Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Vav · Bameh Isha Yotzah
יְרוּשָׁלַיִם דְּדַהֲבָא

A "cidade de ouro" de Rabi Akiva, a baraita sobre sua proibição, o klila e o kamra, e o anel sem selo

Shabbat 59b — completa-se a resposta de Rabá bar bar Chaná: a "cidade de ouro" é uma Jerusalém de ouro, como fez Rabi Akiva para sua esposa; a baraita com as posições de Rabi Meir, dos sábios e de Rabi Eliezer sobre essa proibição, e a análise da disputa; o klila (coroa ou grinalda), a distinção entre placa fundida e tira bordada, a versão invertida de Rav Ashi, e a história de Levi e de Rabá bar Avuh; o kamra (cinto ornamentado), o caso de dois cintos sobrepostos, e o resuco com presas de fixação; a nova cláusula da Mishná sobre o colar, os brincos e o anel sem selo, e sua resolução por Rabi Zeira como a disputa entre Rabi Nechemia e os sábios.

O daf abre completando a resposta de Rabá bar bar Chaná, em nome de Rabi Yochanan, deixada em suspenso ao final de 59a: a "cidade de ouro" com que a Mishná proíbe a mulher de sair no Shabat é uma representação de "Jerusalém de ouro" — como fez Rabi Akiva para sua esposa, história cujo relato completo se encontra, segundo Rashi, no tratado Nedarim (50a). A Guemará traz então uma baraita sobre a proibição desse enfeite: Rabi Meir considera-o um fardo, e quem sai com ele é obrigado a um sacrifício pelo pecado; os sábios consideram-no um enfeite, mas ainda assim proíbem a saída — por temor de que a mulher o tire para mostrá-lo e venha a carregá-lo pelo espaço público —, embora isentem quem já saiu; e Rabi Eliezer permite que a mulher importante, cujo costume é usar esse enfeite, saia com ele mesmo de antemão, pois tal mulher não o tira para se exibir. Segue-se a discussão sobre o klila, uma coroa ou grinalda que se amarra à testa: Rav proíbe e Shmuel permite, com a distinção entre o klila de placa fundida (proibido por todos) e o de tira bordada (cuja permissão depende de qual elemento se considera principal); Rav Ashi ensina essa mesma disputa de modo invertido. Rav Shmuel bar bar Chana relembra a Rav Yossef que este ensinara, em nome de Rav, que o klila é permitido — o que leva à identificação de Levi como o sábio manco que chegara a Neharde'a ensinando essa permissão, à dedução sobre a sucessão de liderança após a morte de Rabi Afes, e à propagação do ensinamento tanto em Neharde'a (vinte e quatro klilim removidos) quanto em Machoza, por Rabá bar Avuh (dezoito klilim removidos de um só beco). Discute-se então o kamra, um cinto ornamentado, permitido por Rav Shmuel segundo Rav Yehudá, com as explicações de Rav Safra comparando-o ao manto dourado ou ao cinto dos reis; Ravina pergunta a Rav Ashi sobre o kamra usado sobre um cinto de dinheiro, e este responde que dois cintos juntos constituem claramente um fardo; e Rav Ashi distingue, quanto ao resuco (uma larga tira de pano), entre o que tem presas de fixação (permitido) e o que não tem (proibido). O daf termina com a abertura de uma nova cláusula da Mishná — sobre o colar e os brincos, e sobre o anel sem selo, cuja presença transforma o anel de enfeite em fardo — contraposta a uma baraita que lista o anel com ou sem selo entre os enfeites impuros das mulheres; Rabi Zeira resolve a contradição atribuindo cada fonte a uma opinião diferente, a de Rabi Nechemia (para quem o selo é o elemento principal do anel) e a dos sábios (para quem o próprio anel é o principal), confirmada pela baraita sobre o anel de metal com selo de coral e vice-versa, e sobre o jugo e seus pinos.

