Se o apto recebeu e deu ao desqualificado, que devolva ao apto. Se recebeu com a direita e deu à esquerda, que devolva à direita. Se recebeu em vaso sagrado e deu em vaso profano, que devolva a vaso sagrado. — Estes três casos descrevem o mesmo tipo de situação: o sacerdote apto realizou corretamente o recebimento do sangue, mas, num segundo momento, o transferiu para uma condição imprópria — a mão de um desqualificado, sua própria mão esquerda, ou um vaso comum. Como o recebimento original foi válido, a oferenda não está perdida: basta que o sangue seja devolvido à condição correta — à mão do apto, à mão direita, ao vaso sagrado — para que o serviço prossiga normalmente.
Se derramou do vaso sobre o piso e o recolheu, é válido. — Mesmo quando o sangue chega a tocar o chão do átrio — perdendo, por um instante, o contato com qualquer vaso —, ele não se torna, por isso, imprestável: pode ser recolhido do próprio piso e a oferenda permanece plenamente válida.
Se o colocou sobre a rampa, não em frente à base; se colocou os destinados a baixo, em cima, e os destinados a cima, embaixo; os destinados a dentro, fora, e os destinados a fora, dentro — se há sangue da alma, que o apto volte e receba. — Este último caso é mais grave: aqui não se trata de um erro no manuseio do sangue antes da aspersão, mas de uma aspersão já realizada — por um desqualificado — no ponto errado do altar: na rampa de acesso em vez de sobre o próprio altar, num lado que não está em frente à base, acima da linha vermelha quando deveria ser abaixo (ou o inverso), ou dentro do Santuário quando deveria ser fora (ou o inverso). Como quem realizou essa aspersão era um desqualificado, ela não tem validade alguma — nem para o bem, nem para invalidar a oferenda. A solução, então, é a mesma do início do capítulo: se ainda houver sangue da alma no animal, um sacerdote apto simplesmente volta e recebe o sangue de novo, como se nada tivesse ocorrido.
Rambam esclarece a lógica por trás de toda a mishná: uma vez que o recebimento inicial do sangue foi realizado corretamente por um sacerdote apto, nenhum manuseio incorreto posterior — passar o sangue a um desqualificado, trocá-lo de mão, mudar seu vaso — tem o poder de invalidar a oferenda, pois todos esses atos intermediários são apenas passagem, não a avodá que "conta" halachicamente. E, quanto à aspersão feita por um desqualificado no local errado do altar, aplica-se o mesmo princípio central que já apareceu na mishná anterior: como esse desqualificado não é apto para a avodá da aspersão, seu ato sequer produz um resultado halachico — nem para invalidar, nem para cumprir a mitzvá — restando apenas a necessidade prática de que um sacerdote apto refaça o recebimento, caso ainda haja sangue da alma disponível.
Bartenura afirma que dar o sangue a um desqualificado não invalida a oferenda — basta devolvê-lo ao sacerdote apto. E explica por que a mishná precisou repetir a mesma lição ("basta corrigir") em quatro variações aparentemente redundantes: cada caso poderia, isoladamente, levar a uma conclusão errada se não fosse dito explicitamente. Por exemplo, se só o caso do desqualificado fosse ensinado, poder-se-ia pensar que a possibilidade de correção existe apenas porque impuros são aptos para o serviço público em certas condições — mas a mão esquerda, que nunca serve para nenhuma avodá, poderia não ter essa mesma correção; e, inversamente, se só o caso da mão esquerda fosse ensinado, poder-se-ia pensar que ela tem correção por haver um precedente de uso da esquerda no serviço de Iom Kipur — mas o vaso profano, que nunca tem qualquer santidade, poderia não ter correção. Por isso a mishná precisou mencionar cada caso separadamente.
Rashi confirma que dar o sangue a um desqualificado não invalida a oferenda, e observa que a discussão sobre se "andar sem correr" já conta como o ato de "levar" o sangue — mencionada no Perek Alef — se aplica de formas diferentes conforme a opinião de cada amora, sem afetar a conclusão desta mishná. Sobre a aspersão feita por um desqualificado no lugar errado, Rashi explica a razão prática de a mishná precisar ensiná-la: há uma dúvida se um ato desqualificado (como a aspersão de um pasul) "consome" o sangue restante — tornando-o resíduo (shiyarim) mesmo sem cumprir a mitzvá corretamente. Se entendemos que uma aspersão "fora do seu lugar" não é equivalente a uma aspersão "no seu lugar", ela não consome nada, e por isso é necessário ensinar que um sacerdote apto pode voltar e receber de novo; mas, se entendêssemos que aspergir fora do lugar é como aspergir no lugar certo — e portanto contaria como uma aspersão completa, ainda que feita por um desqualificado —, a mishná vem ensinar que, mesmo assim, um ato de pessoa desqualificada nunca "consome" o sangue como resíduo, permitindo sempre a correção.