Todas as oferendas cujo sangue foi recebido por um leigo; por um endoluto; por um imerso naquele dia; por um carente de vestes; por um carente de expiação; por quem não lavou as mãos e os pés; por um incircunciso; por um impuro; por quem estava sentado; ou em pé sobre vasos, sobre um animal, sobre os pés de seu companheiro — invalidou. Se o recebeu com a esquerda, invalidou; Rabi Shimon o valida. — Ao contrário da intenção incorreta, que só invalida o pêssach e a chatat, esta lista de desqualificantes é universal: qualquer uma dessas onze condições, presente no momento do recebimento do sangue no vaso, invalida qualquer oferenda. A lista mistura impedimentos de aptidão sacerdotal (o leigo, que não é cohen; o endoluto, no dia da morte de um parente próximo; o carente de vestes, faltando as roupas sacerdotais mínimas; o incircunciso; o impuro) com impedimentos de pureza temporária (o imerso naquele dia, que já se banhou mas ainda aguarda o anoitecer; o carente de expiação, que completou sua purificação mas ainda não trouxe o sacrifício que a sela; quem não lavou as mãos e os pés na Bacia) e impedimentos de postura física (estar sentado, ou em pé sobre algo que o separe do piso do Templo — vasos, um animal, ou os pés de outra pessoa). Por fim, a mishná isola um caso à parte: receber o sangue com a mão esquerda também invalida — não por falta de aptidão da pessoa, mas por a ação em si exigir a mão direita — posição da qual Rabi Shimon discorda, validando o recebimento feito com a esquerda.
Se o sangue se derramou sobre o pavimento e ele o recolheu, é inválido. Se o colocou sobre a rampa; ou não em frente à base; se deu o que deve ser colocado embaixo, em cima, e o que deve ser colocado em cima, embaixo; o que deve ser colocado dentro, fora, e o que deve ser colocado fora, dentro — é inválido, e não há nele karet. — A segunda metade da mishná desce ao próprio destino do sangue depois de recebido corretamente. Se ele caiu no chão antes de ser recolhido no vaso — mesmo que depois recolhido dali para dentro de um vaso — a oferenda se invalida, pois a Torá exige que o sangue seja recebido diretamente do animal, não do pavimento. Em seguida, uma série de erros de local: colocar o sangue sobre a rampa de acesso ao altar (que não é parte do altar propriamente); colocá-lo numa parte da parede do altar que não tem base de pedra por baixo; inverter o sangue que deve ir abaixo do fio vermelho que corta o altar ao meio (como o de uma oferenda de subida) com o que deve ir acima dele (como o de uma oferenda de pecado); ou inverter o sangue que deve ser aspergido dentro do Santuário com o que deve ser aspergido fora, no altar externo. Em todos esses casos a oferenda se invalida — mas, como não houve intenção incorreta de tempo ou lugar, apenas um erro de execução, não há a pena grave de karet para quem viesse a comer dessa carne.
A exigência de pureza para quem serve no Templo, e a exigência paralela de aptidão física do sacerdote.
Do versículo sobre a impureza a Guemará deriva que o leigo que serve profana as coisas sagradas — pois "que se afastem" (וְיִנָּזְרוּ) é lido não apenas como advertência aos sacerdotes impuros, mas como sinal de que também o leigo que serve invalida a oferenda por seu simples toque indevido. Já o versículo de Yechezkel sobre o incircunciso é lido por analogia (hekesh) ao estrangeiro (ben nechar) mencionado ao seu lado: assim como o estrangeiro que serve invalida, também o incircunciso invalida. Os demais desqualificantes da lista — endoluto, carente de vestes, carente de expiação, mãos e pés não lavados, postura sentada ou sobre objetos — cada um tem sua própria derivação bíblica específica, discutida em detalhe na Guemará desta mishná e já mencionada, quanto às vestes sacerdotais e à lavagem das mãos e pés, em outros lugares da Torá que empregam a expressão "estatuto perpétuo" (חֻקַּת עוֹלָם).
Rambam percorre cada um dos desqualificantes: o leigo é quem não é sacerdote; o endoluto é aquele cujo parente morreu e ainda não foi sepultado, sendo-lhe proibido comer das coisas sagradas enquanto durar seu luto; o imerso naquele dia ainda não completou sua purificação, que só se conclui ao anoitecer; o carente de vestes é o sacerdote comum que serve com menos de quatro vestes (ou o sumo sacerdote com menos de oito) — e, explica Rambam, assim como faltar vestes desqualifica, também um excesso de vestes desqualifica. Sobre o sangue derramado no pavimento, esclarece que a invalidação ocorre porque a Torá exige que o sangue seja recebido diretamente do pescoço do animal — não do chão. E explica que, nesses casos de erro na colocação do sangue, "inválido" refere-se à carne, que não pode mais ser comida; mas os donos já estão perdoados, pois, assim que o sangue chega ao altar (mesmo que de forma incorreta), a expiação já se realizou — e é por isso que não há pena de karet para esses casos, mesmo que a carne se torne proibida. Rambam encerra observando que a lei não segue Rabi Shimon quanto ao recebimento com a mão esquerda.
Bartenura fundamenta cada desqualificante em seu versículo: o leigo, do versículo "que se afastem das coisas sagradas... e não profanem"; o recebimento com a esquerda, do versículo sobre o sacerdote que toma o sangue "com seu dedo" — expressão que, em todo lugar na Torá, indica a mão direita, derivada por analogia da purificação do leproso, onde o dedo direito é mencionado explicitamente. Sobre a disputa entre Rabi Shimon e os sábios quanto ao recebimento com a esquerda, explica que se trata de uma diferença na leitura do versículo — se ele se aplica também ao ato de "tomar" o sangue (posição dos sábios) ou apenas ao ato de "colocá-lo" no altar (posição de Rabi Shimon) — e que a lei segue os sábios: ambos os atos exigem a mão direita. Quanto aos erros de colocação sobre a rampa ou fora da base, confirma que os donos já estão expiados, mas a carne se torna proibida para consumo, pois a Torá dá o sangue "para expiar" — não para comer.
Rashi passa por cada termo da mishná: o endoluto permanece nesse estatuto enquanto seu parente não for sepultado; o imerso naquele dia é quem se purificou de um réptil, de um cadáver ou de outras impurezas que exigem esse tipo de sacrifício; o carente de expiação é o zav ou o metzora que já se imergiram e aguardaram o anoitecer, mas ainda não trouxeram o sacrifício que completa sua purificação; o incircunciso é o sacerdote cujos irmãos morreram por causa da circuncisão (e por isso ele próprio permanece incircunciso, por razão médica); e estar sentado ou em pé sobre objetos invalida porque cria uma separação entre os pés do sacerdote e o piso do Templo — todos esses casos, explica Rashi, a Guemará deriva como desqualificantes do serviço a partir de fontes bíblicas específicas. Sobre a fonte do leigo, Rashi explica que o versículo "que se afastem das coisas sagradas dos filhos de Israel" é lido em duas partes: os próprios sacerdotes impuros devem se afastar, e também os leigos devem se afastar — "para que não as profanem" — ensinando que o leigo que serve profana e invalida as coisas sagradas. E, por analogia com o portador de defeito físico, que profana o serviço quando serve (pois está excluído por "não profanará Meus santuários"), o mesmo se aplica, a fortiori, aos demais desqualificantes desta mishná.