A mulher cujo filho se misturou com o filho de sua nora: quando os misturados cresceram, casaram e morreram, os filhos da nora fazem chalitzá mas não yibum, pois é dúvida se é esposa de seu irmão ou esposa do irmão de seu pai. E os filhos da sogra, ou fazem chalitzá ou fazem yibum, pois é dúvida se é esposa de seu irmão ou esposa do filho de seu irmão. Se os certos morreram, os filhos misturados em relação aos filhos da sogra fazem chalitzá mas não yibum, pois é dúvida se é esposa de seu irmão ou esposa do irmão de seu pai; e os filhos da nora, um faz chalitzá e um faz yibum. — Uma sogra e sua nora — mãe e esposa do mesmo filho — têm cada uma um filho recém-nascido, e os dois bebês se misturam: já não se sabe qual pertence a qual. Quando crescem e um deles morre deixando viúva, o parentesco do sobrevivente misturado com o falecido depende de qual das duas mulheres é sua verdadeira mãe. Se ele é filho da nora, o falecido era seu meio-irmão ou seu tio (irmão de seu pai) — em ambos os casos a viúva exige apenas chalitzá, pois mesmo se ele fosse o tio, não há yibum entre tio e sobrinha por casamento. Mas se ele é filho da sogra, o falecido era seu irmão pleno ou seu sobrinho (filho de irmão) — e como ambos os casos permitem yibum (irmão-cunhada, ou tio que assume o yibum da esposa do sobrinho falecido não se aplica; aqui é irmão-cunhada ou tio da mesma linha), ele pode escolher chalitzá ou yibum livremente. Um terceiro nível de complexidade surge se, além dos misturados, os filhos certos e não misturados de cada mulher também morrerem: nesse caso as dúvidas se cruzam ainda mais, e a mishná detalha, caso a caso, quando resta apenas chalitzá e quando ainda é possível escolher entre as duas.
Como nas mishnayot anteriores, esta mishná não traz fonte bíblica nova: ela estende, a um segundo padrão de mistura de recém-nascidos, o mesmo princípio de que apenas o irmão pleno — certo, não meramente possível — está obrigado no yibum, enquanto o tio nunca o está. A engenhosidade da mishná está em mapear, para cada combinação possível de parentesco duvidoso, se a chalitzá sozinha resolve o caso ou se ainda resta a opção do yibum — sempre partindo da regra de que tio e sobrinha por casamento (a esposa do sobrinho falecido, para o tio) nunca criam obrigação de yibum, apenas a relação entre irmãos verdadeiros.
Rambam explica a mecânica exata de por que, no caso dos filhos da sogra, tanto a chalitzá quanto o yibum resolvem a dúvida sem risco.
Rambam explica, no caso dos filhos da nora (a primeira cláusula), por que apenas chalitzá é permitida: se o sobrevivente misturado é na verdade filho da nora, ou o falecido era seu irmão (então ele deveria fazer yibum) ou era seu tio (e então não há absolutamente nenhum yibum possível). Como não se sabe qual dos dois casos é verdadeiro, e o yibum só seria válido em um deles, a única opção segura é a chalitzá — que funciona em ambos os cenários. Já no caso dos filhos da sogra, Rambam mostra que tanto a chalitzá quanto o yibum são seguros: se o falecido era irmão pleno, o yibum cumpre a mitzvá diretamente; se era sobrinho (filho de irmão), o casamento com a viúva do sobrinho, após reconhecida a condição, também não gera nenhuma proibição — de modo que ambas as opções permanecem abertas.
Bartenura explica passo a passo por que a chalitzá do primeiro libera automaticamente a viúva para o segundo, no caso derivado da morte dos filhos certos.
Bartenura explica o mecanismo do caso derivado, após a morte dos filhos certos: primeiro um dos dois misturados faz chalitzá, e só depois o outro faz yibum — nunca ao contrário. A lógica "ממה נפשך" garante segurança: se quem fez a chalitzá era de fato filho da nora (e a viúva era esposa de seu irmão), a chalitzá a libera corretamente, e o outro — filho da sogra — pode então desposá-la licitamente, pois a esposa do filho do irmão é permitida a ele. Se, ao contrário, quem fez a chalitzá era filho da sogra (e a viúva era esposa do filho de seu irmão, ou seja, sua sobrinha por casamento), a chalitzá não tinha efeito algum sobre uma relação que já não exigia yibum — mas também não causa dano, e o outro, agora reconhecido como filho da nora, pode fazer yibum genuíno com sua cunhada verdadeira.
Rashi confirma a estrutura de todo o caso derivado, esclarecendo que a mishná aqui fala especificamente da esposa do filho certo, não-misturado, da nora — o alvo da dúvida entre os dois filhos misturados que restaram. Ele reforça o princípio "ממה נפשך" que percorre esta mishná e a anterior: em cada etapa, a ordem estrita entre chalitzá e yibum, e a identidade exata de quem faz cada ato, são calculadas para que, seja qual for a verdade sobre a mistura original — impossível de ser conhecida —, o resultado final seja sempre halachicamente correto e nenhuma mulher fique presa como yevamá la-shuk nem seja tomada em yibum proibido.