A oferenda de pecado e a oferenda de culpa certas expiam. — Quando alguém traz as oferendas específicas prescritas para uma transgressão certa e conhecida — a oferenda de pecado, para transgressões inadvertidas puníveis com carrét, e a oferenda de culpa certa, como a de roubo ou de apropriação indevida —, essas oferendas, acompanhadas do arrependimento implícito em trazê-las, completam a expiação.
A morte e Yom Kipur expiam com o arrependimento. — Para transgressões mais graves — cometidas deliberadamente e puníveis com carrét ou com pena capital pelo tribunal — nem a oferenda nem Yom Kipur sozinho bastam; é necessária a combinação entre o arrependimento sincero e, no caso mais grave, a própria morte da pessoa, que completa a expiação que Yom Kipur por si só deixou pendente.
O arrependimento expia as transgressões leves, de preceito positivo e de preceito negativo. — Para transgressões consideradas leves — sejam a omissão de um mandamento positivo, sejam a violação de uma proibição sem punição corporal —, o simples ato sincero de arrependimento já é suficiente para obter a expiação completa, sem necessidade de esperar por Yom Kipur ou por qualquer outro elemento adicional.
E sobre as graves, ele deixa pendente, até que chegue Yom Kipur e expie. — Já para transgressões mais graves, puníveis com açoites, o arrependimento por si só não completa a expiação: ele apenas suspende o castigo, deixando a pessoa numa espécie de estado intermediário, até que chegue Yom Kipur, cujo poder expiatório, combinado com o arrependimento já realizado, finalmente completa o processo.
Os três versículos traçam, juntos, a escala completa de graus de expiação que a mishná sistematiza: Mishlei descreve a confissão e o abandono do pecado como a essência do arrependimento eficaz; Yirmiyahu retrata a experiência interior de vergonha e remorso genuínos que caracterizam esse arrependimento; e Yeshayahu, no contexto de um pecado especialmente grave, declara que a expiação só se completará "até que morrais" — a fonte bíblica direta para o grau mais severo da escala, aquele em que nem Yom Kipur nem o arrependimento sozinhos bastam, sendo necessária também a morte. Essa progressão — do pecado que se apaga com uma simples confissão sincera até aquele que só se resolve com a vida inteira da pessoa — reflete a visão de que a gravidade da transgressão determina o esforço expiatório correspondente.
O Rambam expõe, de forma sistemática, os fundamentos legais do processo de arrependimento e a escala completa dos quatro graus de expiação da mishná.
Guarde estes princípios e apoie-se neles: quando a pessoa é inadvertida em preceito positivo ou negativo, ou deliberada em preceito positivo, e faz arrependimento, é expiada imediatamente. E o arrependimento consiste em confessar seus pecados diante de Deus, arrepender-se genuinamente do que pecou, e aceitar sobre si nunca mais retornar àquele pecado. E quando foi inadvertido em transgressões puníveis com carrét ou com pena capital do tribunal, obrigado a trazer oferenda de pecado, ou pecou de forma que é obrigado a oferenda de culpa certa, e trouxe sua oferenda de culpa e sua oferenda de pecado e fez arrependimento, é expiado ali mesmo, imediatamente. E quando foi deliberado em transgressões de carrét ou de pena capital do tribunal, e fez arrependimento, o arrependimento e Yom Kipur deixam pendente, e os sofrimentos purificam; e quando morre, sua expiação se completa.
Bartenura explica por que a mishná não menciona explicitamente o arrependimento na primeira cláusula, e resume a conclusão da Guemará sobre os quatro graus completos de expiação.
"A oferenda de pecado e a de culpa certa" — expiam com o arrependimento, e o tanna não se preocupou em mencioná-lo, pois presumivelmente quando a pessoa traz sua oferenda de pecado e sua oferenda de culpa já fez arrependimento, pois se não estivesse arrependida não traria a oferenda. E se foi inadvertida em transgressões de carrét e de pena capital do tribunal, a oferenda de pecado expia com o arrependimento. E se foi deliberada nelas, o arrependimento e Yom Kipur deixam pendente, e os sofrimentos purificam.
"Mishná: oferenda de pecado e oferenda de culpa certa" — são a oferenda de culpa por roubo e por apropriação indevida, e há também uma oferenda de culpa que é "pendente", trazida por uma dúvida sobre transgressão punível com carrét. "A oferenda de pecado e a de culpa certa expiam" — e presume-se que há arrependimento, pois se a pessoa não estivesse arrependida não traria oferenda.