Completa-se a resposta: uma Jerusalém de ouro · כְּדַעֲבַד לֵיהּ רַבִּי עֲקִיבָא לִדְבֵיתְהוּ

01Rabá bar bar Chaná: uma Jerusalém de ouro, como fez Rabi Akiva para sua esposa
Rabá bar bar Chaná, em nome de Rabi Yochanan (continuação de 59a)
כְּדַעֲבַד לֵיהּ רַבִּי עֲקִיבָא לִדְבֵיתְהוּ.

... uma Jerusalém de ouro, como fez Rabi Akiva para sua esposa.

Nota

Completa-se aqui a resposta de Rabá bar bar Chaná, em nome de Rabi Yochanan, deixada em suspenso ao final de 59a: a "cidade de ouro" é uma representação de Jerusalém, feita de ouro, e o exemplo dado é o de Rabi Akiva, que presenteou sua esposa com esse enfeite. A Guemará não narra aqui a história completa — apenas a cita, de modo abreviado, como referência conhecida; o relato integral, segundo Rashi, encontra-se no tratado Nedarim.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "kede-avad leih Rabi Akiva li-dveitehu"
כדעבד ליה ר' עקיבא לדביתהו - במסכת נדרים (דף נ.):

"Como fez Rabi Akiva para sua esposa" — a história completa se encontra no tratado Nedarim (50a).

A baraita sobre a proibição da "cidade de ouro" · תָּנוּ רַבָּנַן: לֹא תֵּצֵא אִשָּׁה בְּעִיר שֶׁל זָהָב

02Rabi Meir: fardo, obrigada a sacrifício; sábios: proibida, mas isenta; Rabi Eliezer: permitida de antemão
Baraita; Rabi Meir; Sábios; Rabi Eliezer
תָּנוּ רַבָּנַן: לֹא תֵּצֵא אִשָּׁה בְּעִיר שֶׁל זָהָב, וְאִם יָצְתָה חַיֶּיבֶת חַטָּאת, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: לֹא תֵּצֵא, וְאִם יָצְתָה — פְּטוּרָה. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר: יוֹצְאָה אִשָּׁה בְּעִיר שֶׁל זָהָב לְכַתְּחִלָּה.

Os sábios ensinaram: a mulher não deve sair com uma "cidade de ouro", e se saiu, é obrigada a um sacrifício pelo pecado — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: não deve sair, e se saiu, está isenta. Rabi Eliezer diz: a mulher pode sair com uma "cidade de ouro" mesmo de antemão.

Nota

A baraita apresenta três posições sobre a "cidade de ouro": Rabi Meir a trata como um fardo pleno, cuja saída com ela no Shabat gera responsabilidade por sacrifício, como qualquer outro transporte proibido; os sábios a consideram um enfeite, mas ainda assim proíbem a saída de antemão — por um decreto preventivo —, isentando, porém, quem já a usou; e Rabi Eliezer permite a saída mesmo de antemão, ao menos para a mulher a quem esse enfeite é próprio.

03Em que discordam? Fardo, temor de exibição, ou mulher importante que não se exibe
Guemará
בְּמַאי קָמִיפַּלְגִי? רַבִּי מֵאִיר סָבַר מַשּׂוֹי הוּא. וְרַבָּנַן סָבְרִי תַּכְשִׁיט הוּא — דִּילְמָא שָׁלְפָא וּמַחְוְיָא לֵיהּ וְאָתְיָא לְאֵתוֹיֵי. וְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר סָבַר: מַאן דִּרְכֵּהּ לְמִיפַּק בְּעִיר שֶׁל זָהָב — אִשָּׁה חֲשׁוּבָה, וְאִשָּׁה חֲשׁוּבָה לָא שָׁלְפָא וּמַחְוְיָא.

Em que discordam? Rabi Meir entende que é um fardo. E os sábios entendem que é um enfeite — mas temem que ela o tire para mostrá-lo a alguém, e venha a carregá-lo pelo espaço público. E Rabi Eliezer entende: aquela cujo costume é sair com uma "cidade de ouro" é uma mulher importante, e uma mulher importante não o tira para mostrá-lo.

