõe na terra (retomando a distinção introduzida na mishná anterior). Mas, em espécie cuja semente não se decompõe, os crescimentos dos crescimentos são proibidos (diferentemente da regra geral de gidulei gidulin, que normalmente são chulin plenamente permitidos — aqui, no caso do tevel de espécie cuja semente não se decompõe, mesmo a segunda geração de crescimento continua proibida na forma de consumo ocasional, pois a semente original de tevel permanece fisicamente presente e identificável através de todas as gerações de replantio). Qual é a espécie cuja semente não se decompõe? Como o luf (uma planta da família das aráceas, cujo bulbo se reproduz sem se decompor), e o alho, e as cebolas (todas plantas bulbosas, cujos bulbos originais permanecem fisicamente intactos e reconhecíveis, mesmo depois de replantados e de terem gerado novos bulbos). Rabi Yehudá diz: o alho é como a cevada (isto é, Rabi Yehudá discorda quanto ao alho especificamente, considerando que sua semente ou bulbo original se decompõe na terra tão facilmente quanto a semente da cevada, e portanto deveria seguir a regra mais lene, permitindo os crescimentos dos crescimentos).
Esta mishná continua a distinção prática entre espécies vegetais estabelecida nas mishnayot anteriores, aplicando-a agora especificamente ao produto tevel, cuja obrigação de separar teruma e dízimos deriva do mesmo conjunto de mandamentos sobre as primícias da terra.
Por que a regra do tevel, aqui, é mais severa do que a regra geral de gidulei gidulin estabelecida na quarta mishná? Esta mishná revela uma exceção notável dentro do próprio sistema que vínhamos estudando. Na quarta mishná deste capítulo, aprendemos que os crescimentos dos crescimentos (gidulei gidulin) são sempre chulin, mesmo quando a semente original não se decompõe — pois o decreto rabínico sobre gidulim foi limitado deliberadamente à primeira geração. Mas aqui, no caso específico do tevel de espécie cuja semente não se decompõe, mesmo a segunda geração de crescimento permanece proibida ao consumo ocasional. A diferença está na natureza do problema: no caso da teruma, o decreto rabínico existia para prevenir um risco específico (o cohen retendo teruma impura), e uma vez resolvido esse risco na primeira geração, não havia razão para estendê-lo. Mas no caso do tevel de semente que não se decompõe (como luf, alho e cebola), o problema não é um decreto preventivo, mas um fato físico permanente: a própria substância do bulbo original de tevel continua existindo, fisicamente intacta e identificável, através de gerações sucessivas de replantio — e por isso a proibição de consumo regular (até a separação de teruma e dízimos) continua aderida a essa substância física específica, não importa quantas vezes tenha sido replantada. É a mesma lógica botânica das mishnayot anteriores, mas aplicada a um contexto (tevel) onde suas implicações são ainda mais persistentes.
Esta lei, por seu conteúdo específico sobre tevel e dízimos, pertence propriamente ao âmbito de Hilchot Maasrot (As Leis dos Dízimos) mais do que a Hilchot Terumot — e o Rambam não a codifica ali com a mesma formulação detalhada da mishná sobre luf, alho e cebolas.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Esta halachá te fará saber que o que foi dito anteriormente — que os crescimentos do tevel são chulin — refere-se a coisa cuja semente se decompõe, como já expliquei muitas vezes; e que o luf é uma espécie entre as espécies de cebolas (referência ao seu comentário anterior em Peá, capítulo 6, mishná 10).
"E Rabi Yehudá entende" que o alho é coisa cuja semente se decompõe, e por isso dizem "como a cevada" — pois a cevada é rápida em se perder na terra, mais que o trigo e as demais leguminosas. E não é a halachá como Rabi Yehudá.
"Do tevel, seus crescimentos são permitidos": em consumo ocasional (aráí), como o restante do tevel cuja obra ainda não foi concluída (a permissão de comer casualmente antes da separação obrigatória de teruma e dízimos).
"Em coisa cuja semente se decompõe": agora o tanná explica sua própria formulação anterior, ensinada antes, de que os crescimentos do tevel são chulin — isso só vale para coisa cuja semente se decompõe. Mas em coisa cuja semente não se decompõe, mesmo os crescimentos dos crescimentos são proibidos ao consumo ocasional.
"O alho é como a cevada": isto é, o alho é considerado como tendo semente que se decompõe, como a cevada. E menciona a cevada porque, entre os grãos, não há nenhum cuja semente se decomponha e se perca tão rapidamente quanto a da cevada. E não é a halachá como Rabi Yehudá.