O Sumo Sacerdote não desposará viúva — seja viúva ainda do erusin, seja viúva já do nissuin — nem desposará a bogueret. Rabi Eliezer e Rabi Shimon consideram apta a bogueret. Não desposará a mucat etz. Se desposou a viúva e depois foi nomeado Sumo Sacerdote, poderá completar o casamento. E houve um caso com Yehoshua ben Gamla: ele desposou Marta, filha de Baitos, e o rei o nomeou Sumo Sacerdote, e ele completou o casamento com ela. A shomeret yavam que caiu perante um kohen comum, e este foi nomeado Sumo Sacerdote — mesmo que já tenha feito nela o maamar —, não poderá completar o casamento com ela. O Sumo Sacerdote cujo irmão morre faz chalitzá e não faz yibum. — A Torá reserva ao Sumo Sacerdote uma restrição adicional que não se aplica ao kohen comum: ele só pode se casar com uma virgem, o que exclui não apenas a viúva, mas também a bogueret — a jovem que já passou seis meses além dos sinais de puberdade, cuja virgindade fisiológica já se completou, embora ainda seja tecnicamente virgem — e a mucat etz, cuja virgindade física foi perdida por acidente, sem relação sexual alguma. Se, porém, ele já havia desposado uma viúva antes de ser nomeado Sumo Sacerdote, a nomeação não desfaz o casamento já iniciado — ele pode completá-lo normalmente, como de fato ocorreu com Yehoshua ben Gamla, que desposou Marta bat Baitos como kohen comum e, depois de nomeado Sumo Sacerdote pelo rei, completou o casamento com ela sem impedimento algum. Mas o caso inverso, da mulher vinculada por yibum, é tratado de modo diferente: a shomeret yavam que caiu perante um kohen comum — vinculada a ele pelo laço do yibum, ainda que este já tenha feito nela um ato inicial como o maamar — não pode ter esse vínculo completado se o kohen for nomeado Sumo Sacerdote antes do nissuin, pois o vínculo de yibum não tem a mesma força de um casamento já formalizado. E a mishná fecha com uma regra final: mesmo o próprio Sumo Sacerdote, se seu irmão morre e lhe cabe a obrigação de yibum, não pode realizá-lo — apenas a chalitzá, precisamente porque a mulher do irmão falecido é, para ele, uma viúva, e viúva lhe é proibida.
A Torá exige explicitamente do Sumo Sacerdote — "e ele" — uma virgem, excluindo por nome a viúva, a divorciada, a profanada e a prostituta. A Guemará deriva da expressão "em suas virgindades", no plural, que a exclusão abrange também a bogueret e a mucat etz, cuja condição física já não corresponde à virgindade plena da jovem recém-púbere, embora ambas sejam, tecnicamente, mulheres que nunca tiveram relação sexual completa.
Rambam explica a base escriturística da exclusão da bogueret e fixa a halachá contra Rabi Eliezer e Rabi Shimon, que a consideravam apta ao Sumo Sacerdote.
Rambam explica que a Torá escreve "virgindades" no plural — "בבתוליה" —, e os Sábios derivam dessa forma gramatical incomum uma exclusão adicional: fica de fora a bogueret, aquela cujos sinais físicos de virgindade juvenil já se completaram. Uma jovem passa a ser chamada de bogueret seis meses depois de apresentar os primeiros sinais de puberdade — o início do desenvolvimento que marca a passagem da infância para a maturidade. E, embora Rabi Eliezer e Rabi Shimon considerem a bogueret apta ao Sumo Sacerdote, a halachá não segue nenhum dos dois: a exclusão da bogueret é mantida como parte da regra da mishná.
Bartenura confirma a leitura escriturística da bogueret; Rashi, na Guemará, comenta o episódio histórico de Yehoshua ben Gamla, revelando a suspeita de que sua nomeação foi obtida por meios impróprios.
Rambam, sobre o restante da mishná — a mucat etz, o caso de Yehoshua ben Gamla, a shomeret yavam, e a regra final do Sumo Sacerdote enlutado —, observa que o texto é suficientemente claro por si mesmo e dispensa explicação adicional: a lógica de cada cláusula decorre diretamente do princípio já estabelecido de que o Sumo Sacerdote só pode se casar com uma virgem plena, e de que um vínculo já formalizado antes da nomeação — como um casamento, mas não como um yibum ainda incompleto — pode ser mantido e completado depois dela.
Bartenura confirma a leitura de que a exclusão da bogueret decorre precisamente do plural incomum "בבתוליה" no verso — uma forma que, lida literalmente, sugere mais de um tipo de virgindade, e que os Sábios interpretam como incluindo e excluindo diferentes categorias de mulheres tecnicamente virgens. Bartenura confirma, mais uma vez, que a halachá não segue a posição lenient de Rabi Eliezer e Rabi Shimon: a bogueret permanece proibida ao Sumo Sacerdote como qualquer outra mulher que não seja virgem plena.
Rashi observa, sobre o episódio de Yehoshua ben Gamla, um detalhe crítico que a Guemará traz à tona: a mishná diz apenas que "o rei o nomeou", mas não diz que seus colegas kohanim ou o Sanhedrin o escolheram — sinal de que sua nomeação não passou pelo crivo halachico normal, apenas pela vontade do rei. A Guemará chega a registrar a reação de um Sábio ao ouvir o caso: "vejo aqui um nó de perversidade" — expressão de suspeita de que Yehoshua ben Gamla não era realmente digno do cargo, mas o obteve através de suborno, pois sua esposa Marta bat Baitos, mulher rica, teria pago ao rei para garantir sua nomeação. Ainda assim, a mishná registra o caso como precedente halachico válido para a regra de que um casamento já iniciado pode ser completado após a nomeação — independentemente de como esta ocorreu.