Só se testemunha sobre o rosto, junto com o nariz, mesmo que haja sinais em seu corpo e em suas roupas. Só se testemunha depois que a alma saiu, mesmo que o tenham visto dilacerado, ou crucificado, com um animal selvagem comendo dele. Só se testemunha até três dias. Rabi Yehudá ben Bava diz: nem toda pessoa, nem todo lugar, nem toda hora são iguais. — A identificação de um cadáver exige ter visto claramente o rosto completo, incluindo o nariz — o traço mais distintivo e menos passível de confusão —, mesmo que outros sinais corporais ou nas roupas parecessem corresponder ao desaparecido; meros indícios indiretos não bastam para uma questão tão grave quanto liberar uma mulher para novo casamento. Além disso, a morte precisa ser certa e completa: mesmo vendo a vítima gravemente ferida, dilacerada, crucificada ou sendo devorada por um animal, a testemunha só pode confirmar a morte depois de constatar que a alma efetivamente partiu — enquanto há qualquer sinal de vida, por mais grave que seja o ferimento, não há certeza suficiente. Por fim, a identificação só é confiável dentro de três dias após a morte, pois depois desse prazo as feições do rosto começam a se alterar, tornando a identificação não confiável. Rabi Yehudá ben Bava qualifica essa última regra, observando que o ritmo de decomposição varia conforme a pessoa (gorda ou magra), o lugar (quente ou frio) e a estação do ano.
A leniência de aceitar um único testemunho sobre a morte de alguém, dispensando as duas testemunhas normalmente exigidas pela Torá, exige em troca um padrão de certeza visual muito mais rigoroso: identificação plena do rosto, confirmação total da morte, e um prazo curto o suficiente para que a memória e a fisionomia ainda sejam confiáveis. O que se perde em número de testemunhas, a mishná compensa exigindo em qualidade e precisão do que foi presenciado.
Bartenura explica em detalhe cada um dos três requisitos técnicos e a ressalva final de Rabi Yehudá ben Bava.
Bartenura explica que a exigência do nariz visível decorre de sua importância central na identificação facial: se o rosto não foi visto claramente, ou se o nariz especificamente estava ausente ou destruído, não se pode confiar na identificação, mesmo diante de outros sinais aparentemente coincidentes, pois estes poderiam pertencer a outra pessoa por coincidência. Quanto ao animal que devora o corpo, Bartenura esclarece que a regra depende de onde o animal ataca: se for um órgão cuja perda não seria necessariamente fatal, isso não prova a morte por si só, mas se o animal já está devorando um órgão vital — como o cérebro ou o coração —, isso sim constitui prova suficiente da morte. E quanto ao prazo de três dias, Bartenura explica que depois desse período as feições do rosto naturalmente começam a se alterar por decomposição, tornando a identificação não confiável.
Bartenura acrescenta a explicação prática da ressalva de Rabi Yehudá ben Bava sobre as variáveis que aceleram ou retardam a decomposição.
Bartenura explica com exemplos concretos a ressalva de Rabi Yehudá ben Bava: uma pessoa mais gorda tende a inchar e se decompor mais rapidamente; um clima quente acelera a decomposição e a alteração das feições; e uma estação quente do ano tem o mesmo efeito. O prazo de três dias, portanto, não é uma regra fixa e absoluta, mas varia conforme essas três variáveis — pessoa, lugar e hora —, podendo em certos casos ser mais curto e em outros mais longo. Bartenura confirma, por fim, que a halachá não segue essa flexibilização de Rabi Yehudá ben Bava, mantendo o prazo fixo de três dias como regra prática geral.