Nota

A Guemará explica a raiz da disputa: Rabi Meir nega por completo que a "cidade de ouro" seja um enfeite, tratando-a como simples carga; os sábios reconhecem que é um enfeite, mas temem o gesto natural de tirá-lo para exibi-lo a outra pessoa, o que levaria a carregá-lo pela mão; Rabi Eliezer concorda que há esse risco em geral, mas argumenta que só a mulher importante costuma usar esse enfeite específico, e uma mulher assim não se rebaixaria a tirá-lo para se exibir.

O klila: coroa ou grinalda · כְּלִילָא, רַב אָסַר וּשְׁמוּאֵל שָׁרֵי

04Rav proíbe o klila, Shmuel permite
Rav; Shmuel
כְּלִילָא, רַב אָסַר וּשְׁמוּאֵל שָׁרֵי.

Quanto ao klilauma coroa ou grinalda que se amarra à testa —, Rav proíbe, e Shmuel permite.

Nota

O klila é um adorno de cabeça, amarrado da orelha à orelha sobre a testa. A Guemará passa a investigar em que exatamente consiste a disputa entre Rav e Shmuel, distinguindo dois tipos de klila.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "klila"
כלילא - על פדחתה היא קושרתו מאזן לאזן יש שכולו טס זהב שקורין לימ"א ויש שעושין ממשי טווי עם הזהב שקורין פריז"ש:

"Klila" — sobre sua testa ela o amarra, de orelha a orelha; há um que é todo feito de uma placa de ouro, chamado "limá"; e há um que se faz de seda fiada junto com o ouro, chamado "perizš" (em francês antigo).

05A distinção entre placa fundida e tira bordada; a versão invertida de Rav Ashi
Guemará; Rav Ashi
דַּאֲנִיסְכָּא, כּוּלֵּי עָלְמָא לָא פְּלִיגִי דַּאֲסִיר. כִּי פְּלִיגִי דַּאֲרוּקְתָּא: מָר סָבַר אֲנִיסְכָּא עִקָּר, וּמָר סָבַר אֲרוּקְתָּא עִקָּר. רַב אָשֵׁי מַתְנֵי לְקוּלָּא: דַּאֲרוּקְתָּא דְּכוּלֵּי עָלְמָא לָא פְּלִיגִי דִּשְׁרֵי. כִּי פְּלִיגִי דַּאֲנִיסְכָּא: מָר סָבַר דִּילְמָא שָׁלְפָא וּמַחְוְיָא וְאָתֵי לְאֵתוּיֵי, וּמָר סָבַר מַאן דִּרְכֵּהּ לְמִיפַּק בִּכְלִילָא — אִשָּׁה חֲשׁוּבָה, וְאִשָּׁה חֲשׁוּבָה לָא שָׁלְפָא וּמַחְוְיָא.

Quanto ao klila feito de placa fundida, todos concordam que é proibido. Quando discordam, é quanto ao klila de tira bordada: um mestre entende que a placa fundida é o principal, e outro mestre entende que a tira bordada é o principal. Rav Ashi ensina essa disputa de modo mais brando: quanto ao klila de tira bordada, todos concordam que é permitido. Quando discordam, é quanto ao klila de placa fundida: um mestre entende que ela pode tirá-lo para mostrá-lo e vir a carregá-lo; e outro mestre entende que aquela cujo costume é sair com um klila é uma mulher importante, e uma mulher importante não o tira para mostrá-lo.

Nota

Segundo a primeira versão, todos proíbem o klila de placa fundida — por ser este o elemento importante e vistoso, sujeito ao temor de exibição —, e a disputa se limita ao de tira bordada, quanto a qual elemento se considera principal. Rav Ashi inverte essa formulação: para ele, todos permitem o klila de tira bordada, e a disputa se limita ao de placa fundida — repetindo, para esse caso, o mesmo raciocínio já visto na baraita da "cidade de ouro" (temor de exibição versus mulher importante que não se exibe).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "de-aniska", "de-arukta" e "kulei alma lo pligi de-sharei"
דניסכא - טס העשוי כולו מניסכא דהיינו זהב או כסף דבר הניתך: דאסיר - מגו דחשיב גזירה דילמא שלפא ומחוייא: דארוקתא - רצועה שמצויירת בזהב ובאבנים טובות: אניסכא - דאית ביה עיקר ומחויא ליה ומר סבר ארוקתא הוא עיקר דידיה ולא חשיב ליה ולא מחויא ליה: כולי עלמא לא פליגי דשרי - דארוקתא עיקר:

"De placa fundida" — uma placa feita inteiramente de metal fundido, isto é, ouro ou prata, algo que se derrete. "É proibido" — visto que é importante, há o decreto de que talvez ela o tire e o mostre. "De tira bordada" — uma tira ornamentada com ouro e pedras preciosas. "A placa fundida" — nela está o elemento importante, e ela o mostra; e outro mestre entende que a tira bordada é o principal elemento nele, e ele não é importante, e ela não o mostra. "Todos concordam que é permitido" — quando a tira bordada é o principal.

06Rav Shmuel bar bar Chana relembra a Rav Yossef o que este ensinara em nome de Rav
Rav Shmuel bar bar Chana; Rav Yossef
אֲמַר לֵיהּ רַב שְׁמוּאֵל בַּר בַּר חָנָה לְרַב יוֹסֵף: בְּפֵרוּשׁ אֲמַרְתְּ לַן מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב — ״כְּלִילָא שְׁרֵי״.

Disse-lhe Rav Shmuel bar bar Chana a Rav Yossef: expressamente nos disseste, em nome de Rav: "o klila é permitido".

Nota

Rav Yossef, num período posterior de sua vida, esqueceu parte de seu estudo por causa de doença; Rav Shmuel bar bar Chana lembra-lhe aqui um ensinamento que ele próprio transmitira antes, em nome de Rav, sobre a permissão do klila — o que, segundo Rashi, confirma que a versão de Rav Ashi está correta, e que Rav concordava com a permissão do klila de tira bordada.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "be-ferush amarte lan" e "klila sharei"
בפירוש אמרת לן משמיה דרב - לפני חלייך קודם ששכחת תלמודך: כלילא שרי - אלמא דרב אשי עיקר דמוקי פלוגתא בדניסכא אבל בארוקתא מודה רב ואיכא לאוקמי לדידיה בארוקתא:

"Expressamente nos disseste, em nome de Rav" — antes de tua doença, antes que esquecesses teu estudo. "O klila é permitido" — conclui-se disso que Rav Ashi está correto, que estabelece a disputa quanto ao klila de placa fundida; mas quanto ao de tira bordada, Rav concorda que é permitido, e é possível estabelecer o que Rav Shmuel bar bar Chana disse em nome de Rav a respeito da tira bordada.

07Levi, o homem alto e manco, ensina em Neharde'a que o klila é permitido; a dedução de Rav
Guemará; Rav
אֲמַרוּ לֵיהּ לְרַב: אֲתָא גַּבְרָא רַבָּה אֲרִיכָא לִנְהַרְדְּעָא וּמִטְּלַע, וְדָרֵשׁ ״כְּלִילָא שְׁרֵי״. אֲמַר: מַאן גַּבְרָא רַבָּה אֲרִיכָא [דְּאִיטְּלַע] — לֵוִי, שְׁמַע מִינַּהּ נָח נַפְשֵׁיהּ דְּרַבִּי אַפָּס וִיתִיב רַבִּי חֲנִינָא בְּרֵישָׁא, וְלָא הֲוָה לֵיהּ אִינִישׁ לְלֵוִי לְמֵיתַב גַּבֵּיהּ, וְקָאָתֵי לְהָכָא.

Disseram a Rav: veio um homem grande e alto a Neharde'a, e mancava, e ensinou: "o klila é permitido". Disse Rav: quem é o homem grande e alto que manca? É Levi — conclui-se disso que faleceu Rabi Afes, e Rabi Chanina se assentou à cabeceira, e não havia mais ninguém junto a quem Levi pudesse se assentar, e por isso veio para cá.

