Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Vav · Mishná 5 de 8

Comida e água em cada sucá

עַל כָּל סֻכָּה וְסֻכָּה אוֹמְרִים לוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná detalha o que ocorria em cada uma das dez cabanas ao longo do caminho, e explica por que o acompanhamento cessava antes da última etapa, quando o condutor seguia sozinho até o penhasco enquanto os demais observavam de longe.

Em cada cabana diziam-lhe: "Eis aqui comida, e eis aqui água."Junto a cada uma das dez cabanas ao longo do trajeto, ofereciam ao condutor a possibilidade de comer e beber, ainda que ele normalmente não precisasse — o gesto era mais um sinal de cuidado do que uma necessidade real.

E o acompanhavam de cabana em cabana, exceto na última delas, pois não chegavam com ele até o penhasco, mas ficavam de pé a distância e observavam seus atos.O revezamento de acompanhantes se repetia a cada cabana ao longo de todo o percurso, mas, ao chegar à última — que distava dois milhas do penhasco, além do limite permitido para se afastar em Shabat ou em dia santo —, os acompanhantes não podiam prosseguir; permaneciam parados a uma distância segura, de onde ainda conseguiam ver o que o condutor fazia ao chegar ao penhasco.

עַל כָּל סֻכָּה וְסֻכָּה אוֹמְרִים לוֹ, הֲרֵי מָזוֹן וַהֲרֵי מַיִם. וּמְלַוִּין אוֹתוֹ מִסֻּכָּה לְסֻכָּה, חוּץ מֵאַחֲרוֹנָה שֶׁבָּהֶן, שֶׁאֵינוֹ מַגִּיעַ עִמּוֹ לַצּוּק, אֶלָּא עוֹמֵד מֵרָחוֹק וְרוֹאֶה אֶת מַעֲשָׂיו:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 16:22
וְנָשָׂא הַשָּׂעִיר עָלָיו אֶת כָּל עֲוֹנֹתָם אֶל אֶרֶץ גְּזֵרָה, וְשִׁלַּח אֶת הַשָּׂעִיר בַּמִּדְבָּר.
E levará o bode sobre si todas as suas iniquidades, a uma terra isolada; e enviará o bode ao deserto.

A limitação da escolta à distância de um limite de Shabat (techum Shabat) — dois mil côvados a partir de cada cabana — não decorre diretamente do versículo, mas da aplicação das leis gerais dos limites de movimento em dia sagrado, já que Yom Kipur compartilha com o Shabat a proibição de percorrer distâncias além desse limite. É por essa razão prática, e não por qualquer indicação explícita na passagem sobre o bode enviado, que o acompanhamento organizado em dez cabanas — cada uma a um mil de distância da anterior — precisa parar exatamente na penúltima etapa, deixando o condutor prosseguir sozinho pelos últimos dois milhas até o penhasco.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica, a partir do limite de Shabat, por que a última cabana não pode alcançar o condutor até o penhasco.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 6:5
כְּבָר יָדַעְתָּ כִּי בֵּין כָּל סֻכָּה וְסֻכָּה תְּחוּם שַׁבָּת, עַל כֵּן הָיָה אֶפְשָׁר לָהֶם לְלַוֹּתוֹ מִסֻּכָּה לְסֻכָּה הַסְּמוּכָה לָהּ, וְהַסֻּכָּה הָאַחֲרוֹנָה שֶׁבֵּינָהּ וּבֵין הַצּוּק שְׁנֵי מִילִין, וְאִי אֶפְשָׁר לְהַלֵּךְ אֶלָּא מִיל שֶׁהוּא תְּחוּם שַׁבָּת, וּלְפִיכָךְ עוֹמֵד מֵרָחוֹק.

