Qual é o lugar delas, das oferendas? As oferendas de santidade suprema — seu abate é no norte. — A mishná abre com uma pergunta programática que governará todo o capítulo, e responde de imediato com o princípio geral: toda oferenda classificada como kodshei kodashim (santidade suprema) — a oferenda de subida, a de pecado e a de culpa — deve ser abatida no lado norte do pátio do Templo, área delimitada entre a parede norte do altar externo e a parede norte do pátio.
O touro e o bode de Yom Kipur — seu abate é no norte, e a recepção de seu sangue em vaso de serviço é no norte, e seu sangue requer aspersão entre as varas da Arca, e sobre o Véu, e sobre o altar de ouro. — Como oferendas de pecado da mais alta ordem, o touro do Sumo Sacerdote e o bode do povo trazidos em Yom Kipur exigem, além do abate e da recepção do sangue no norte, três séries de aspersões dentro do próprio Santuário: entre as varas da Arca no Santo dos Santos, sobre o Véu que separa o Santo dos Santos do Santuário, e sobre os chifres do altar de ouro do incenso.
Uma aplicação delas é indispensável. — Ainda que sejam múltiplas aspersões, basta que uma delas falhe para que toda a oferenda seja invalidada — nenhuma é meramente decorativa ou opcional.
O restante do sangue, ele derramava sobre a base ocidental do altar externo. Se não o derramou, não é indispensável. — Depois de completadas todas as aspersões exigidas, o sangue que sobrava era despejado na base do altar externo, do lado voltado para o Santuário (o lado ocidental). Mas, ao contrário das aspersões principais, este derramamento final é apenas um resquício do preceito — sua omissão não invalida a expiação, que já se completou com as aspersões anteriores.
Rambam explica que “kodshei kodashim” designa a oferenda de subida, a de pecado e a de culpa, e mostra como cada uma delas foi vinculada à mesma exigência de norte por um versículo próprio — a oferenda de subida (Vayikrá 1:11), a de pecado (Vayikrá 6:18) e a de culpa (Vayikrá 7:2) — e que os sábios extraíram desses três versículos um princípio geral (binyan av) válido para toda oferenda de pecado. Sobre o “resto do sangue”, Rambam observa que ele segue a regra derivada do touro do sacerdote ungido, cujo sangue remanescente também é derramado “à base do altar da oferenda de subida que está à porta da Tenda do Encontro” — e esse lado, junto à porta do Santuário, é o lado ocidental, pois o Santuário ficava a oeste do altar. Por ser um resquício do preceito e não seu núcleo, sua omissão não invalida — o essencial são as aspersões.
Bartenura precisa que “kodshei kodashim” são as oferendas de subida, de pecado e de culpa, e cita o versículo próprio de cada uma para a exigência do norte. Sobre a aspersão “entre as varas”, explica que o sacerdote ficava de pé entre as duas varas da Arca e aspergia uma vez para cima e sete vezes para baixo, na altura da espessura da tampa (kaporet), sem tocá-la. Quanto a “uma aplicação é indispensável”, deriva isso de um versículo aparentemente redundante sobre o touro do pecado oculto da comunidade, que ensina que a falta de qualquer uma das aspersões impede a expiação. E sobre o resto do sangue não ser indispensável, explica que, após as aspersões internas, a Torá já declara concluída a expiação — sinal de que todas as expiações essenciais já se cumpriram antes desse derramamento final.
Rashi remete o leitor de volta ao Perek Bet Shammai (Zevachim 39a), onde a mesma derivação — da expressão aparentemente dupla “ve'assah”/“ka'asher assah” a respeito do touro do pecado oculto — já havia sido explicada como fonte para a regra de que a falta de qualquer uma das aspersões interrompe a expiação inteira.