O primeiro tratado de Seder Nashim, e o maior de toda a Mishná — as leis do casamento levirato (yibum) e da chalitzá
Massechet Yevamot é o primeiro tratado da Ordem de Nashim, e o maior de toda a Mishná — dezesseis perakim e cento e vinte e oito mishnayot. Trata da mitzvá do yibum: quando um homem morre sem filhos, seu irmão é chamado a desposar a viúva, perpetuando o nome do falecido; e, quando o irmão não deseja fazê-lo, ela é liberada pela chalitzá, o ritual de descalçamento que a torna livre para se casar com outro homem. O Perek Alef, já publicado por completo, abre o tratado com a lista das quinze relações proibidas por incesto cuja presença como esposa do irmão falecido isenta também a rival dela — e a rival da rival, através de sucessivos irmãos — da chalitzá e do yibum; com o segundo grupo de seis relações ainda mais severas, cujas rivais, ao contrário, permanecem obrigadas; e fecha com a célebre disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a permissão dessas rivais, e a nota de que, apesar do desacordo halachico profundo, as duas escolas nunca deixaram de se casar entre si. O Perek Bet, também completo, abre com o caso da esposa do irmão que não estava no mundo — uma isenção total que dispensa até a chalitzá —, formula a regra geral dos três níveis de proibição da yevamá, detalha as vinte shniyot e as proibições ligadas à santidade sacerdotal, e fecha com uma série de casos práticos: irmãos e filhos de qualquer condição, dúvidas entre duas irmãs desposadas, a preferência do irmão mais velho no yibum, e os limites da suspeita sobre mensageiros, testemunhas e sábios envolvidos na liberação de uma mulher. O Perek Guimel mergulha nos casos mais complexos de zika — o vínculo criado pelo próprio yibum antes de sua conclusão —, com quatro irmãos casados a duas irmãs, o mamar e a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel, o irmão casado com uma estranha, a proibição que se fixa para sempre por ter existido "uma hora", as dúvidas de kidushin e de guerushin, a zika de dois cunhados sucessivos sobre a mesma mulher, e fecha com o caso dos noivos trocados sob a chuppá. O Perek Dalet, agora também completo, trata da validade retroativa da chalitzá e do yibum feitos à mulher que se revela grávida, o status patrimonial da shomeret yavam, a ordem de prioridade entre os irmãos e a proibição de adiar a mitzvá, os direitos de herança e as parentes proibidas pela chalitzá, o caso dos quatro irmãos casados a quatro irmãs, os três meses de espera antes de um novo casamento, e fecha com a disputa clássica sobre a própria definição de mamzer. O Perek Hei, agora também completo, abre o estudo da combinatória entre os quatro atos do yibum — o get, o maamar, a relação e a chalitzá —, com a disputa entre Rabban Gamliel e os sábios sobre se um segundo get ou um segundo maamar produzem efeito, percorre todas as combinações possíveis para o caso de um único casal e para o caso de duas cunhadas vinculadas ao mesmo yavam (ou dois cunhados à mesma yevamá), e fecha com a disputa de Rabi Nechemia sobre a posição da relação numa sequência mais longa de atos. O Perek Vav, agora também completo, deixa a combinatória do yibum e volta-se para o próprio ato da relação e para as leis do casamento sacerdotal: abre com a força da relação com a cunhada independentemente de intenção ou consciência, estende o mesmo princípio às relações proibidas que desqualificam para a kehuná, trata do erusin da mulher proibida ao kohen e seu direito à teruma, detalha as restrições exclusivas do Sumo Sacerdote — viúva, bogueret, mucat etz — com o precedente histórico de Yehoshua ben Gamla, discute a definição de zoná a propósito do casamento com a ailonit, e fecha com a mishná fundamental sobre o preceito de peru u'rvu: quantos filhos, quanto tempo de espera, e sobre quem recai a obrigação. O Perek Zayin, agora também completo, deixa peru u'rvu e volta-se para um novo tema técnico: o direito de os escravos da esposa comerem trumá na casa de um kohen. Abre com a mulher casada ao kohen numa união proibida por lei da Torá, distinguindo escravos de usufruto (que não comem) e escravos de garantia (que comem); trata dos dois casos espelhados do casamento válido e do casamento reverso; introduz o princípio de que o feto desqualifica mas não alimenta, estendido