Trouxeram-no à casa de Parva, e ela estava no recinto sagrado. Estenderam um lençol de linho fino entre ele e o povo. Santificou suas mãos e seus pés, e se despiu. Rabi Meir diz: despiu-se, e santificou suas mãos e seus pés. Desceu e imergiu, subiu e se enxugou. Trouxeram-lhe as vestes brancas, e ele as vestiu, e santificou suas mãos e seus pés. — Diferente da primeira imersão, realizada em área profana junto ao Portão das Águas, esta segunda ocorria dentro do próprio recinto sagrado, na câmara chamada Bet HaParva, construída sobre o telhado. Novamente um lençol resguardava sua modéstia diante do povo. Segundo o sábio anônimo, ele primeiro santificava as mãos e os pés e só então se despia das vestes de ouro; Rabi Meir inverte a ordem, entendendo que primeiro se despia e só depois santificava. Em seguida, descia, imergia, subia, secava-se, e vestia as vestes brancas de linho — as vestes exclusivas do serviço interno de Yom Kipur — santificando novamente as mãos e os pés antes de as vestir.
É esta expressão, "em lugar sagrado", que exige que a segunda imersão do Cohen Gadol — como todas as demais, exceto a primeira — seja realizada dentro do próprio recinto sagrado do Templo, e não fora dele. É precisamente por essa exigência bíblica que a mishná faz questão de especificar que a casa de Parva "estava no recinto sagrado" — uma precisão que, à primeira vista, pareceria desnecessária, mas que a Guemará e o Bartenura explicam ser essencial: ela distingue esta imersão da primeira, feita fora do recinto, e demonstra o cumprimento exato do versículo.
O Rambam, no Perush HaMishná, descreve as oito peças das vestes de ouro e as quatro peças das vestes brancas, e situa a base bíblica destas últimas.
As vestes de ouro são as vestes de cohen gadol que ele veste nos demais dias comuns, e são oito peças, feitas de púrpura, linho, lã tingida de azul-celeste, ouro e pedras preciosas, conforme especificado na Torá: túnica, calções, cinto, turbante, éfod, peitoral, manto e a lâmina frontal. E as vestes brancas são quatro, e são as que o Cohen Gadol usa no serviço exclusivo de Yom Kipur, todas de linho branco. Disse o Nome, bendito seja (Vayikra 16): "túnica sagrada de linho vestirá", etc. E a lei não segue Rabi Meir.
Bartenura identifica a origem do nome Bet HaParva, cita o versículo exato que exige lugar sagrado para a imersão, e detalha a diferença entre o serviço interno e o externo do dia.
"À casa de Parva" — um feiticeiro chamado Parva a construiu, e recebeu o nome dele. "E estava no recinto sagrado" — pois esta segunda imersão, junto com todas as demais, exceto a primeira, exige lugar sagrado, como está escrito: "e banhará sua carne em água, em lugar sagrado". "Rabi Meir diz" — despiu-se primeiro e depois santifica; e a lei não segue Rabi Meir. "Vestes brancas" — túnica, calções, cinto e turbante, mencionados na porção de Acharei Mot, com os quais eram feitos todos os serviços internos; já os serviços externos, como os sacrifícios diários e adicionais, eram feitos com as vestes de ouro, com as quais ele serve durante todo o resto do ano; e entre cada troca de vestes é necessária imersão e duas santificações de mãos e pés na pia.