Desde que a Arca foi retirada, havia ali uma pedra dos dias dos primeiros profetas, chamada Shetiyah, três dedos acima do chão, e sobre ela ele depositava. — No Segundo Templo, sem a Arca, restava no Santo dos Santos apenas essa pedra — dita "dos primeiros profetas" porque já existia desde os tempos de David e Shmuel — que se erguia três dedos do piso, e era sobre ela, e não mais entre as varas da Arca, que o Cohen Gadol colocava o queimador com o incenso.
O versículo fala "diante do propiciatório que está sobre a Arca" pressupondo a existência da Arca — situação do Primeiro Templo. No Segundo Templo, após o exílio babilônico, a Arca já não estava presente no Santo dos Santos — a mishná não afirma como ela desapareceu, apenas que, "desde que foi retirada", uma pedra passou a ocupar o lugar exato onde antes repousava. A Guemará dedica-se longamente à pergunta de para onde a Arca foi, e a tradição de que o próprio rei Yoshiyahu, prevendo o exílio, mandou escondê-la sob o Templo antes da destruição.
Bartenura explica a etimologia do nome da pedra, ligando-a à tradição de que dali o mundo foi fundado.
"Chamada Shetiyah" — porque a partir dela o mundo foi fundado (nishtat), pois foi sobre ela que o Santo, bendito seja, alicerçou Seu mundo. Shetiyah significa fundação.
Rashi, no Bavli, apenas remete a explicação do nome da pedra à discussão da própria Guemará, que a desenvolve com a tradição de sua fundação do mundo.
"Mishná: os primeiros profetas" — David e Shmuel, como se explica no tratado Sotá. "Chamada Shetiyah" — a Guemará explica o motivo do nome, ligando-o à tradição segundo a qual foi dali que o Santo, bendito seja, começou a criação do mundo, lançando a partir dessa pedra a fundação de toda a terra.