a outros quatro vínculos — o yavam, o erusin, o surdo-mudo, o menino de nove anos —, e ao caso da casa que caiu sobre o marido e a sobrinha-esposa; percorre a mishná mais longa do perek, sobre estupro, sedução, insanidade, o escravo e o mamzer, este último o primeiro a desqualificar e também alimentar; e fecha com o caso extremo do próprio Sumo Sacerdote que, por sua linhagem, desqualifica sua bisavó da trumá. O Perek Chet, agora também completo, deixa os escravos e volta-se para os próprios defeitos do kohen e para as fronteiras da assembleia de Israel: abre com o órlo e o kohen impuro, cujo impedimento é pessoal e não afeta esposas nem escravos, ao contrário do pazua dacá e do kerut shafchá, cuja relação conjugal desqualifica a própria esposa; define com precisão esses dois defeitos genitais e sua única restrição real — a exclusão da assembleia, que não impede o casamento com prosélita ou liberta; percorre as nações proibidas de entrar na assembleia — amonita e moabita para sempre, egípcio e edomita por três gerações — com o célebre raciocínio a fortiori de Rabi Shimon rejeitado pelos sábios, e mamzerim e netinim proibidos para sempre; dedica duas mishnayot ao saris, com a disputa entre Rabi Akiva e Rabi Elazar sobre o critério que distingue o saris adam do saris chamá, decidida pelo testemunho histórico de Ben Megusat, e a extensão do mesmo princípio à ailonit; e fecha com o status do saris chamá e do androginos quanto à trumá e ao casamento, incluindo a evolução da posição de Rabi Yosei e a disputa final sobre a pena de sekilá. O Perek Tet, agora também completo, deixa as fronteiras de gênero e volta-se para os casos em que o mesmo casamento produz destinos opostos para a mulher perante o marido e perante o cunhado: abre com os quatro casos permitida-ao-marido-proibida-ao-cunhado e seus espelhos permitida-ao-cunhado-proibida-ao-marido e proibida-a-ambos; introduz as shniyot, parentescos proibidos apenas por decreto rabínico, com suas penalidades econômicas totais em contraste com o direito à ketubá preservado em cinco uniões proibidas pela própria Torá; e fecha com duas mishnayot espelhadas sobre o direito à trumá e ao maasser da filha de Israel e da filha de kohen através de sucessivos casamentos, filhos e mortes — terminando com o retorno da bat kohen à casa do pai. O Perek Yud, agora também completo, deixa a trumá e volta-se para dois temas novos: a mulher a quem se anunciou por erro a morte do marido no além-mar, que se casou de novo e cujo primeiro marido depois retorna — com todas as penalidades severas desse casamento inválido, o caso espelhado do marido que se casa com a irmã de sua esposa por engano semelhante, e a cadeia extrema de cinco irmãs sucessivas; e fecha com o bloco técnico do ben tesha shanim ve-yom echad, o menino de nove anos e um dia cuja relação com a cunhada já produz efeitos halachicos reais, incluindo a dupla vinculação e a equiparação final ao homem de vinte anos sem sinais de maturidade, o saris chamá. O Perek Yud-Alef, agora também completo, abre com os limites exatos da proibição de casar com a parente de uma mulher violentada ou seduzida, e o princípio de que a conversão apaga todo parentesco paterno; percorre uma série de casos técnicos de recém-nascidos que se misturam — entre cinco mulheres, entre sogra e nora, entre a filha de kohen e sua escrava —, com o procedimento de sucessivas chalitzot que sempre precedem o yibum; e fecha com o filho de paternidade duvidosa entre um israelita e um kohen, ou entre dois kohanim, aplicando pela última vez neste perek o princípio de que a dúvida sobre a condição sacerdotal nunca gera privilégio pleno nem punição, apenas um meio-termo cuidadosamente calibrado. O Perek Yud-Bet, agora também completo, deixa as questões de status pessoal e volta-se para a mecânica processual da própria chalitzá: abre com o mínimo de três juízes e a definição do calçado válido — sapato de couro sim, meia de pano não, com salto e amarrado abaixo do joelho —, estende a validade a sandálias emprestadas, de madeira ou de tamanho incomum, e disputa com Rabi Eliezer a chalitzá feita à noite ou no pé esquerdo; distingue o descalçar (sempre indispensável) da leitura dos versículos (dispensável) e do cuspir (disputado entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva); invalida