A oferenda de subida — seu sangue habilita sua carne para o altar e seu couro para os sacerdotes. — Na oferenda de subida, que é queimada por inteiro (exceto o couro), o sangue aspergido sobre o altar externo habilita duas coisas distintas: a carne, para ser oferecida e queimada no altar, e o couro, para ser entregue aos sacerdotes que a oferecem — este último derivado do versículo que só concede o couro depois de mencionar a aspersão.
A oferenda de subida de ave — seu sangue habilita sua carne para o altar. — Nas aves, cujo procedimento é distinto (o sangue é espremido contra a parede do altar, não aspergido com uma vasilha), o mesmo princípio se aplica apenas à carne, que é oferecida por inteiro; não há couro a considerar numa ave.
A oferenda de pecado de ave — seu sangue habilita sua carne para os sacerdotes. — Diferentemente da oferenda de subida de ave, a oferenda de pecado de ave tem sua carne destinada ao consumo dos sacerdotes, não ao altar; e é o sangue, aspergido corretamente, que habilita essa carne para ser comida — derivado do versículo que inclui expressamente a oferenda de pecado de ave entre as que se comem.
Os touros queimados e os bodes queimados — seu sangue habilita suas partes [destinadas ao altar] a serem oferecidas. — Estas oferendas comunitárias solenes (como o touro do sumo sacerdote, o touro pela transgressão inadvertida da congregação, e os touro e bode do Dia do Perdão) têm seu sangue aspergido dentro do Santuário e depois sobre o altar do incenso, enquanto o restante do corpo é queimado fora do acampamento; apenas as partes designadas ao altar externo — como nas demais oferendas de pecado — são habilitadas pelo sangue a serem ali oferecidas.
Rabi Shimon diz: tudo que não está sobre o altar externo como as oferendas de paz, não se é responsabilizado por ele por pigul. — Rabi Shimon propõe uma restrição adicional e mais radical: como o próprio conceito de pigul se deriva textualmente das oferendas de paz — cujo sangue é todo aspergido sobre o altar externo —, apenas oferendas cujo sangue segue exatamente esse padrão estariam sujeitas a pigul. Isso excluiria justamente os touros e bodes queimados mencionados acima, cujo sangue é aspergido dentro do Santuário, não sobre o altar externo; a lei, porém, não segue Rabi Shimon nesse ponto.
Rambam identifica precisamente quais oferendas comunitárias entram na categoria de "touros e bodes queimados": os touros de expiação coletiva do sumo sacerdote e da congregação, o touro e o bode do Dia do Perdão, e os bodes trazidos pela idolatria inadvertida. Todos compartilham a mesma estrutura — sangue aspergido dentro do Santuário, partes queimadas sobre o altar externo, e o restante do corpo queimado fora do acampamento —, e é precisamente por causa dessa estrutura que suas partes destinadas ao altar contam como "algo com habilitador" e podem se tornar pigul; a lei não segue Rabi Shimon, que as excluiria.
Bartenura ancora cada detalhe num versículo: a ordem da Torá — primeiro "aspergerão o sangue", depois "arranjarão [a carne]" — mostra que a aspersão precede e habilita a oferenda da carne; e o couro só é atribuído aos sacerdotes depois de mencionada a aspersão do sangue, mostrando que ele também depende dela. Quanto a Rabi Shimon, explica sua lógica: como o próprio termo "pigul" está escrito a respeito das oferendas de paz — cujo sangue vai todo para o altar externo —, apenas oferendas com esse mesmo padrão de aspersão estariam sujeitas ao pigul, excluindo os touros e bodes queimados, cujo sangue é aspergido dentro do Santuário.
Rashi confirma que a mesma sequência bíblica — aspersão primeiro, arranjo da carne depois — funda tanto a habilitação da carne quanto a do couro para a oferenda de subida, e observa que a Guemará desenvolve, a partir daí, de onde se aprende que a carne da oferenda de pecado de ave é destinada aos sacerdotes. Sobre os touros e bodes queimados, esclarece o mecanismo prático: se o sacerdote pensou em pigul a respeito das partes destinadas ao altar no momento da aspersão do sangue, os touros e bodes se tornam pigul — e nota que é precisamente sobre esse ponto que Rabi Shimon discorda, restringindo o pigul apenas às oferendas cujo sangue, como o das oferendas de paz, é dado sobre o altar externo, pois é a respeito delas que a Torá escreve o próprio termo "pigul".