A terceira mishná desenvolve o caso de falta de tempo nos donos, já anunciado ao final da mishná anterior: o zav, a zava, a parturiente e o metzora, que ainda não trouxeram sua oferenda pelo pecado ou de culpa, ficam isentos se a oferecerem fora, mas são responsáveis por suas oferendas queimadas e de paz, já aptas a serem trazidas como oferendas voluntárias. A mishná fecha com uma longa lista de atos preparatórios do serviço do Templo que, por não constituírem o ato final da oferenda, não geram responsabilidade quando realizados fora — nem mesmo quando realizados por quem está desqualificado por outros motivos.
O que ainda lhe falta tempo — seja em seu próprio corpo, seja em seus donos. Qual é aquele a quem ainda falta tempo em seus donos? — A mishná retoma a expressão "falta de tempo" da mishná anterior e explica que ela abrange duas situações distintas: a falta de tempo no próprio corpo do animal, já explicada — o filhote que ainda não completou sete dias —, e a falta de tempo nos donos, cujo caso a mishná passa agora a detalhar.
O zav, e a zava, e a parturiente, e o metzora, que ofereceram sua oferenda pelo pecado e sua oferenda de culpa fora, são isentos. Suas oferendas queimadas e suas oferendas de paz fora, são responsáveis. — Enquanto o zav, a zava, a parturiente e o metzora ainda não trouxeram a oferenda pelo pecado (ou, no caso do metzora, também a de culpa) que os purifica, eles próprios ainda não estão aptos a oferecer sacrifícios voluntários — por isso, a oferenda pelo pecado ou de culpa oferecida fora nesse momento fica isenta, pois nem sequer seria aceita dentro. Mas suas oferendas queimadas e de paz, que são voluntárias e não dependem dessa purificação prévia, já são plenamente aptas a ser trazidas dentro — e por isso, se oferecidas fora, geram responsabilidade plena.
Aquele que oferece para cima da carne da oferenda pelo pecado, da carne da oferenda de culpa, da carne das oferendas de santidade suprema, da carne das oferendas de santidade leve, e o excedente do ômer, e os dois pães, e o pão da face, e os restos das oferendas de cereais; o que derrama, o que mistura, o que parte em pedaços, o que sala, o que agita, o que aproxima, o que arruma a mesa, e o que ajeita as lâmpadas, e o que toma o punhado, e o que recebe os sangues fora, é isento. — A mishná reúne dois grupos de casos isentos por razões distintas, ainda que semelhantes. O primeiro grupo — carnes destinadas ao consumo dos sacerdotes, e não ao altar — nunca é apto a ser oferecido para cima, por isso quem as queima fora não transgride a proibição de oferecer sacrifícios fora, restrita ao que é próprio do altar. O segundo grupo — os atos preparatórios da oferenda de cereais e do serviço diário, como derramar o óleo, misturar, partir, salgar, agitar, aproximar, arrumar o pão da face, ajeitar as lâmpadas, tomar o punhado e receber os sangues — são isentos por serem apenas etapas intermediárias do serviço, e não o ato final que consuma a oferenda; feitos fora, não configuram a transgressão de oferecer sacrifícios fora do átrio, reservada ao ato conclusivo.
Não há responsabilidade por isso nem por ser estranho, nem por impureza, nem por falta de vestes, nem por não ter lavado as mãos e os pés. — A mishná estende a mesma lógica ao caso em que esses mesmos atos preparatórios são feitos por alguém desqualificado por outros motivos — um não-sacerdote, um sacerdote impuro, sem as vestes sacerdotais completas, ou sem ter lavado as mãos e os pés: como nenhum desses atos constitui o serviço final e conclusivo, sua realização por pessoa desqualificada também não acarreta a pena de morte pelas mãos do Céu reservada a quem realiza o serviço completo em condição inválida.
Rambam explica que, tendo estabelecido na halachá anterior que quem oferece fora algo a quem falta tempo não é responsável por extirpação, a mishná agora esclarece que não há diferença entre a falta de tempo no próprio corpo do animal — como explicado, o filhote que ainda não completou sete dias — e a falta de tempo nos donos, isto é, quando o próprio dono ainda não está apto a trazer sua oferenda. Sobre a lista final de atos preparatórios, explica que a isenção de pena de morte vale mesmo quando um estranho, um impuro, alguém sem as vestes completas ou sem lavar mãos e pés realiza um desses atos — pois, embora isso desqualifique a oferenda, já foi estabelecido que apenas o serviço completo e conclusivo, e não os atos preparatórios, gera responsabilidade de morte pelas mãos do Céu para quem os realiza em condição inválida.
Bartenura explica que o zav e a zava se referem a quem ofereceu fora dentro dos dias em que ainda contam sua purificação, e a parturiente a quem ofereceu antes de completar seus dias — todos isentos porque essas oferendas ainda não seriam aceitas dentro do Templo, nem como obrigação nem como oferenda voluntária. Já suas oferendas queimadas e de paz geram responsabilidade, pois são aceitas dentro como oferenda voluntária em nome próprio, independentemente de já terem trazido a oferenda pelo pecado. Sobre as carnes de consumo sacerdotal, esclarece que todas elas são comidas pelos sacerdotes e não são oferecidas ao altar, e a Torá condiciona a proibição de oferecer fora ao que é próprio de subir ao altar como a oferenda queimada. Detalha cada um dos atos preparatórios da oferenda de cereais e do serviço diário, e explica que todos ficam isentos porque a Torá fala do "fim do serviço", e não de suas etapas preparatórias — por isso, também não há responsabilidade de morte quando um estranho realiza qualquer um desses atos, ainda que isso desqualifique a oferenda em si.
Rashi observa que a versão correta da mishná não inclui o metzora nesta cláusula específica, e esclarece que "a parturiente" se refere a quem oferece antes de completar seus dias de purificação. Sobre "e sua oferenda de culpa", nota que a Guemará já questiona onde exatamente se encontra uma oferenda de culpa entre os casos mencionados — indicando que a lista pressupõe também o nazireu e o metzora, que trazem oferenda de culpa e de paz respectivamente. Detalha cada termo técnico da lista de atos preparatórios: o que derrama é o óleo sobre a oferenda de cereais; o que parte é a oferenda cozida ao forno, partida em pedaços; o que aproxima é a oferenda de cereais levada ao canto sudoeste do altar; o que ajeita as lâmpadas é quem limpa a Menorá pela manhã. E explica a razão pela qual nenhum desses atos gera responsabilidade de morte para quem os realiza indevidamente: tratando-se de serviços intermediários, com outro serviço ainda por vir depois deles, e não do ato final e conclusivo — o mesmo princípio vale para a proibição de zar, de impureza sacerdotal e de vestes incompletas, todas derivadas por analogia verbal da mesma fonte.