Nota

Rav deduz, a partir da simples notícia de que Levi chegou a Neharde'a, uma cadeia de acontecimentos na academia de Rabi: Levi costumava sentar-se ao lado de Rabi Chanina, por respeito, enquanto este não ocupava formalmente a cabeceira (por deferência a Rabi Afes, seu sênior); se Levi agora migrou para Neharde'a, é porque Rabi Afes faleceu, Rabi Chanina assumiu a cabeceira, e Levi já não tinha mais junto de quem se sentar.

08Rejeita-se a explicação alternativa
Guemará
וְדִילְמָא נָח נַפְשֵׁיהּ דְּרַבִּי חֲנִינָא, וְרַבִּי אַפָּס כִּדְקָאֵי קָאֵי, וְלָא הֲוָה לֵיהּ אִינִישׁ לְלֵוִי לְמֵיתַב גַּבֵּיהּ, וְקָאָתֵי לְהָכָא? אִם אִיתָא דְּרַבִּי חֲנִינָא שְׁכֵיב — לֵוִי לְרַבִּי אַפָּס מִיכָּף הֲוָה כְּיִיף לֵיהּ. וְתוּ, דְּרַבִּי חֲנִינָא לָא סַגִּי דְּלָא מָלֵיךְ, דְּכִי הֲוָה קָא נִיחָא נַפְשֵׁיהּ דְּרַבִּי אָמַר: חֲנִינָא בְּרַבִּי חָמָא יֵשֵׁב בָּרֹאשׁ. וּכְתִיב בְּהוּ בְּצַדִּיקִים: ״וְתִגְזַר אֹמֶר וְיָקׇם לָךְ וְגוֹ׳״.

Mas talvez tenha falecido Rabi Chanina, e Rabi Afes permaneça como estava, e não havia mais ninguém junto a quem Levi pudesse se assentar, e por isso veio para cá? Não pode ser assim, pois, se fosse Rabi Chanina quem morreu, Levi certamente se curvaria diante de Rabi Afes e permaneceria junto dele, por ser este mais velho. E, além disso, era impossível que Rabi Chanina não se tornasse líder, pois, quando Rabi — o Redator da Mishná — estava para falecer, disse: "Chanina, filho de Rabi Chama, se assentará à cabeceira". E está escrito a respeito dos justos: "e decretarás algo, e se cumprirá para ti, etc." (Jó 22:28).

Nota

A Guemará propõe uma leitura alternativa da mesma notícia — talvez tenha sido Rabi Chanina quem faleceu, e Rabi Afes permanecesse na cabeceira — mas a rejeita por dois motivos: primeiro, porque, sendo Rabi Afes mais velho, Levi certamente teria se curvado diante dele e permanecido junto dele, sem necessidade de migrar; segundo, porque o próprio Rabi já havia decretado, em seu leito de morte, que Rabi Chanina assumiria a cabeceira — e a palavra dos justos se cumpre, como o versículo de Jó confirma.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "gavra raba aricha u-mitlá", "nach nafshei de-Rabi Afes" e "Levi le-Rabi Afes michaf"
גברא רבה אריכא ומטלע - לוי איטלע דאחוי קידה קמיה דרבי: נח נפשיה דרבי אפס - במסכת כתובות בהנושא (כתובות קג:) אמרינן דכי שכיב רבי אמר רבי חנינא בר חמא ישב בראש ולא קיבל עליו ר' חנינא שהיה רבי אפס גדול ממנו שתי שנים ויתיב רבי אפס ברישא ומתוך שהיה רבי חנינא חשוב לא נכנס לבית מדרשו והיה יושב בחוץ ומשום כבודו ישב לו לוי אצלו: וקאתי להכא - שלא היה רבי חנינא גדול הימנו לא בתורה ולא בשנים ולא ניכף ליה לוי ובא לכאן: לוי לרבי אפס מיכף הוה כייף ליה - שהרי זקן ממנו:

"Um homem grande e alto, e manco" — Levi ficou manco por ter feito uma reverência profunda diante de Rabi. "Faleceu Rabi Afes" — no tratado Ketubot, no capítulo "Hanosé" (Ketubot 103b), dizemos que, quando Rabi — o Redator da Mishná — faleceu, disse que Rabi Chanina bar Chama se assentasse à cabeceira, mas Rabi Chanina não aceitou isso sobre si, pois Rabi Afes era dois anos mais velho do que ele, e Rabi Afes se assentou à cabeceira; e, visto que Rabi Chanina era importante, ele não entrava na casa de estudo de Rabi Afes, por respeito, e ficava sentado do lado de fora, e, por sua honra, Levi se assentava junto a ele. "E veio para cá" — pois Rabi Chanina não era maior do que ele nem em Torá nem em idade, e Levi não se curvava diante dele, e por isso veio para cá. "Levi certamente se curvaria diante de Rabi Afes" — pois este era mais velho do que ele.

