O sacrifício diário era oferecido por nove, por dez, por onze, por doze cohanim; nem menos, nem mais. Como assim? — O sacrifício diário exigia sempre um destes quatro números de cohanim, conforme o dia — nunca menos, nunca mais do que o número correto para cada caso. A mishná passa então a detalhar cada situação.
Ele próprio, por nove. Na festa, com a garrafa de água na mão de um, eis aqui dez. No entardecer, por onze: ele próprio por nove, e dois em suas mãos com dois pedaços de lenha. E no Shabat, por onze: ele próprio por nove, e dois em suas mãos com duas tigelas de incenso do pão da proposição. E no Shabat que cai dentro da festa, com a garrafa de água na mão de um. — O sacrifício em si já exigia nove cohanim. Durante a festa de Sucot, acrescentava-se um décimo, que carregava a garrafa de água para a libação. No sacrifício da tarde, dois cohanim adicionais traziam lenha para a fogueira do altar, totalizando onze. No Shabat, em vez da lenha, dois cohanim adicionais traziam as tigelas de incenso que acompanhavam o pão da proposição, também totalizando onze. E quando o Shabat caía durante a própria festa, somava-se ainda o cohen da água, completando doze.
Este versículo já determina explicitamente que a lenha seja arranjada sobre o altar pela manhã; por dedução, o versículo paralelo "e disporão lenha sobre o fogo" — que menciona a mesma ação sem repetir "de manhã" — refere-se necessariamente ao sacrifício da tarde, exigindo dois cohanim adicionais carregando os dois pedaços de lenha justamente no serviço vespertino. É dessa leitura comparada entre os dois versículos que a mishná extrai a diferença entre os nove cohanim do sacrifício matutino e os onze do vespertino, aos quais se somam sempre os cohanim extras da água na festa ou do incenso do pão da proposição no Shabat.
O Rambam, no Perush HaMishná, situa a origem desta halachá exatamente nessa leitura comparada dos dois versículos sobre a lenha do altar.
Disse o Bendito: "e disporão lenha sobre o fogo", e veio a tradição recebida de que isto se diz a respeito do sacrifício diário do entardecer, pois a respeito do da manhã já está dito explicitamente: "e o cohen queimará sobre ele lenha a cada manhã."
Bartenura discrimina exatamente quais nove tarefas compõem o número básico e explica a origem dos dois cohanim extras no sacrifício da tarde.
"O sacrifício diário era oferecido" — a partir do momento do transporte dos membros em diante ele conta. "Ele próprio" — cada dia por nove: seis para os membros e as vísceras, um para a farinha, um para as frigideiras e um para o vinho. "E na festa" — que precisa de duas libações, uma de vinho e uma de água, na mão de um cohen a garrafa de água. "Do entardecer" — que a cada dia dois trazem em suas mãos dois pedaços de lenha para acrescentar sobre a lenha da fogueira, como está escrito: "e disporão lenha sobre o fogo" — se não se refere ao sacrifício da manhã, pois já foi dito "e o cohen queimará sobre ele lenha", entenda-se que se refere ao sacrifício do entardecer, ao qual se acrescentam dois pedaços de lenha.