Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Vav · Mishná 2 de 7

O chifre sudoeste: oferenda de pecado da ave e mais cinco serviços

חַטַּאת הָעוֹף הָיְתָה נַעֲשֵׂית עַל קֶרֶן דְּרוֹמִית מַעֲרָבִית
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná identifica o chifre sudoeste do altar como o lugar designado de seis serviços distintos, três realizados na sua metade inferior e três na sua metade superior — entre eles a aspergão do sangue da oferenda de pecado da ave, cujo procedimento completo será detalhado adiante, em 6:4.

A oferenda de pecado da ave era realizada no chifre sudoeste. Em qualquer lugar era válida, mas este era o seu lugar designado.A aspergão do sangue da oferenda de pecado da ave (chatat ha-of) tinha seu lugar próprio no chifre sudoeste do altar externo. A mishná esclarece que, se realizada em outro ponto, a oferenda ainda seria válida — mas aquele era o lugar correto, prescrito de início.

E três coisas aquele chifre servia por baixo, e três por cima.O mesmo chifre sudoeste era compartilhado por seis serviços diferentes do Templo, divididos conforme a linha vermelha (chut ha-sikrá) que demarcava a metade inferior e a metade superior do altar em toda a sua altura.

Por baixo: a oferenda de pecado da ave, e as aproximações, e o resto do sangue.Na metade inferior daquele chifre eram realizados: a aspergão do sangue da oferenda de pecado da ave; a aproximação das oferendas vegetais ao altar antes da retirada do punhado; e o derramamento do sangue restante das oferendas de pecado comuns, após as aplicações nos chifres.

Por cima: a libação de água e de vinho, e a oferenda de subida da ave quando ela era abundante no oriente.Na metade superior do mesmo chifre eram realizadas: a libação de água de Sucot; a libação de vinho diária; e, em dias de grande movimento, também a oferenda de subida da ave, cujo lugar principal era o chifre sudeste (6:5), mas que se deslocava para o sudoeste quando os sacerdotes ali estavam sobrecarregados.

חַטַּאת הָעוֹף הָיְתָה נַעֲשֵׂית עַל קֶרֶן דְּרוֹמִית מַעֲרָבִית. בְּכָל מָקוֹם הָיְתָה כְשֵׁרָה, אֶלָּא זֶה הָיָה מְקוֹמָהּ. וּשְׁלשָׁה דְבָרִים הָיְתָה אוֹתָהּ הַקֶּרֶן מְשַׁמֶּשֶׁת מִלְּמַטָּן, וּשְׁלשָׁה מִלְמַעְלָן. מִלְּמַטָּן, חַטַּאת הָעוֹף וְהַהַגָּשׁוֹת וּשְׁיָרֵי הַדָּם. מִלְמַעְלָן, נִסּוּךְ הַמַּיִם וְהַיַּיִן וְעוֹלַת הָעוֹף כְּשֶׁהִיא רַבָּה בַמִּזְרָח:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 6:2
הַהַגָּשׁוֹת רְצוֹנוֹ לוֹמַר הַגָּשַׁת הַמִּנְחָה, לְפִי שֶׁנֶּאֱמַר בָּהּ הַקְרֵב אֹתָהּ בְּנֵי אַהֲרֹן לִפְנֵי ה’ אֶל פְּנֵי הַמִּזְבֵּחַ, וְאֵין נָכוֹן לִהְיוֹת פְּנֵי הַמִּזְבֵּחַ וּפְנֵי ה’ אֶלָּא בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית... וְנִקְרֵאת הַמִּנְחָה חַטָּאת לְפִי שֶׁנֶּאֱמַר בְּמִנְחַת חוֹטֵא לֹא יָשִׂים עָלֶיהָ שֶׁמֶן וְלֹא יִתֵּן עָלֶיהָ לְבוֹנָה כִּי חַטָּאת הִיא... וְנִסּוּךְ הַמַּיִם הוּא בְּחַג הַסֻּכּוֹת, אֲבָל נִסּוּךְ הַיַּיִן הוּא תָּמִיד.

Rambam explica por que a aproximação da oferenda vegetal se faz no mesmo chifre sudoeste: o versículo exige que ela seja trazida “perante o Eterno, defronte ao altar”, e o único lugar que reúne ambas as direções — para o Eterno (oeste) e defronte ao altar (sul, onde fica a rampa) — é o chifre sudoeste. Explica também que a oferenda de pecado é chamada “minchá” e a oferenda vegetal do pobre é chamada “chatat” na Escritura, ligando as duas categorias ao mesmo lugar. E esclarece que a libação de água é exclusiva de Sucot, enquanto a de vinho acompanha as oferendas todos os dias.

