Seder Nashim · Massechet Yevamot · Perek Hei · Mishná 2 de 6

Maamar seguido de get, de chalitzá, ou de relação

כֵּיצַד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná detalha, para o caso simples de um único yavam e uma única yevamá, o que resulta de cada combinação de dois atos sucessivos — maamar seguido de get, maamar seguido de chalitzá, e maamar seguido de relação.

Como assim? Fez maamar em sua yevamá e deu-lhe get, ela precisa dele de chalitzá. Fez maamar e chalitzá, ela precisa dele de get. Fez maamar e teve relação, eis que é como sua mitzvá.A mishná esclarece o funcionamento do maamar, que kadesh apenas parcialmente a yevamá, deixando-a numa condição intermediária entre esposa comum e mulher totalmente livre. Se, depois do maamar, o yavam lhe dá um get, esse get tem o poder de dissolver o kidushin do maamar como faria com qualquer casamento comum, mas ainda resta a zika original do yibum — vinda da própria condição de yevamá, anterior ao maamar — que só a chalitzá pode dissolver por completo. Se, ao contrário, depois do maamar ele lhe faz a chalitzá, a chalitzá dissolve a zika do yibum, mas não tem o poder de dissolver o kidushin criado pelo maamar, que é um vínculo de tipo diferente — semelhante ao de qualquer casamento —, e por isso ainda é necessário um get para libertá-la totalmente. Já se, depois do maamar, ele tem relação com ela, essa relação é o cumprimento pleno e correto da própria mitzvá do yibum: o maamar serviu apenas como um kidushin preparatório, e a relação completa o casamento como se ele tivesse cumprido a mitzvá da forma mais direta, sem nenhuma exigência adicional.

כֵּיצַד. עָשָׂה מַאֲמָר בִּיבִמְתּוֹ, וְנָתַן לָהּ גֵּט, צְרִיכָה הֵימֶנּוּ חֲלִיצָה. עָשָׂה מַאֲמָר וַחֲלִיצָה, צְרִיכָה הֵימֶנּוּ גֵט. עָשָׂה מַאֲמָר וּבָעַל, הֲרֵי זוֹ כְמִצְוָתָהּ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim (Deuteronômio) 25:5
יְבָמָהּ יָבֹא עָלֶיהָ וּלְקָחָהּ לוֹ לְאִשָּׁה וְיִבְּמָהּ
Seu cunhado virá a ela, e a tomará para si como esposa, e cumprirá com ela o levirato.

É o próprio texto da Torá que descreve a relação como o modo pleno de cumprir a mitzvá — "virá a ela... e cumprirá com ela o levirato" —, o que a mishná traduz na expressão "eis que é como sua mitzvá" quando o maamar é seguido de relação. O maamar em si, como já explicado nos perakim anteriores, não é mencionado explicitamente na Torá; é uma instituição dos sábios que aplica à yevamá o modelo comum de kidushin, dado o paralelo entre a expressão "a tomará para si como esposa" e a forma costumeira de aquisição matrimonial.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam explica por que a relação depois do get exige tanto o get quanto a chalitzá — mesmo se tratando de uma relação que ocorre depois de um ato de dissolução parcial.

Rambam · Perush HaMishná, Yevamot 5:2

Rambam nota que esta mishná, como toda a série de mishnayot deste perek, segue diretamente dos princípios já estabelecidos: a chalitzá dissolve a zika do yibum, mas não o kidushin de um maamar prévio; o get dissolve o kidushin do maamar, mas não a zika do yibum em si. Quanto a "fez maamar e teve relação, eis que é como sua mitzvá" — trata-se do cumprimento normal e correto da mitzvá, sem qualquer complicação adicional, pois a relação sempre completa e conclui o vínculo por inteiro, seja qual for o ato que a precedeu.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura esclarece a razão prática de cada uma das três exigências.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Yevamot 5:2
כֵּיצַד עָשָׂה מַאֲמָר בִּיבִמְתּוֹ וְנָתַן לָהּ גֵּט כוּ׳: אָמְרוּ כֵּיצַד רְצוֹנוֹ לוֹמַר כֵּיצַד לֹא לְאַחַר בְּעִילָה וְלֹא לְאַחַר חֲלִיצָה כְּלוּם.

Rambam observa que a palavra "כֵּיצַד" (como assim) não introduz uma continuação da disputa entre Rabban Gamliel e os sábios, mas sim uma explicação independente, aplicada ao caso simples de um único yavam e uma única yevamá, elucidando concretamente os princípios já estabelecidos.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yevamot 5:2
כֵּיצַד. לָאו אַפְּלֻגְתָּא קָאֵי אֶלָּא מִלְּתָא בְּאַנְפֵּי נַפְשָׁהּ, וְאַיָּבָם אֶחָד וִיבָמָה אַחַת קָאֵי. צְרִיכָה הֵימֶנּוּ חֲלִיצָה. וְאִם רָצָה לִכְנֹס לֹא יִכְנֹס, דְּכֵיוָן דְּהִתְחִיל בְּגֵרוּשִׁין קַיְמָא עֲלֵיהּ בְּלֹא יִבְנֶה. צְרִיכָה הֵימֶנּוּ גֵּט. דַּחֲלִיצָה אַפְקַעְתָּא לַזִּקָּה, וְגֵט בָּעֵי לְאַפְקוּעֵי קִדּוּשִׁין דִּילֵיהּ, דַּחֲלִיצָה לֹא מַפְקְעָא קִדּוּשִׁין.

Bartenura explica que "como assim" não continua a disputa da mishná anterior, mas expõe o caso de um único yavam e uma única yevamá. No caso do maamar seguido de get: ela precisa ainda de chalitzá, e mesmo que o yavam quisesse voltar a desposá-la, não poderia — pois, tendo começado com um ato de divórcio, fica sob a proibição de "não construirá" aquela casa. No caso do maamar seguido de chalitzá: a chalitzá dissolve a zika do yibum, mas ela ainda precisa de um get, pois é o get que dissolve o kidushin do maamar — a chalitzá não tem esse poder.