Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Guimel · Mishná 6 de 11

A segunda imersão, na casa de Parva

הֱבִיאוּהוּ לְבֵית הַפַּרְוָה וּבַקֹּדֶשׁ הָיְתָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Concluída a oferenda do tamid da manhã e do incenso, a mishná registra a segunda imersão do dia, agora já dentro do recinto sagrado, marcando a transição das vestes de ouro para as vestes brancas de linho, próprias do serviço interno de Yom Kipur.

Trouxeram-no à casa de Parva, e ela estava no recinto sagrado. Estenderam um lençol de linho fino entre ele e o povo. Santificou suas mãos e seus pés, e se despiu. Rabi Meir diz: despiu-se, e santificou suas mãos e seus pés. Desceu e imergiu, subiu e se enxugou. Trouxeram-lhe as vestes brancas, e ele as vestiu, e santificou suas mãos e seus pés.Diferente da primeira imersão, realizada em área profana junto ao Portão das Águas, esta segunda ocorria dentro do próprio recinto sagrado, na câmara chamada Bet HaParva, construída sobre o telhado. Novamente um lençol resguardava sua modéstia diante do povo. Segundo o sábio anônimo, ele primeiro santificava as mãos e os pés e só então se despia das vestes de ouro; Rabi Meir inverte a ordem, entendendo que primeiro se despia e só depois santificava. Em seguida, descia, imergia, subia, secava-se, e vestia as vestes brancas de linho — as vestes exclusivas do serviço interno de Yom Kipur — santificando novamente as mãos e os pés antes de as vestir.

הֱבִיאוּהוּ לְבֵית הַפַּרְוָה, וּבַקֹּדֶשׁ הָיְתָה. פָּרְסוּ סָדִין שֶׁל בּוּץ בֵּינוֹ לְבֵין הָעָם, קִדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו וּפָשַׁט. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, פָּשַׁט, קִדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו. יָרַד וְטָבַל, עָלָה וְנִסְתַּפֵּג. הֵבִיאוּ לוֹ בִגְדֵי לָבָן, לָבַשׁ וְקִדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 16:23-24
וּבָא אַהֲרֹן אֶל אֹהֶל מוֹעֵד, וּפָשַׁט אֶת בִּגְדֵי הַבָּד אֲשֶׁר לָבַשׁ בְּבֹאוֹ אֶל הַקֹּדֶשׁ, וְהִנִּיחָם שָׁם. וְרָחַץ אֶת בְּשָׂרוֹ בַמַּיִם בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ, וְלָבַשׁ אֶת בְּגָדָיו, וְיָצָא וְעָשָׂה אֶת עֹלָתוֹ וְאֶת עֹלַת הָעָם, וְכִפֶּר בַּעֲדוֹ וּבְעַד הָעָם.
E virá Aharon à Tenda do Encontro, e despirá as vestes de linho que vestira ao entrar no Santuário, e as deixará ali. E banhará sua carne em água, em lugar sagrado, e vestirá suas vestes, e sairá, e fará sua oferenda de subida e a oferenda de subida do povo, e fará expiação por si e pelo povo.

É esta expressão, "em lugar sagrado", que exige que a segunda imersão do Cohen Gadol — como todas as demais, exceto a primeira — seja realizada dentro do próprio recinto sagrado do Templo, e não fora dele. É precisamente por essa exigência bíblica que a mishná faz questão de especificar que a casa de Parva "estava no recinto sagrado" — uma precisão que, à primeira vista, pareceria desnecessária, mas que a Guemará e o Bartenura explicam ser essencial: ela distingue esta imersão da primeira, feita fora do recinto, e demonstra o cumprimento exato do versículo.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam, no Perush HaMishná, descreve as oito peças das vestes de ouro e as quatro peças das vestes brancas, e situa a base bíblica destas últimas.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 3:6
בִּגְדֵי זָהָב הֵם בִּגְדֵי כְּהֻנָּה גְדוֹלָה שֶׁלּוֹבֵשׁ בִּשְׁאָר יְמֵי הַחֹל, וְהֵם שְׁמוֹנָה כֵּלִים, וְהֵם מֵאַרְגָּמָן וְשֵׁשׁ וְצֶמֶר צָבוּעַ תְּכֵלֶת וְזָהָב וַאֲבָנִים, כְּמוֹ שֶׁמְּפֹרָשׁ בַּתּוֹרָה, וְהֵם כֻּתֹּנֶת וּמִכְנָסַיִם אַבְנֵט וּמִצְנֶפֶת וְאֵפוֹד וְחֹשֶׁן וּמְעִיל וְצִיץ. וּבִגְדֵי לָבָן הֵם אַרְבָּעָה, וְהֵם שֶׁמִּשְׁתַּמֵּשׁ בָּהֶן כֹּהֵן גָּדוֹל בָּעֲבוֹדָה הַמְיֻחֶדֶת בְּצוֹם כִּפּוּר, וְהֵן כֻּלָּן מִפִּשְׁתִּים לָבָן. אָמַר הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ (ויקרא טז): כֻּתֹּנֶת בַּד קֹדֶשׁ יִלְבָּשׁ וְגוֹ'. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר.