a chalitzá do surdo-mudo e do menor, com a segunda chance da menor que a refaz ao crescer; exige três juízes válidos presentes desde o início, ilustrado pelo caso extremo da chalitzá na prisão validada por Rabi Akiva; e fecha narrando o cerimonial completo diante do tribunal, do aconselhamento inicial até a evolução histórica da leitura integral da passagem por Rabi Hurkanos, e a disputa final de Rabi Yehudá sobre quem proclama "descalçado o sapato". O Perek Yud-Guimel, agora também completo — o maior perek do tratado —, deixa a mecânica da chalitzá e volta-se para o mi'un, a recusa formal pela qual a órfã menor casada por sua mãe ou irmãos anula o próprio casamento: abre com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre o alcance do mi'un — arrusada ou também casada, contra o marido ou também o cunhado, com ou sem sua presença, em tribunal ou fora dele —, define quem precisa recusar e contrasta seus efeitos com os do get; percorre o impasse de duas irmãs órfãs casadas a dois irmãos, com as soluções opostas de Rabi Eliezer, Rabán Gamliel e o "ai dele" de Rabi Yehoshua; detalha a regra de eximição mútua entre órfãs, surdas, e mulheres de status misto, e como a ordem da bi'á determina quem fica desqualificada; trata do yavam menor e da declaração da yevamá sobre a bi'á; e fecha com o voto de privação de benefício contra o cunhado, que força ou apenas solicita a chalitzá conforme o momento e a intenção do voto. O Perek Yud-Dalet, agora também completo, deixa o mi'un e volta-se para as leis do surdo-mudo (cheresh): abre com o casamento e o divórcio por gesto, e a distinção entre a mulher que perde a razão (que não pode mais ser divorciada) e o marido que se torna surdo-mudo (que nunca mais divorcia); confirma pelo testemunho de Rabi Yochanan ben Gudgada que a mesma regra vale para a surda-muda casada ainda menor por seu pai; e percorre, em oito mishnayot espelhadas, todas as combinações de dois irmãos e duas cunhadas — surdos-mudos, sãos, ou misto, irmãs ou não aparentadas —, mostrando como a força do casamento e do divórcio depende sempre da capacidade jurídica de quem os realiza, nunca da de quem os recebe. O Perek Tet-Vav, agora também completo, deixa o surdo-mudo e volta-se para o tema mais célebre desta parte do tratado: em que condições a palavra de uma única mulher basta para declarar seu marido morto. Abre com os critérios de paz conjugal e paz no mundo, e a disputa sobre as lágrimas e roupas rasgadas exigidas por Rabi Yehudá; percorre as reviravoltas de Bet Hilel diante dos argumentos de Bet Shamai, tanto sobre o alcance geográfico e sazonal da leniência quanto sobre o direito à ketubá; exclui da confiabilidade cinco parentes por afinidade suspeitas de rivalidade, e estabelece a regra de maioria entre testemunhos contraditórios; examina o caso de duas rivais que se contradizem, com a disputa entre Rabi Meir, Rabi Yehudá e Rabi Shimon sobre "morreu" e "foi assassinado"; estende a disputa entre Rabi Tarfon e Rabi Akiva ao noivo que desposou uma de cinco mulheres sem saber qual e ao ladrão que roubou de um de cinco sem saber de quem; e fecha com o princípio que rege toda a ordem cronológica dos relatos — filho e cunhado conhecidos ou desconhecidos antes da partida — culminando na simetria final entre a mulher que não pode testemunhar sobre o próprio cunhado e o homem que não pode testemunhar sobre o próprio irmão ou esposa. O Perek Tet-Zayin, décimo sexto e último do tratado, fecha o grande tema da confiabilidade da mulher: a preocupação residual com a rival grávida e o cunhado ainda não nascido; a impossibilidade de duas cunhadas testemunharem uma pela outra; os requisitos técnicos da identificação de um corpo — rosto com nariz, certeza plena da morte, prazo de três dias; os casos-limite de quem cai n'água, com os precedentes opostos de Rabi Meir e Rabi Yosei; a leniência estendida a mulheres e crianças que falam sem intenção de testemunhar; o testemunho à luz de vela e à luz da lua, e o casamento por bat kol; e fecha, na última mishná de todo o tratado, com o célebre relato de Rabi Akiva sobre Rabán Gamliel o Velho e o precedente de Tel Arza, culminando no episódio da estalajadeira gentia cuja palavra libertou uma viúva — encerrando Massechet Yevamot, o maior tratado de toda a Mishná.