Uma diz 'morreu' e outra diz 'não morreu': a que diz 'morreu' se casa e recebe sua ketubá; e a que diz 'não morreu' não se casa nem recebe sua ketubá. Uma diz 'morreu' e outra diz 'foi assassinado' — Rabi Meir diz: já que se contradizem uma à outra, elas não se casam. Rabi Yehudá e Rabi Shimon dizem: já que ambas concordam que ele não está vivo, elas se casam. Uma testemunha diz 'morreu' e outra testemunha diz 'não morreu'; uma mulher diz 'morreu' e outra mulher diz 'não morreu' — ela não se casará. — Quando as duas rivais se contradizem frontalmente sobre o destino do marido comum, cada uma delas é confiável apenas quanto à sua própria pessoa: a que afirma a morte pode se casar e receber sua ketubá com base em sua própria palavra, enquanto a que nega continua vinculada, sem que a afirmação da primeira a beneficie nem a negação da segunda prejudique a primeira. No caso em que ambas concordam que ele morreu, apenas divergindo sobre a causa — morte natural ou assassinato —, Rabi Meir vê aí uma contradição substancial que invalida ambos os relatos, enquanto Rabi Yehudá e Rabi Shimon entendem que o ponto essencial (ele não está vivo) é consensual, bastando para liberar ambas. Por fim, quando o empate se dá entre testemunhas de peso igual — uma testemunha contra outra, ou uma mulher contra outra sem relação de rivalidade especial —, nenhum dos lados prevalece, e ela permanece vinculada.
Quando a leniência de aceitar uma única testemunha se choca com um testemunho contrário de peso igual, a Torá não fornece critério para desempate — e por isso a mishná recorre ao princípio geral de que, na dúvida sobre uma proibição, prevalece a posição mais cautelosa (a proibição continua vigente), a menos que uma maioria clara de vozes ou de concordância substancial incline a balança para o lado da permissão.
Rambam confirma que a halachá não segue a posição mais restritiva de Rabi Meir sobre a contradição entre 'morreu' e 'foi assassinado', preferindo o critério de concordância substancial de Rabi Yehudá e Rabi Shimon.
Rambam decide a favor de Rabi Yehudá e Rabi Shimon: quando dois relatos concordam no ponto essencial — que o marido não está vivo — mas divergem apenas quanto às circunstâncias específicas de sua morte, essa divergência periférica não invalida o consenso substancial, e as mulheres podem se casar. A opinião de Rabi Meir, que via nessa divergência uma contradição fatal, não é seguida na prática.
Bartenura esclarece o cenário concreto da mishná — duas rivais do mesmo marido desaparecido — e confirma a rejeição da posição de Rabi Meir.
Bartenura identifica o cenário da mishná: duas mulheres rivais, ambas casadas com o mesmo homem, que retornam juntas de terra ultramarina e discordam sobre seu destino. Cada uma fala apenas por si mesma, sem que sua palavra vincule a rival. E confirma que a halachá não segue Rabi Meir quanto à contradição entre 'morreu' e 'foi assassinado' — a concordância no ponto essencial basta para a leniência.