A oferenda de pecado da ave era realizada no chifre sudoeste. Em qualquer lugar era válida, mas este era o seu lugar designado. — A aspergão do sangue da oferenda de pecado da ave (chatat ha-of) tinha seu lugar próprio no chifre sudoeste do altar externo. A mishná esclarece que, se realizada em outro ponto, a oferenda ainda seria válida — mas aquele era o lugar correto, prescrito de início.
E três coisas aquele chifre servia por baixo, e três por cima. — O mesmo chifre sudoeste era compartilhado por seis serviços diferentes do Templo, divididos conforme a linha vermelha (chut ha-sikrá) que demarcava a metade inferior e a metade superior do altar em toda a sua altura.
Por baixo: a oferenda de pecado da ave, e as aproximações, e o resto do sangue. — Na metade inferior daquele chifre eram realizados: a aspergão do sangue da oferenda de pecado da ave; a aproximação das oferendas vegetais ao altar antes da retirada do punhado; e o derramamento do sangue restante das oferendas de pecado comuns, após as aplicações nos chifres.
Por cima: a libação de água e de vinho, e a oferenda de subida da ave quando ela era abundante no oriente. — Na metade superior do mesmo chifre eram realizadas: a libação de água de Sucot; a libação de vinho diária; e, em dias de grande movimento, também a oferenda de subida da ave, cujo lugar principal era o chifre sudeste (6:5), mas que se deslocava para o sudoeste quando os sacerdotes ali estavam sobrecarregados.
Rambam explica por que a aproximação da oferenda vegetal se faz no mesmo chifre sudoeste: o versículo exige que ela seja trazida “perante o Eterno, defronte ao altar”, e o único lugar que reúne ambas as direções — para o Eterno (oeste) e defronte ao altar (sul, onde fica a rampa) — é o chifre sudoeste. Explica também que a oferenda de pecado é chamada “minchá” e a oferenda vegetal do pobre é chamada “chatat” na Escritura, ligando as duas categorias ao mesmo lugar. E esclarece que a libação de água é exclusiva de Sucot, enquanto a de vinho acompanha as oferendas todos os dias.
Bartenura traça a mesma analogia verbal entre a oferenda vegetal do pobre e a oferenda de pecado, concluindo que, assim como a minchá exige aproximação no sudoeste, também a oferenda de pecado da ave tem ali sua sede. Explica ainda que a oferenda de subida da ave pertence propriamente ao sudeste — por ficar próximo ao local das cinzas, para onde se lançam o papo e a plumagem — mas que, quando há muitos sacerdotes ocupados naquele canto, o serviço se desloca para o sudoeste, também próximo àquele mesmo local.
Rashi introduz a Guemará anotando que ela vai buscar a fonte bíblica de cada detalhe da mishná e questionar seu sentido exato. Confirma que “por baixo” significa abaixo da linha vermelha; que as “aproximações” são das oferendas vegetais antes da retirada do punhado, conforme o versículo “e a trará”; e que as libações de água e vinho se faziam ali porque era onde ficavam os poços (shitin) que as recebiam, sem alternativa possível de lugar.
A Guemará, segundo Rashi, pergunta de onde se deriva o lugar da oferenda de pecado da ave e responde com a mesma analogia: a oferenda vegetal do pobre, trazida no lugar da oferenda de pecado de ave para quem não tem recursos, é chamada pela Torá de “chatat”. Assim como aquela minchá exige aproximação no sudoeste, também o serviço essencial da oferenda de pecado da ave — a aspergão do sangue — se faz naquele mesmo canto.