A segunda mishná estende o princípio da primeira a uma longa lista de casos: animais desqualificados por sua própria origem, portadores de defeito, aves fora do tempo próprio, o animal e seu filhote abatidos no mesmo dia, e o que ainda lhe falta tempo — todos isentos quando oferecidos fora, por nunca terem sido aptos a entrar no Templo. A mishná fecha com a posição de Rabi Shimon, que distingue entre o que é definitivamente inapto e o que apenas aguarda o momento certo para se tornar apto.
O que copulou com um animal, e o que foi objeto de bestialidade, e o muktsê, e o ne'evad, e o etnan, e o mechir, e o kilayim, e a trefá, e o que nasceu por cesariana — que os ofereceu fora, é isento, pois foi dito diante do Tabernáculo do Senhor; tudo o que não é apto para vir diante do Tabernáculo do Senhor, não há responsabilidade sobre ele. — A mishná retoma a mesma lista de nove categorias de animais desqualificados por sua própria origem — já conhecida de capítulos anteriores do tratado, na questão da mistura — e aplica a elas o princípio da mishná anterior: como nenhum desses animais jamais seria apto a ser trazido diante do Tabernáculo, oferecê-los fora não gera responsabilidade, apoiada agora na expressão "diante do Tabernáculo do Senhor", do mesmo verso.
Os portadores de defeito — sejam portadores de defeitos permanentes, sejam portadores de defeitos passageiros — que os ofereceu fora, é isento. Rabi Shimon diz: os portadores de defeitos permanentes, é isento; e os portadores de defeitos passageiros transgridem um preceito negativo. — Os Sábios tratam igualmente os defeitos permanentes e os passageiros: como ambos desqualificam o animal no momento em que é oferecido fora, há isenção em ambos os casos. Rabi Shimon distingue: um defeito passageiro é temporário e, uma vez curado, o animal volta a ser plenamente apto — por isso, mesmo desqualificado no momento da oferenda fora, ele transgride o preceito negativo, já que aguardava apenas a cura para se tornar apto a entrar.
As rolas cujo tempo ainda não chegou e os pombinhos cujo tempo já passou — que os ofereceu fora, é isento. Rabi Shimon diz: os pombinhos cujo tempo já passou, é isento; e as rolas cujo tempo ainda não chegou, transgridem um preceito negativo. — Rolas só são aptas quando adultas, e pombinhos apenas quando ainda jovens; fora dessas janelas etárias, ambos ficam desqualificados. Rabi Shimon volta a distinguir: o pombinho envelhecido nunca mais voltará a ser apto — sua desqualificação é definitiva —, mas a rola ainda jovem apenas aguarda crescer para se tornar apta, e por isso quem a oferece fora, mesmo agora desqualificada, transgride o preceito negativo.
O animal e seu filhote, e o que ainda lhe falta tempo, é isento. Rabi Shimon diz: eis que este transgride um preceito negativo. — O segundo de dois animais — mãe e cria — abatidos no mesmo dia, e o filhote que ainda não completou os sete dias exigidos após o nascimento, estão ambos momentaneamente desqualificados, mas por uma condição que passará: no dia seguinte, ou ao completar os sete dias, tornam-se aptos. Por isso, embora os Sábios os isentem, Rabi Shimon — coerente com sua posição nos casos anteriores — os inclui entre os que transgridem o preceito negativo.
Pois Rabi Shimon dizia: tudo o que é apto para vir depois de um tempo, eis que transgride um preceito negativo, mas não há nele extirpação. E os Sábios dizem: tudo o que não há nele extirpação, não há nele preceito negativo. — A mishná fecha revelando o princípio geral por trás de toda a disputa de Rabi Shimon: para ele, aptidão futura basta para gerar a transgressão do preceito negativo de oferecer fora, mesmo sem chegar à pena mais grave de extirpação, reservada a quem oferece fora algo plenamente apto no momento. Os Sábios, por sua vez, sustentam um princípio inverso e mais rígido: onde não há extirpação, também não há preceito negativo — as duas penas andam sempre juntas, e por isso, para eles, todos os casos discutidos nesta mishná permanecem isentos até de transgressão.
Rambam esclarece que "o animal e seu filhote" refere-se a quem abateu um dos dois e vem oferecer o segundo no mesmo dia, sendo este último desqualificado até o dia seguinte, pois a Torá proíbe abater o animal e seu filhote no mesmo dia. E "o que ainda lhe falta tempo" é o filhote que ainda não completou sete dias após o nascimento, pois está escrito que fica sete dias com sua mãe e no oitavo dia é entregue. Explica por que a mishná precisou ensinar todos esses três casos separadamente: cada um poderia levar a uma conclusão equivocada sobre a posição de Rabi Shimon caso os demais não fossem mencionados. Sobre a máxima dos Sábios de que tudo o que não tem extirpação não tem preceito negativo, esclarece que não significa que essas duas penas ocorram sempre juntas na prática — como já explicou em outros tratados —, mas que o preceito negativo funciona como advertência prévia à extirpação, sem acarretar açoites por si só; e conclui que a halachá não segue Rabi Shimon em nenhum desses casos.
Bartenura explica que, como os portadores de defeito passageiro e as aves fora de tempo ainda são aptos a vir depois de um tempo, não há neles extirpação, mas apenas um preceito negativo simples, derivado de "não fareis como tudo o que fazemos aqui hoje" (Devarim 12). Sobre as rolas cujo tempo não chegou, esclarece que rolas precisam ser adultas, não jovens; e sobre os pombinhos cujo tempo passou, que precisam ser jovens, não adultos, ficando desqualificados a partir do início do amarelecimento das penas. Sobre "o animal e seu filhote", explica que se refere a quem abateu um dos dois e vem oferecer o segundo no mesmo dia, proibido por "a ele e a seu filhote não abatereis no mesmo dia". E precisa que a mishná precisa mencionar a disputa de Rabi Shimon e dos Sábios em todos os casos, pois cada um isoladamente levaria a uma generalização equivocada. Por fim, conclui que a halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi observa que a expressão "diante do Tabernáculo" ensina que basta ser apto a entrar no Templo, mesmo sem ser apto a ser oferecido no altar, para que a proibição se aplique — e a Guemará já questiona por que essa fonte adicional era necessária, além do verso já usado na mishná anterior. Sobre os casos de Rabi Shimon, explica que a Guemará precisa esclarecer qual é exatamente o preceito negativo transgredido em cada um; e, sobre as rolas e os pombinhos, remete à mishná de Chulin que fixa os limites etários exatos de cada ave — rolas aptas apenas quando adultas, pombinhos apenas quando jovens, desqualificados a partir do início do amarelecimento das penas. Sobre o que ainda lhe falta tempo, precisa que a isenção mencionada vale tanto para o que falta tempo no próprio corpo do animal quanto para o que falta tempo em razão dos donos, cujo momento de trazer suas próprias oferendas ainda não chegou — caso que a próxima mishná desenvolve.