A oferenda de pecado da ave, como era realizada? Ele beliscava a cabeça dela defronte à sua nuca, sem separá-la, e aspergia do sangue dela sobre a parede do altar. — O sacerdote realizava a meliká — o beliscamento com a unha do polegar — cortando a nuca da ave sem destacar completamente a cabeça do corpo, mantendo-os unidos por uma pequena porção. Segurando a própria ave, sem uso de utensílio ou dedo, ele aspergia diretamente do sangue sobre a parede inferior do altar, abaixo da linha vermelha.
O resto do sangue, ele fazia escorrer sobre a base. — Depois da aspergão, o sacerdote aproximava o local do corte ao próprio muro do altar, pressionando-o contra a parede, de modo que o sangue restante escorresse e descesse até a base do altar — completando, assim, todo o serviço do sangue exigido para esta oferenda.
Ao altar não pertence senão o seu sangue, e toda ela pertence aos sacerdotes. — Diferentemente das oferendas animais de pecado, cujas partes designadas (os emurin) são queimadas no altar, da oferenda de pecado da ave apenas o sangue vai ao altar; a ave inteira, sem separação de partes, torna-se alimento dos sacerdotes.
Rambam cita o versículo bíblico como base da mishná e detalha a técnica física da meliká: o sacerdote segurava as duas pernas da ave entre dois dedos da mão esquerda e as asas entre outros dois, com a ave sobre o dorso da mão; esticava o pescoço sobre o polegar na largura de dois dedos e beliscava defronte à nuca. Rambam classifica esse procedimento como uma das tarefas mais difíceis realizadas no Templo, pela precisão exigida num movimento único e delicado.
Bartenura acrescenta que, ao cortar “sem separar”, o sacerdote atravessava a coluna e a nuca com a maior parte da carne, até alcançar o esôfago ou a traqueia, mas cortava apenas um dos dois órgãos (diferentemente da oferenda de subida, ver 6:5). E sublinha o detalhe notável de que a aspergão se fazia com o próprio corpo da ave — sem recipiente nem dedo — um procedimento sem paralelo entre os demais sacrifícios do Templo.
Rashi confirma, com base no versículo, que apenas um dos dois órgãos do pescoço é cortado na oferenda de pecado. Explica o gesto da aspergão — o sacerdote segura o próprio corpo da ave para aspergir — e o do escoamento: ele aproxima o local do corte da parede do altar e o pressiona ali, fazendo o sangue descer até a base, jsutamente porque todo o serviço se realiza abaixo da linha vermelha.
A Guemará, segundo Rashi, detalha minuciosamente a posição dos dedos do sacerdote ao segurar a ave — as pernas entre o dedo mínimo e o anelar, as asas entre o indicador e o polegar — e como o pescoço era esticado sobre a largura externa do polegar. Rashi confirma a comparação com a retirada do punhado da oferenda vegetal e com o serviço do incenso em Yom Kipur, ambos também descritos como “serviços difíceis” que exigem destreza extrema das mãos do sacerdote.