As vestes de ouro são as vestes de cohen gadol que ele veste nos demais dias comuns, e são oito peças, feitas de púrpura, linho, lã tingida de azul-celeste, ouro e pedras preciosas, conforme especificado na Torá: túnica, calções, cinto, turbante, éfod, peitoral, manto e a lâmina frontal. E as vestes brancas são quatro, e são as que o Cohen Gadol usa no serviço exclusivo de Yom Kipur, todas de linho branco. Disse o Nome, bendito seja (Vayikra 16): "túnica sagrada de linho vestirá", etc. E a lei não segue Rabi Meir.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura identifica a origem do nome Bet HaParva, cita o versículo exato que exige lugar sagrado para a imersão, e detalha a diferença entre o serviço interno e o externo do dia.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 3:6
לְבֵית הַפַּרְוָה. מְכַשֵּׁף אֶחָד שֶׁשְּׁמוֹ פַּרְוָה בְּנָאָהּ, וְנִקְרֵאת עַל שְׁמוֹ: וּבַקֹּדֶשׁ הָיְתָה. שֶׁטְּבִילָה שְׁנִיָּה זוֹ עִם כָּל שְׁאָר טְבִילוֹת, חוּץ מִן הָרִאשׁוֹנָה, טְעוּנוֹת מָקוֹם קָדוֹשׁ, כְּדִכְתִיב (ויקרא טז) וְרָחַץ אֶת בְּשָׂרוֹ בַמַּיִם בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ: רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר. פָּשַׁט תְּחִלָּה וְאַחַר כָּךְ מְקַדֵּשׁ, וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר: בִּגְדֵי לָבָן. כֻּתֹּנֶת וּמִכְנָסַיִם וְאַבְנֵט וּמִצְנֶפֶת הָאֲמוּרִים בְּפָרָשַׁת אַחֲרֵי מוֹת, שֶׁכָּל עֲבוֹדוֹת פְּנִימִיּוֹת הָיוּ בָּהֶן; וַעֲבוֹדוֹת חִיצוֹנוֹת, כְּגוֹן תְּמִידִין וּמוּסָפִין, הָיוּ בְּבִגְדֵי זָהָב שֶׁהוּא מְשַׁמֵּשׁ בָּהֶן כָּל הַשָּׁנָה כֻּלָּהּ; וּבֵין כָּל חֲלִיפָה וַחֲלִיפָה טָעוּן טְבִילָה וּשְׁתֵּי קִדּוּשֵׁי יָדַיִם וְרַגְלַיִם מִן הַכִּיּוֹר.

"À casa de Parva" — um feiticeiro chamado Parva a construiu, e recebeu o nome dele. "E estava no recinto sagrado" — pois esta segunda imersão, junto com todas as demais, exceto a primeira, exige lugar sagrado, como está escrito: "e banhará sua carne em água, em lugar sagrado". "Rabi Meir diz" — despiu-se primeiro e depois santifica; e a lei não segue Rabi Meir. "Vestes brancas" — túnica, calções, cinto e turbante, mencionados na porção de Acharei Mot, com os quais eram feitos todos os serviços internos; já os serviços externos, como os sacrifícios diários e adicionais, eram feitos com as vestes de ouro, com as quais ele serve durante todo o resto do ano; e entre cada troca de vestes é necessária imersão e duas santificações de mãos e pés na pia.