Proibição de preceito são as shniyot, por palavra dos escribas. Proibição de santidade: a viúva para o sumo sacerdote, a divorciada e a chalutzá para o sacerdote comum, a mamzeret e a netiná para um israelita, e a filha de israelita para um natin ou um mamzer. — "Shniyot" (relações de segundo grau) são parentescos que os Sábios proibiram por decreto próprio, como cerca protetora em torno das relações incestuosas bíblicas — por exemplo, a avó ou a bisavó, que não são proibidas explicitamente pela Torá, mas foram vedadas pelos Sábios por analogia às proibições bíblicas mais próximas. Por serem apenas decreto rabínico, chamam-se "proibição de preceito", pois cumpri-las é obedecer ao preceito de escutar a palavra dos Sábios. Já a "proibição de santidade" vem diretamente da Torá, ligada à santidade especial exigida do sacerdócio: o sumo sacerdote não pode desposar uma viúva, o sacerdote comum não pode desposar uma divorciada nem uma mulher que passou por chalitzá, e nenhum cohen pode desposar uma mamzeret (filha de relação proibida com pena de karet) nem uma netiná (descendente dos guibonitas). A mishná acrescenta ainda dois casos paralelos, de proibição de casta e não de sacerdócio: a mamzeret e a netiná não podem se casar com um israelita comum, e a filha de um israelita não pode se casar com um natin ou com um mamzer — todos esses casos, quando a mulher cai em yibum a um cunhado dessa condição, resultam em chalitzá sem yibum.
Este verso, dirigido ao sumo sacerdote, é a fonte direta da proibição de santidade mais severa da mishná — o sumo sacerdote nem sequer pode desposar uma viúva, ainda que ela seja apta a qualquer sacerdote comum. O sacerdote comum, por sua vez, está proibido apenas de desposar divorciada, profanada e prostituída (Vaicrá 21:7), permitindo-lhe a viúva; mas quando essa viúva chega a ele por yibum, tratando-se de uma divorciada ou chalutzá que seu irmão falecido havia desposado, a proibição específica contra a chalutzá (implícita na mesma passagem) mantém-na presa à chalitzá, sem permitir o yibum.
Rambam, em seu comentário à própria mishná, já registra a enumeração completa das vinte shniyot na forma que se tornaria a codificação halachica definitiva, adotada depois em seu Mishné Torá e no Shulchan Aruch.
Rambam já registra, em seu comentário a esta mishná, a lista completa das vinte shniyot, que se tornaria a base de toda a codificação posterior: a proibição de preceito são as shniyot, por decreto dos escribas, e são vinte no total — entre elas a mãe da mãe (sem limite de gerações), a esposa do avô paterno, a esposa do tio materno ou paterno, a nora do filho (também sem limite de gerações), e as diversas netas e bisnetas da própria esposa. Rambam nota que algumas dessas proibições — como a mãe de sua mãe, ou a nora de seu filho — "não têm fim", isto é, aplicam-se a todas as gerações ascendentes ou descendentes, enquanto outras se limitam a um único grau.
Rambam explica a razão do nome "proibição de preceito" e da "proibição de santidade"; Bartenura detalha por que a divorciada e a chalutzá exigem chalitzá e não podem receber yibum; Rashi, na Guemará, confirma a mesma distinção.
Rambam explica, em uma frase, a origem dos dois nomes: "proibição de preceito" chama-se assim porque cumprir os decretos dos Sábios é, em si, cumprir o preceito bíblico de "não te desviarás" — ouvir a palavra dos Sábios; "proibição de santidade" chama-se assim porque deriva diretamente do verso "santos serão para seu D-us", que estabelece o padrão especial de santidade exigido do sacerdócio, do qual decorrem as restrições sobre quem um cohen pode desposar.
Bartenura explica o caso da divorciada e da chalutzá com precisão: o cenário é de um cohen comum cujo irmão falecido havia transgredido e desposado uma divorciada ou uma chalutzá — casamento proibido, mas que "pega" civilmente, pois o kidushin tem efeito mesmo em relações proibidas por um simples "não farás". Quando esse irmão morre, ela precisa de chalitzá do cohen sobrevivente, porque o vínculo do casamento existiu; mas ele não pode fazer yibum com ela, pois ela lhe é proibida por sua própria condição sacerdotal. E não seria correto isentá-la por completo, sem chalitzá alguma, porque um "não farás" simples não tem força suficiente para produzir isenção total — esse grau de isenção é reservado às relações incestuosas propriamente ditas, como se aprende por comparação com a irmã da esposa, que é proibida com pena de karet.
Rashi confirma, quase palavra por palavra, a explicação de Bartenura: "shniyot" são relações de segundo grau em torno das relações incestuosas bíblicas, decretadas pelos Sábios, cujos detalhes a própria Guemará expõe adiante; e o caso da divorciada e da chalutzá para o sacerdote comum ocorre quando o irmão falecido transgrediu e desposou uma delas — o casamento tem efeito civil, exigindo chalitzá do sobrevivente, mas nunca podendo se converter em yibum, pois ela permanece proibida à condição sacerdotal do cunhado.