Todos os desqualificados para o serviço que abateram — seu abate é válido. Pois o abate é válido em não-sacerdotes, em mulheres, em escravos e em impuros, mesmo em ofertas de santidade máxima, contanto que os impuros não estejam tocando na carne. — A Torá determina que o sangue seja recebido e oferecido pelos filhos de Aarão, mas não impõe essa mesma exigência ao abate: "e degolará o novilho... e os filhos de Aarão, os sacerdotes, oferecerão o sangue" (Vayikrá 1:5) — a obrigação sacerdotal começa apenas a partir do recebimento do sangue em diante. Por isso, o próprio abate, sendo uma etapa preparatória e não uma avodá reservada ao sacerdócio, pode ser realizado desde o início por qualquer pessoa apta a agir com intenção — homem ou mulher, sacerdote ou leigo, livre ou escravo — e até por um impuro, mesmo em oferendas de santidade máxima, desde que ele não toque com as mãos na carne já abatida, o que a tornaria impura.
Portanto, eles invalidam por intenção. — Precisamente porque essas pessoas são aptas para o próprio ato do abate, sua intenção durante essa avodá tem o mesmo peso que a de um sacerdote apto: se, ao abater, tiverem em mente comer a carne ou queimar as partes fora de seu tempo ou de seu lugar devidos, a oferenda se torna pigul ou inválida, exatamente como se fosse um sacerdote íntegro abatendo. O princípio geral, que ficará ainda mais claro nas mishnayot seguintes, é que a intenção só tem poder de invalidar quando expressa por quem é apto para aquela avodá específica.
E todos eles, que receberam o sangue fora de seu tempo e fora de seu lugar — se há sangue da alma, que o apto volte e receba. — Aqui a mishná muda de avodá: o recebimento do sangue (kabalat hadam), diferente do abate, é reservado aos sacerdotes — a Torá o exige explicitamente dos "filhos de Aarão". Por isso, quando um desqualificado — leigo, mulher, escravo ou impuro — realiza esse recebimento com intenção proibida, essa intenção não tem poder algum de invalidar a oferenda, pois ele não era apto para aquela avodá em primeiro lugar; sua ação sequer conta como um recebimento válido. A solução é simples: se ainda restar no animal sangue da alma — o sangue essencial cuja saída causa a morte —, um sacerdote apto simplesmente volta e o recebe corretamente, como se o recebimento anterior nunca tivesse ocorrido.
Rambam funda a distinção da mishná diretamente no versículo: "e degolará o novilho... e os filhos de Aarão, os sacerdotes, oferecerão o sangue" — a exigência de "filhos de Aarão" recai apenas sobre o recebimento do sangue em diante, nunca sobre o abate. Por isso é permitido, mesmo a princípio (lechatchilá) e não apenas de fato consumado, que um leigo, uma mulher ou um escravo abatam oferendas sagradas; já o impuro, embora seu abate também seja válido, não deve fazê-lo a princípio, por receio de que toque na carne. Rambam então explica a lógica da segunda metade da mishná: já foi ensinado, no Perek Bet, que qualquer oferenda cujo sangue foi recebido por um endoluto ou um leigo é invalidada — mas isso vale para quem seria apto à avodá se não fosse por aquele impedimento específico. Os desqualificados aqui mencionados, porém, jamais são aptos ao recebimento do sangue; por isso, mesmo que tenham invalidado por intenção durante esse ato, a oferenda não se torna inválida — pois a intenção só desqualifica quando expressa por quem é apto para aquela avodá.
Bartenura confirma que a permissão vale desde o início, não apenas em retrospecto: leigos e demais desqualificados podem abater oferendas sagradas mesmo a princípio; apenas o impuro deve evitá-lo a priori, por receio de tocar na carne. Explica a segunda cláusula com clareza: como esses desqualificados são aptos justamente para esta avodá — o abate —, sua intenção durante ela é uma intenção válida, capaz de invalidar. E, sobre o recebimento do sangue, fecha com o princípio geral, apoiado no versículo de Vayikrá 7 ("aquele que a oferece, não lhe será imputado") — a Escritura fala de quem é apto para a oferenda: a intenção só invalida quando expressa por quem é apto para aquela avodá, com o objeto adequado, e no lugar adequado para realizá-la.
Rashi remete a validade do abate por desqualificados à derivação que a Guemará faz do versículo. Sobre o impuro, precisa duas situações em que ele consegue abater sem transmitir impureza ao instrumento: se sua impureza vem de um réptil (sheretz), que não é uma "fonte primária de impureza" e por isso não contamina o utensílio; ou, no caso de impureza por contato com um morto, se ele abate com uma lasca de caniço em vez de faca de metal — pois o metal se tornaria impuro e transmitiria a impureza à carne —, valendo-se ainda de uma faca comprida que lhe permita ficar fora do átrio enquanto abate o animal que está dentro. E confirma o motivo da segunda cláusula: precisamente porque são aptos para esta avodá específica, a intenção desses desqualificados durante o abate é uma intenção plena, capaz de invalidar a oferenda.