E construíram-lhe uma rampa, por causa dos babilônios, que arrancavam de seu pêlo e diziam-lhe: "Toma e vai, toma e vai." — Ao sair do pátio, o bode passava por uma multidão que incluía judeus vindos da Babilônia, que costumavam arrancar-lhe o pêlo e apressá-lo a partir, gritando para que levasse logo os pecados do povo embora; para impedir esse contato e esses maus-tratos, foi construída uma rampa elevada, isolada da multidão, por onde o bode e seu condutor saíam da cidade sem serem tocados.
Dentre os notáveis de Jerusalém o acompanhavam até a primeira cabana. — Pessoas de destaque na cidade — não qualquer um — faziam questão de escoltar o condutor e o bode pelo menos até a primeira das cabanas erguidas ao longo do caminho para o deserto.
Dez cabanas havia de Jerusalém até o penhasco — noventa ris, sete e meio para cada milha. — Ao longo de todo o trajeto entre Jerusalém e o penhasco onde o bode seria despenhado, foram erguidas dez cabanas, espaçadas de modo que a distância total somasse noventa ris — uma unidade de medida equivalente a sete ris e meio por cada milha romana, o que situa a distância total em doze milhas.
O versículo não descreve rampa, escolta ou cabanas — todos esses detalhes são costumes práticos desenvolvidos ao longo das gerações para viabilizar e proteger o cumprimento do preceito "e enviará o bode ao deserto". A expressão "terra isolada" (eretz gezerah), que a Guemará relaciona à raiz de "cortar" ou "despenhar", já aponta para o destino final do bode no penhasco, descrito nas mishnayot seguintes; a rampa e a escolta dos notáveis de Jerusalém surgiram como resposta a um problema concreto — o maltrato do bode pela multidão — sem alterar em nada a exigência bíblica de que ele fosse conduzido, vivo, até o deserto.
O Rambam converte as medidas da mishná em termos práticos, situando a distância total e o espaçamento entre as cabanas.
O ris é dois quinze avos de um mil, e no mil há sete ris e meio; e havia de Jerusalém até o lugar chamado "o penhasco" doze milhas, que são noventa ris; e havia entre cada cabana e a outra um mil, que são dois mil côvados — a distância de um limite de Shabat; restava, entre a última cabana e o penhasco, dois milhas.
Bartenura explica a razão da rampa e o propósito das cabanas ao longo do caminho.
"E uma rampa" — fizeram uma espécie de degrau elevado, que saía pela rampa para fora do pátio e para fora da cidade, para que os babilônios não pudessem tocar no condutor, pois costumavam arrancar-lhe o pêlo e dizer-lhe: "toma depressa e sai, e não retenhas nossos pecados junto a nós por mais tempo". "Até a primeira cabana" — construíram cabanas ao longo do caminho, e pessoas iam habitar ali antes de Yom Kipur, para poder acompanhá-lo de cabana em cabana.
"E uma rampa" — fizeram-lhe uma espécie de degrau elevado, que saía por aquela rampa para fora do pátio e para fora da cidade, para que os babilônios não pudessem tocar no enviado, pois costumavam arrancar-lhe o pêlo e dizer-lhe: "toma depressa e sai, e não retenhas nossos pecados junto a nós por mais tempo". "Noventa ris" — havia de Jerusalém até o penhasco; todo monte alto e íngreme se chama "penhasco" (tsuk). "Sete e meio" — ris para cada milha.