Trouxeram-lhe a colher e o queimador, e ele encheu suas duas mãos em concha e colocou dentro da colher — o grande, segundo sua grandeza, e o pequeno, segundo sua pequenez, e assim era sua medida. — Da Câmara dos Utensílios trouxeram-lhe a colher (kaf) que continha o incenso, e o queimador (machtá) com as brasas retiradas do altar externo. Ele não usava um instrumento de medida para o incenso, mas o tomava com as duas mãos unidas em concha, e o depositava dentro da colher — colher esta que não tinha um tamanho fixo, mas era talhada sob medida para as mãos do Cohen Gadol que servia naquele ano, grande para mãos grandes e pequena para mãos pequenas.
Ele tomava o queimador em sua mão direita e a colher em sua mão esquerda. — O queimador, mais pesado e mais quente, na direita, mais forte; a colher, mais leve, na esquerda.
Caminhava pelo Santuário até chegar entre as duas cortinas que separam o Santo do Santo dos Santos, e entre elas havia um côvado. — No Segundo Templo, por dúvida sobre a espessura exata da parede de um côvado que separava as duas partes no Primeiro Templo, penduraram-se duas cortinas com um espaço de um côvado entre elas, para abranger, de um lado ou de outro, o lugar exato daquela parede.
Rabi Yossei diz: não havia ali senão uma única cortina, pois está dito: "E a cortina separará para vós entre o Santo e o Santo dos Santos." — Rabi Yossei entende que a dúvida sobre a espessura da parede já fora resolvida em seu tempo, e que uma só cortina bastava, como o versículo de Shemot 26 estabelece.
A externa era presa pelo sul, e a interna pelo norte. Caminhava entre elas até chegar ao norte. Ao chegar ao norte, voltava o rosto para o sul, caminhava à sua esquerda junto à cortina até chegar à Arca. — Segundo os que sustentam a existência de duas cortinas, elas eram presas por lados opostos, deixando uma passagem diagonal entre elas; o Cohen Gadol a atravessava até o canto norte, virava-se para o sul, e seguia junto à cortina interna até alcançar o lugar da Arca.
Ao chegar à Arca, colocava o queimador entre as duas varas. — As varas com que a Arca era carregada, que permaneciam ali mesmo depois que a Arca foi escondida.
Amontoava o incenso sobre as brasas, e toda a casa se enchia de fumaça. — Ele empilhava o incenso sobre as brasas do queimador ali dentro, e não fora, e a fumaça se espalhava por todo o Santo dos Santos.
Saía e vinha pelo mesmo caminho por onde havia entrado, e rezava uma oração breve na câmara externa; e não prolongava sua oração, para não amedrontar Israel. — Terminado o incenso, ele retornava pelo mesmo trajeto, e ao sair para a câmara externa recitava uma oração curta — pois o povo, temendo que algo houvesse acontecido a ele lá dentro, aguardava sua saída com apreensão.
É deste versículo que a mishná extrai a ordem exata do serviço: o queimador com brasas primeiro, o incenso depositado dentro dele só ao chegar ao Santo dos Santos, e a nuvem que deve cobrir o propiciatório antes que o Cohen Gadol prossiga. O versículo anterior, Vayikra 16:2, é a base de toda a cautela do capítulo: "não entre a toda hora ao Santo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a Arca, para que não morra, pois na nuvem Eu apareço sobre o propiciatório" — é por essa advertência que o Cohen Gadol entra ao Santo dos Santos apenas nas três ocasiões contadas do dia, e por isso a mishná detalha com tanto cuidado cada passo do trajeto, para que nada saia fora de ordem.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica a origem da dúvida sobre a espessura da parede do Primeiro Templo que motivou as duas cortinas do Segundo, remetendo o leitor ao tratado Midot, onde o tema é desenvolvido por extenso.
No Primeiro Templo havia uma única cortina, e no Segundo Templo havia duas, por causa de uma dúvida que surgiu para eles no momento de sua construção; e ainda esclareceremos isso em seu lugar, no tratado Midot. E a Rabi Yossei essa dúvida foi esclarecida, e ele viu que a cortina tinha tal forma — e é este o sentido de suas palavras, de que não havia ali senão uma única cortina.
Bartenura acompanha cada passo do trajeto do Cohen Gadol e explica o motivo de cada gesto; Rashi, no Bavli, acrescenta por que o incenso era amontoado longe do próprio corpo e por que a oração era mantida breve.
"Trouxeram-lhe" — da Câmara dos Utensílios. "E assim era sua medida" — como sua medida por fora, assim sua medida por dentro: assim como por fora ele tomava com as próprias mãos em concha e não em um utensílio, também por dentro, quando derramava o incenso da colher para dentro de suas mãos, não o derramava em um recipiente feito à medida de suas mãos, mas nas próprias mãos em concha. "Tomava o queimador em sua mão direita" — porque ele é pesado e quente, e a colher do incenso é mais leve do que ele; por isso o queimador na direita e a colher na esquerda. "Caminhava pelo Santuário" — entrava e caminhava por dentro dele, em direção ao ocidente. "Entre as duas cortinas" — porque duvidaram, no Segundo Templo, se a parede que separava o Santo do Santo dos Santos no Primeiro Templo, cuja espessura era de um côvado, deveria ser contada como parte de dentro ou de fora; por isso fizeram duas cortinas, uma externa e uma interna, com o espaço de ar de um côvado entre elas, para abranger entre elas o ar do lugar da parede. "A externa presa pelo sul" — são os Sábios que assim dizem, discordando de Rabi Yossei. "Amontoava o incenso" — embora tenhamos aprendido, a respeito do incenso diário, que era derramado, aqui, em Yom Kipur, era amontoado, e a Guemará explica o motivo.
"Não comeces por diante de ti" — ao amontoar o incenso, não comeces junto de ti e depois avances. "Para que não te queimes" — pois o incenso que já amontoaste ao teu lado continua ardendo, e o teu braço, ao se estender adiante, se queimaria nas colunas de fumaça que sobem. "E melhor lhe seria não ter rezado" — melhor lhe teria sido não ter rezado, a respeito daquela oração em que se demorou além do devido — pois a oração da mishná deve ser breve, e o exemplo de quem a prolonga é lembrado como advertência.