A mulher que foi, ela e seu marido, para terra ultramarina — havia paz entre ele e ela, e paz no mundo, e ela veio e disse 'meu marido morreu': ela se casará. 'Meu marido morreu': ela fará yibum. Havia paz entre ele e ela mas guerra no mundo, ou briga entre ele e ela mas paz no mundo, e ela veio e disse 'meu marido morreu' — ela não é confiável. Rabi Yehudá diz: nunca é confiável, a menos que venha chorando e com suas roupas rasgadas. Disseram-lhe: tanto esta quanto aquela, ela se casará. — Quando reinava paz entre o casal e paz no mundo em geral, não há motivo razoável para suspeitar que a mulher tenha inventado a morte do marido por ódio, nem que ela tenha concluído precipitadamente a morte dele apenas por não vê-lo voltar em tempos conturbados — por isso sua palavra sozinha basta. Mas quando havia guerra no mundo, ela poderia ter presumido a morte dele apenas por ele não ter retornado de uma situação de perigo, mesmo que estivesse apenas ferido ou escondido; e quando havia briga entre o casal, ela poderia estar motivada pelo próprio ódio a declarar-se livre dele. Rabi Yehudá exige, além da situação de paz, sinais externos de luto genuíno — lágrimas e roupas rasgadas —, mas os demais Sábios rejeitam essa exigência adicional, mantendo o critério simples da paz como suficiente em ambos os casos.
A Torá exige, para qualquer questão de proibição ou pecado, o testemunho de duas ou três testemunhas — nunca de uma só. Os Sábios, porém, temendo que uma mulher casada com marido desaparecido ficasse presa para sempre à condição de aguna, instituíram uma leniência excepcional: aceitar a palavra da própria mulher, sozinha, sobre a morte de seu marido, desde que as circunstâncias — paz entre o casal e paz no mundo — não deem motivo razoável para suspeitar de erro ou má-fé. Esta mishná abre o perek delimitando com precisão essa leniência.
Rambam explica a razão de cada uma das duas condições — paz conjugal e paz no mundo — e por que a exigência adicional de Rabi Yehudá não é seguida na prática.
Rambam explica que, em tempos de guerra, a mulher pode concluir precipitadamente que o marido morreu apenas por vê-lo cair ferido em combate, quando na verdade ele ainda poderia se recuperar do ferimento — por isso sua palavra não basta nesse contexto. E, do mesmo modo, quando há briga e discórdia entre o casal, seu ódio por ele pode levá-la a declarar precipitadamente sua morte, mesmo havendo ainda esperança de que ele estivesse vivo — por isso ela também não é confiável nesse caso. Rambam conclui que a halachá não segue a exigência adicional de Rabi Yehudá de lágrimas e roupas rasgadas: basta a condição dupla de paz, sem sinais externos de luto.
Bartenura detalha o raciocínio por trás de cada uma das quatro combinações possíveis de paz e conflito; Rashi, na Guemará, confirma a mesma lógica quase palavra por palavra.
Bartenura esclarece que a exigência de paz conjugal visa afastar a suspeita de que, motivada pelo próprio ódio, a mulher tenha inventado ou concluído precipitadamente a morte do marido apenas para se libertar dele. E a exigência de paz no mundo visa afastar a suspeita de que, tendo-o visto ferido em combate ou tardando a retornar de uma zona de perigo, ela tenha presumido sua morte com base numa impressão apressada, quando na verdade ele poderia estar apenas escondido ou ainda vivo. Bartenura confirma, por fim, que a halachá não segue a exigência adicional de Rabi Yehudá.
Rashi confirma que a exigência de 'paz no mundo' visa impedir que a mulher declare a morte do marido meramente por conjectura do próprio coração (בְּדַדָּמֵי) — presumindo que, por ele não ter retornado depois de tanto tempo desde que se separaram, certamente bandidos o mataram, sem qualquer base concreta para essa conclusão. E, quanto à 'briga entre ele e ela', Rashi explica com a mesma brevidade de Bartenura: por odiá-lo, ela pode ter interesse em se declarar proibida a ele, tornando sua palavra suspeita de parcialidade.