Já sabes que entre cada cabana e a outra há a distância de um limite de Shabat; por isso lhes era possível acompanhá-lo de cabana em cabana vizinha; e a última cabana dista do penhasco dois milhas, e não é possível caminhar além de um mil, que é o limite de Shabat; por isso [o acompanhante] permanece a distância.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica o propósito do gesto de oferecer comida e água, e detalha o cálculo das distâncias entre Jerusalém e o penhasco.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 6:5
הֲרֵי מָזוֹן וַהֲרֵי מַיִם. לֹא הָיוּ אוֹמְרִים לוֹ כָּךְ אֶלָּא כְּדֵי שֶׁיִּיטַב לִבּוֹ, שֶׁמִּי שֶׁיֵּשׁ לוֹ פַּת בְּסַלּוֹ אֵינוֹ רָעֵב כְּמִי שֶׁאֵין לוֹ פַּת בְּסַלּוֹ, אֲבָל מֵעוֹלָם לֹא הֻצְרַךְ אָדָם לְכָךְ: וּמְלַוִּין אוֹתוֹ מִסֻּכָּה לְסֻכָּה. שֶׁמִּירוּשָׁלַיִם וְעַד סֻכָּה רִאשׁוֹנָה מִיל, וְעֶשֶׂר סֻכּוֹת, וּבֵין כָּל סֻכָּה וְסֻכָּה מִיל, הֲרֵי מִירוּשָׁלַיִם עַד סֻכָּה אַחֲרוֹנָה עֲשָׂרָה מִילִין, נִשְׁאַר מִסֻּכָּה אַחֲרוֹנָה לַצּוּק שְׁנֵי מִילִין, מְלַוִּין אוֹתוֹ מִיל כְּמִדַּת תְּחוּם שַׁבָּת, וְעוֹמְדִים מֵרָחוֹק וְרוֹאִין אֶת מַעֲשָׂיו.

"Eis aqui comida, e eis aqui água" — não lhe diziam isso senão para que seu coração se sentisse bem, pois quem tem pão em seu cesto não sente a mesma fome de quem não o tem; mas nunca ninguém precisou realmente disso. "E o acompanhavam de cabana em cabana" — pois de Jerusalém até a primeira cabana havia um mil, e havia dez cabanas, e entre cada cabana e a outra havia um mil; logo, de Jerusalém até a última cabana havia dez milhas; restava, da última cabana até o penhasco, dois milhas; acompanhavam-no por um mil, na medida do limite de Shabat, e permaneciam de pé a distância, observando seus atos.

Rashi · רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Yoma 67a
הֲרֵי מַיִם וַהֲרֵי מָזוֹן. בַּגְּמָרָא מְפָרֵשׁ אֵינוֹ דּוֹמֶה מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ פַּת בְּסַלּוֹ לְמִי שֶׁאֵין לוֹ: שֶׁאֵינוֹ מַגִּיעַ עִמּוֹ לַצּוּק. כְּמוֹ שֶׁפֵּרַשְׁתִּי, לְפִי שֶׁהוּא רָחוֹק שְׁנֵי מִילִין: לֹא צָרִיךְ אָדָם לְכָךְ. לֹא נִצְרַךְ אָדָם הַמְשַׁלֵּחַ לֶאֱכֹל בַּדֶּרֶךְ, אֶלָּא מַה טַּעַם אָמְרוּ לוֹ כֵן, שֶׁאֵינוֹ דּוֹמֶה מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ פַּת בְּסַלּוֹ לִהְיוֹת רָעֵב כְּמִי שֶׁאֵין לוֹ.

"Eis água e eis comida" — na Guemará se explica: não é o mesmo quem tem pão em seu cesto e quem não o tem. "Pois não chegava com ele até o penhasco" — como já expliquei, porque dista dois milhas. "Ninguém precisou realmente disso" — o homem que enviava o bode nunca precisou de fato comer no caminho; mas a razão de lhe dizerem isso é que não é o mesmo, quanto a sentir fome, quem tem pão em seu cesto e quem não o tem.