'Nasceu-me um filho em terra ultramarina', e ela disse 'meu filho morreu e depois meu marido morreu': ela é confiável. 'Meu marido morreu e depois meu filho morreu': ela não é confiável, e há preocupação com suas palavras, e ela faz chalitzá mas não faz yibum. — Aqui a mulher partiu sem saber de nenhum filho — pelo que se sabia até então, ela estava sob a presunção original de estar vinculada ao yibum, caso o marido viesse a morrer. Se ela agora conta que, apesar de ter tido um filho lá, ele morreu antes do marido — de modo que, no momento da morte do marido, o filho já não estava mais vivo —, essa versão mantém exatamente a mesma presunção original de vínculo de yibum com que ela partiu, sem lhe trazer vantagem alguma; por isso é aceita sem suspeita. Mas se ela inverte a ordem, dizendo que o marido morreu primeiro e o filho — cuja existência era desconhecida — só depois, essa versão a livraria retroativamente do yibum (pois, no momento da morte do marido, o filho ainda estava vivo), e por isso volta a mesma suspeita da mishná anterior: ela pode ter arranjado essa ordem específica para escapar da obrigação, e por isso sua palavra sozinha não basta, exigindo pelo menos a chalitzá.
Esta mishná confirma, pelo espelho invertido, que o único critério relevante para a credibilidade da mulher é se a ordem específica que ela relata a mantém na mesma condição jurídica com que era presumida antes de falar, ou se ela a modifica exatamente na direção que a beneficiaria. Não importa qual seja o fato concreto (ter ou não ter um filho conhecido) — o que importa é a estrutura lógica do relato em relação à presunção prévia.
Rambam aplica, de forma espelhada, o mesmo princípio já explicado na mishná anterior, agora ao caso do filho cuja existência era desconhecida desde o início.
Rambam explica a segunda metade do princípio geral, aplicável precisamente a esta mishná: como não sabíamos, quando ela partiu, que ela tinha um filho, ela partiu sob a presunção de estar livre para o yibum. Quando ela agora relata que lhe nasceu um filho, mas que ele morreu ainda em vida do marido, ela permanece confiável — porque é a mesma boca que primeiro revelou a existência do filho (o que a proibiria) que também revela sua morte prévia (o que a volta a permitir); segundo o princípio de que 'a boca que proibiu é a mesma boca que permitiu', sua palavra é aceita como um relato único e coerente, sem suspeita de manipulação.
Bartenura detalha o mesmo princípio espelhado, explicando por que, neste caso específico, a mulher não é confiável para se libertar do yibum, embora os Sábios normalmente confiem nela sobre o próprio casamento.
Bartenura explica que, quando ela relata a ordem que mantém sua condição original de vinculada ao yibum, sua palavra não a está tirando de nenhuma restrição prévia — ela apenas confirma o que já se presumia —, e por isso é plenamente confiável. Mas quando busca se libertar do próprio yibum através da ordem inversa, Bartenura observa o princípio geral por trás de toda a leniência dos Sábios: eles confiaram na mulher especificamente quanto ao próprio casamento, porque presumem que ela seria cuidadosa antes de se casar novamente (já que um engano a exporia a graves consequências); mas não estenderam essa mesma confiança a declarações que a livrariam especificamente do vínculo de yibum, onde o interesse pessoal dela em escapar da obrigação é mais direto e suspeito.