Rabi Eliezer ben Yaakov diz: toda obstrução que é da parte do homem, é como se ela fosse sua esposa. E toda obstrução que não é da parte do homem, é como se não fosse sua esposa. — O termo "obstrução" (akavá) designa aqui o fato de a menor permanecer junto ao marido sem ter feito mi'un. Rabi Eliezer ben Yaakov ensina que a razão dessa permanência é decisiva: se ela ficou porque ele a reteve — por exemplo, deu-lhe um mamar (início de kidushin do cunhado) ou de algum modo a impediu de sair —, então, juridicamente, trata-se dela como esposa plena para todos os efeitos, incluindo as proibições de parentesco e a desqualificação da kehuná. Mas se a obstrução nada tinha a ver com ele — se ela mesma optou por ficar, sem qualquer ato dele que a retivesse —, então ela é tratada como se nunca tivesse sido sua esposa. A Guemará explica que esse princípio é a chave por trás da distinção da mishná anterior entre quem recebeu um get e quem apenas fez mi'un.
O critério de "pertencer a um homem" (הָיְתָה לְאִישׁ) que a Torá usa para definir quem conta como esposa plena — por exemplo, para as leis de impureza do cohen — é precisamente o tipo de categoria que o princípio de Rabi Eliezer ben Yaakov vem esclarecer no caso específico da menor. A pergunta que ele resolve é: quando a menor permanece junto ao marido sem fazer mi'un, isso conta como "pertencer a um homem" no sentido pleno da Torá, ou não? Sua resposta depende inteiramente de quem causou essa permanência — se foi o próprio homem que a reteve, o vínculo se consolida como pleno para todos os efeitos; se não foi ele, o vínculo permanece tão frágil quanto sempre foi, e ela continua, essencialmente, como se nunca tivesse pertencido a homem algum.
Como o Perush HaMishná do Rambam não chegou a este verso, Bartenura serve de fonte honesta e principal, mostrando como o princípio se aplica na prática ao caso do get depois do mi'un.
Bartenura aplica o princípio geral ao caso concreto da mishná anterior: quando o marido deu à menor um get de divórcio — em vez de ela simplesmente ter recusado —, isso revela que a permanência dela junto a ele até aquele momento se devia à própria relação conjugal, e não a qualquer outro motivo; por isso ela é tratada como esposa plena, proibida às famílias dele, e ele é desqualificado da kehuná por tê-la divorciado. Mas quando ela o recusou por mi'un, a permanência anterior dela junto a ele nunca teve o peso de um vínculo conjugal — foi apenas fisicamente estar ali, sem que isso a tornasse, retroativamente, sua esposa para qualquer efeito.
Rashi, na Guemará, mostra como este princípio resolve a aparente contradição entre a primeira e a segunda parte da mishná anterior.
Rashi ilustra o princípio com o exemplo de uma menina que, mesmo tendo outros pretendentes pedindo sua mão enquanto ainda estava sob o primeiro marido, optou por permanecer com ele em vez de recusá-lo: essa permanência é considerada obstrução "da parte do homem" — não porque ele a tenha impedido fisicamente, mas porque ela mesma revelou, por sua escolha ativa de ficar, que a permanência era pela relação conjugal com ele. É esse mesmo raciocínio que explica por que receber um get, em vez de fazer mi'un, prova retroativamente que o vínculo sempre foi pleno: a ausência do mi'un, quando ela tinha a opção de fazê-lo, é a prova de que a obstrução partia dela em razão dele, e não de circunstâncias alheias à relação conjugal.