Bartenura · Zevachim 6:2
חַטַּאת הָעוֹף הָיְתָה נַעֲשֵׂית בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית. מִשּׁוּם דְּמִנְחַת חוֹטֵא קְרוּיָה חַטָּאת... וּמַה מִּנְחָה טְעוּנָה הַגָּשָׁה בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית, אַף חַטַּאת הָעוֹף עֲבוֹדָתָהּ בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית. וְעוֹלַת הָעוֹף כְּשֶׁהִיא רַבָּה בַמִּזְרָח. דְּעִקַּר מְקוֹמָהּ בְּקֶרֶן דְּרוֹמִית מִזְרָחִית מִפְּנֵי שֶׁקְּרוֹבָה לְבֵית הַדֶּשֶׁן... וּכְשֶׁהִיא רַבָּה שָׁם... בָּא לוֹ לְקֶרֶן דְּרוֹמִית מַעֲרָבִית, שֶׁאַף הִיא סְמוּכָה לְבֵית הַדֶּשֶׁן.

Bartenura traça a mesma analogia verbal entre a oferenda vegetal do pobre e a oferenda de pecado, concluindo que, assim como a minchá exige aproximação no sudoeste, também a oferenda de pecado da ave tem ali sua sede. Explica ainda que a oferenda de subida da ave pertence propriamente ao sudeste — por ficar próximo ao local das cinzas, para onde se lançam o papo e a plumagem — mas que, quando há muitos sacerdotes ocupados naquele canto, o serviço se desloca para o sudoeste, também próximo àquele mesmo local.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 63a–63b, sobre a Guemará desta mishná
מַתְנִיתִין: חַטַּאת הָעוֹף הָיְתָה נַעֲשֵׂית כוּ’ — בַּגְּמָרָא יָלִיף מְנָא לֵיהּ. מַאי קָאָמַר — בַּגְּמָרָא פָּרִיךְ מַאי קָאָמַר. מִלְּמַטָּה — לְמַטָּה מִן הַחוּט. הַגָּשׁוֹת — שֶׁל מְנָחוֹת קֹדֶם קְמִיצָתָן, כִּדְכְתִיב וְהִגִּישָׁהּ. נִסּוּךְ הַמַּיִם וְהַיַּיִן — שֶׁשָּׁם הָיוּ הַשִּׁיתִין וְאִי אֶפְשָׁר לְנַסֵּךְ כִּי אִם שָׁם.

Rashi introduz a Guemará anotando que ela vai buscar a fonte bíblica de cada detalhe da mishná e questionar seu sentido exato. Confirma que “por baixo” significa abaixo da linha vermelha; que as “aproximações” são das oferendas vegetais antes da retirada do punhado, conforme o versículo “e a trará”; e que as libações de água e vinho se faziam ali porque era onde ficavam os poços (shitin) que as recebiam, sem alternativa possível de lugar.

גְּמָ’: מְנָא הָנֵי מִילֵּי — דְּחַטַּאת הָעוֹף בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית. לֹא יָשִׂים עָלֶיהָ וְגוֹ’ — בְּמִנְחַת חוֹטֵא כְּתִיב, הַבָּאָה תַּחַת חַטַּאת הָעוֹף בְּדַלֵּי דַלּוּת, וּקְרָיָהּ רַחֲמָנָא חַטָּאת. וּמָה מִּנְחָה טְעוּנָה הַגָּשָׁה בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית, אַף חַטַּאת הָעוֹף עֲבוֹדָתָהּ בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית וַהֲזָאַת דָּמָהּ הִיא עִקַּר עֲבוֹדָתָהּ.

A Guemará, segundo Rashi, pergunta de onde se deriva o lugar da oferenda de pecado da ave e responde com a mesma analogia: a oferenda vegetal do pobre, trazida no lugar da oferenda de pecado de ave para quem não tem recursos, é chamada pela Torá de “chatat”. Assim como aquela minchá exige aproximação no sudoeste, também o serviço essencial da oferenda de pecado da ave — a aspergão do sangue — se faz naquele mesmo canto.