Bet Shamai permite as rivais aos irmãos, e Bet Hilel proíbe. Se fizeram chalitzá, Bet Shamai as desqualifica do sacerdócio, e Bet Hilel as habilita. Se fizeram yibum, Bet Shamai as habilita, e Bet Hilel as desqualifica. Ainda que estes proíbam e aqueles permitam, estes desqualifiquem e aqueles habilitem, Bet Shamai não deixou de tomar mulheres de Bet Hilel, nem Bet Hilel de Bet Shamai. E quanto a todas as puridades e impurezas em que estes declaram puro e aqueles declaram impuro, não deixaram de preparar objetos puros uns com os outros. — Toda a doutrina das três mishnayot anteriores — de que a rival de uma parente proibida está isenta da chalitzá e do yibum — pressupõe a leitura de Bet Hilel do verso "não tomarás uma mulher para rival de sua irmã"; Bet Shamai, que não aceita essa leitura estendida, permite que a rival seja tomada em yibum normalmente. A discordância se desdobra em consequências práticas graves: se, apesar disso, uma dessas rivais fez chalitzá, Bet Shamai considera a chalitzá plenamente válida — já que, a seu ver, ela era candidata legítima ao yibum — e por isso a desqualifica do casamento com um sacerdote, como qualquer mulher que passou por chalitzá; Bet Hilel, ao contrário, considera essa chalitzá sem efeito algum, pois a seus olhos ela nunca teve vínculo de yibum, e por isso a mantém apta ao sacerdócio. Inversamente, se ela foi tomada em yibum, Bet Shamai reconhece o casamento como pleno e válido; Bet Hilel o considera relação ilícita, que desqualifica a mulher para sempre do sacerdócio, como a uma mulher que teve relações proibidas. A mishná fecha com a nota mais famosa de todo o tratado: apesar dessa oposição halachica que chegaria a produzir, na prática, filhos considerados legítimos por uma escola e mamzerim pela outra, as duas casas nunca deixaram de se casar entre si nem de emprestar mutuamente seus utensílios puros — um modelo de convivência dentro do desacordo.
Sobre este mesmo verso — que proíbe ao sacerdote casar-se com uma "zoná" (mulher que teve relação ilícita) — assenta-se toda a disputa da mishná. Bet Hilel considera que a rival tomada em yibum, sendo essa união ilícita por sua ótica, torna-se uma "zoná" e fica proibida ao sacerdócio; e considera que a chalitzá feita a ela, por não ter valor algum onde nunca houve vínculo de yibum, não a torna uma "chalutzá" (mulher que fez chalitzá) — outra categoria também restrita quanto ao sacerdócio nesse mesmo capítulo. Bet Shamai inverte exatamente essa leitura, por discordar, desde a raiz, se a rival está de fato sujeita ao vínculo de yibum.
Rambam codifica, seguindo Bet Hilel, que a yevamá tomada por quem lhe é estranho — sem vínculo de yibum — torna-se zoná e fica proibida ao sacerdócio, a base halachica final da disputa desta mishná.
Rambam codifica a halachá final, seguindo Bet Hilel: a yevamá que teve relação com quem lhe é "estranho" — ou seja, alguém sem vínculo legítimo de yibum sobre ela — torna-se zoná e fica proibida ao sacerdócio, exatamente como a mishná descreve para a rival tomada em yibum sem que Bet Hilel reconheça vínculo algum entre eles. Rambam acrescenta, à parte, que a ailonit é uma exceção: mesmo tendo relação fora de um yibum válido, ela não se torna zoná e permanece permitida ao sacerdócio, pois sua condição a isenta por completo da categoria de yevamá.
Rambam explica a lógica de cada lado da disputa e por que nenhuma das casas temia a insinceridade da outra; Bartenura detalha o resultado prático de cada combinação de chalitzá e yibum; Rashi, na Guemará, situa os termos técnicos da disputa desde a abertura do tratado.
Rambam explica o fundamento da nota final da mishná: Bet Shamai e Bet Hilel não deixaram de se casar entre si porque nenhuma das casas suspeitava que a outra escondesse, deliberadamente, um casamento proibido segundo sua própria opinião — cada escola confiava que a outra agia com sinceridade dentro de seu próprio raciocínio halachico, seja ele mais rigoroso ou mais permissivo. A discordância era genuína e transparente, não um estratagema para burlar a lei alheia, e por isso a convivência e o intercasamento entre as duas casas puderam continuar sem receio.
Bartenura detalha a gravidade real do desacordo: os filhos nascidos das rivais que Bet Shamai tomou em yibum são, para Bet Hilel, mamzerim — pois, a seu ver, essa relação é uma "esposa de irmão" proibida com pena de karet, e filhos de relações proibidas com essa pena são mamzerim. Mesmo assim, Bet Hilel não deixou de tomar mulheres de Bet Shamai, porque tinham o cuidado de informar publicamente quais mulheres descendiam dessas rivais, para que se afastassem delas ao escolher cônjuge — preservando, assim, tanto a convivência entre as casas quanto sua própria integridade halachica.
Rashi define, termo a termo, o mecanismo de cada posição: se as rivais fizeram chalitzá dos irmãos, Bet Shamai as desqualifica do sacerdócio porque, a seu ver, essa chalitzá é plenamente válida — igual a qualquer outra chalitzá, que desqualifica a mulher do casamento com um cohen; Bet Hilel as habilita porque, não reconhecendo vínculo de yibum ali, considera essa chalitzá desnecessária, equivalente a uma chalitzá feita por um estranho sem qualquer efeito jurídico. Se, ao contrário, foram tomadas em yibum pelos irmãos, Bet Hilel as desqualifica porque, a seu ver, tiveram relação com alguém a quem lhes era proibido — e quem teve relação com quem lhe é proibida se torna zoná, e a zoná é proibida ao sacerdócio.