A oferenda de pecado da ave que ele beliscou não em seu nome, ou fez escorrer o seu sangue não em seu nome, ou em seu nome e não em seu nome, ou não em seu nome e em seu nome — é desqualificada. — Assim como o abate e a aspergão de animais se invalidam quando realizados com intenção de outra categoria de oferenda, também a meliká e o mitsui da ave se invalidam sob a mesma regra — em qualquer combinação entre as duas avodot, pois a oferenda de pecado exige intenção correta em ambas.
A oferenda de subida da ave é válida; contanto que não tenha sido creditada aos donos. — Diferentemente da oferenda de pecado, a oferenda de subida realizada “não em seu nome” permanece válida — segue-se o princípio geral de 1:1, segundo o qual quase todas as oferendas são válidas sem a intenção correta — mas não cumpre a obrigação de quem a trouxe, que precisará trazer outra.
Tanto a oferenda de pecado da ave quanto a oferenda de subida da ave que ele beliscou e cujo sangue fez escorrer com a intenção de comer algo cujo costume é ser comido, ou de queimar algo cujo costume é ser queimado, fora do seu lugar — é desqualificada, mas não há nela extirpação. — A intenção de consumir ou queimar a oferenda fora do local designado desqualifica-a — como ocorre com as oferendas de animais — mas não acarreta a pena de karet (extirpação) para quem dela participar.
Fora do seu tempo — é pigul, e responsabilizam-se por ele com extirpação, contanto que o elemento habilitante tenha sido oferecido conforme o seu preceito. — Se, em vez disso, a intenção incorreta for quanto ao tempo — consumir ou queimar depois do prazo permitido — a oferenda torna-se pigul, a categoria mais grave, acarretando karet para quem a consumir, desde que o “elemento habilitante” (o sangue) tenha sido oferecido sem nenhuma outra falha.
Como o elemento habilitante foi oferecido conforme o seu preceito? Beliscou em silêncio e fez escorrer o sangue fora do seu tempo; ou beliscou fora do seu tempo e fez escorrer o sangue em silêncio; ou beliscou e fez escorrer o sangue fora do seu tempo — este é o caso em que o elemento habilitante foi oferecido conforme o seu preceito. — A mishná especifica as combinações válidas: desde que a intenção de tempo indevido apareça em pelo menos uma das duas avodot — meliká ou mitsui — sem que a outra traga intenção de lugar indevido ou de nome incorreto, o pigul se estabelece.
Como o elemento habilitante não foi oferecido conforme o seu preceito? Beliscou fora do seu lugar e fez escorrer o sangue fora do seu tempo; ou beliscou fora do seu tempo e fez escorrer o sangue fora do seu lugar; ou beliscou e fez escorrer o sangue fora do seu lugar. A oferenda de pecado da ave que ele beliscou não em seu nome e fez escorrer o seu sangue fora do seu tempo; ou a beliscou fora do seu tempo e fez escorrer o seu sangue não em seu nome; ou a beliscou e fez escorrer o seu sangue não em seu nome — este é o caso em que o elemento habilitante não foi oferecido conforme o seu preceito. — A mishná enumera agora as combinações opostas: sempre que a intenção de lugar indevido, ou de nome incorreto na oferenda de pecado, se mistura à de tempo indevido em qualquer uma das duas avodot, o pigul não se estabelece, pois o elemento habilitante não foi oferecido “conforme o seu preceito” — a oferenda fica apenas desqualificada, sem a pena de karet.
Com a intenção de comer o equivalente a uma azeitona fora e o equivalente a uma azeitona no dia seguinte, ou o equivalente a uma azeitona no dia seguinte e o equivalente a uma azeitona fora, ou meia azeitona fora e meia azeitona no dia seguinte, ou meia azeitona no dia seguinte e meia azeitona fora — é desqualificada, mas não há nela extirpação. — Quando a intenção se divide entre lugar indevido e tempo indevido dentro da mesma medida mínima de consumo (o volume de uma azeitona), a oferenda é desqualificada sem chegar a pigul — pois as duas intenções incorretas, combinadas, não se somam para produzir a categoria mais grave.
Disse Rabi Yehudá: esta é a regra — se a intenção quanto ao tempo precedeu a intenção quanto ao lugar, é pigul, e responsabilizam-se por ele com extirpação; e se a intenção quanto ao lugar precedeu a intenção quanto ao tempo, é desqualificada, e não há nela extirpação. Mas os Sábios dizem: tanto esta quanto aquela são desqualificadas, e não há nelas extirpação. — Rabi Yehudá introduz um critério de precedência: a ordem cronológica em que os dois pensamentos incorretos ocorrem na mente do sacerdote determina se o resultado é pigul ou mera desqualificação. Os Sábios rejeitam esse critério, sustentando que qualquer mistura entre as duas intenções, em qualquer ordem, permanece apenas desqualificação simples.
Com a intenção de comer o equivalente a meia azeitona e de queimar o equivalente a meia azeitona — é válida, pois comer e queimar não se combinam. — A mishná encerra o capítulo com um princípio de fechamento: as medidas mínimas de intenção incorreta relativas ao consumo humano e à combustão no altar são contadas separadamente — meia azeitona destinada a ser comida não se une a meia azeitona destinada a ser queimada para completar a medida desqualificante de uma azeitona inteira.
Rambam explica a estrutura de fundo de toda a mishná: como a ave não passa por recebimento nem transporte do sangue, apenas as duas avodot que ela tem — a meliká (equivalente ao abate) e o mitsui (equivalente à aspergão) — podem ser invalidadas pela intenção incorreta. Nota que a mishná repete aqui, para as aves, todo o sistema já ensinado no Perek Bet para equiparar as duas categorias de oferenda quanto às leis da intenção, e conclui explicitamente que a lei não segue Rabi Yehudá, mas sim os Sábios.
Bartenura remete explicitamente à primeira mishná do tratado (1:1): assim como a maioria das oferendas de animais permanece válida quando abatida “não em seu nome” — exceto a oferenda pascal e a de pecado — o mesmo princípio se aplica à oferenda de subida da ave, que permanece válida embora não cumpra a obrigação do dono. E explica por que a intenção de “não em seu nome” nunca produz pigul na oferenda de subida: justamente porque ela é válida mesmo com essa intenção, tal pensamento não tem o poder de a tornar pigul.
Rashi confirma a lógica de Bartenura: como a oferenda de subida é válida mesmo com intenção incorreta de nome, essa mesma intenção não consegue transformá-la em pigul — um princípio geral já visto para as oferendas de animais no Perek Bet e agora aplicado às aves. Identifica também as duas oferendas mencionadas na cláusula seguinte: a que se destina normalmente a ser comida (a de pecado) e a que se destina normalmente a ser queimada (a de subida).