09O ensinamento de Levi se espalha por Neharde'a; Rabá bar Avuh o ensina em Machoza
Guemará; Levi; Rabá bar Avuh
דְּרַשׁ לֵוִי בִּנְהַרְדְּעָא ״כְּלִילָא שְׁרֵי״. נְפוּק עֶשְׂרִין וְאַרְבַּע כְּלִילֵי מִכּוּלַּהּ נְהַרְדְּעָא. דְּרַשׁ רַבָּה בַּר אֲבוּהּ בְּמָחוֹזָא ״כְּלִילָא שְׁרֵי״, וּנְפַקוּ תַּמְנֵי סְרֵי כְּלִילֵי מֵחֲדָא מְבוֹאָה.

Levi ensinou em Neharde'a: "o klila é permitido". E saíram, usando-o, vinte e quatro klilim de toda a Neharde'a. Rabá bar Avuh ensinou em Machoza: "o klila é permitido", e saíram dezoito klilim de um só beco.

Nota

A Guemará registra o efeito imediato desses ensinamentos: assim que Levi proclamou publicamente a permissão do klila em Neharde'a, vinte e quatro mulheres da cidade saíram usando-o no Shabat seguinte; e quando Rabá bar Avuh fez o mesmo em Machoza, dezoito klilim apareceram num único beco — um sinal da popularidade do enfeite e de quanto as mulheres aguardavam essa permissão.

O kamra: um cinto ornamentado · קַמְרָא שְׁרֵי

10Rav Yehudá, em nome de Rav Shmuel: o kamra é permitido — duas explicações e as comparações de Rav Safra
Rav Yehudá; Rav Shmuel; Rav Safra
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב שְׁמוּאֵל: קַמְרָא שְׁרֵי. אִיכָּא דְאָמְרִי דַּאֲרוּקְתָּא, וְאָמַר רַב סָפְרָא: מִידֵּי דְּהָוֵה אַטַּלִּית מוּזְהֶבֶת. וְאִיכָּא דְאָמְרִי דַּאֲנִיסְכָּא, וְאָמַר רַב סָפְרָא: מִידֵּי דְּהָוֵה אַאַבְנֵט שֶׁל מְלָכִים.

Disse Rav Yehudá, disse Rav Shmuel: o kamra — um cinto ornamentado — é permitido. Há quem diga que se referia ao de tira bordada, e disse Rav Safra: assim como é permitido sair com um manto dourado. E há quem diga que se referia ao de placa fundida, e disse Rav Safra: assim como é permitido sair com o cinto dos reis.

Nota

O kamra é um cinto importante, feito tanto de placa de ouro quanto de tira com engastes e pedras preciosas. Há duas tradições sobre a que tipo de kamra se referia a permissão de Rav Shmuel; Rav Safra apoia cada uma delas com uma comparação: um manto dourado, cujo caráter de enfeite ninguém questiona, e o cinto dos reis, digno de todo israelita, "filho de reis".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "kamra", "midei de-havei a-talit muzhevet" e "a-avnet shel melachim"
קמרא - אבנט חשוב יש שעושין אותו טס של זהב ויש שעושין אותו רצועה משבצות זהב ואבנים קבועות בו: מידי דהוה אטלית מוזהבת - דהוי תכשיט ושריא ולמישלף ואחויי נמי לא חיישינן שאין דרך להתיר אזורו בשוק ויפלו בגדיו: אאבנט של מלכים - שעשוי כולו דניסכא וכל ישראל בני מלכים ראוים לו:

"Kamra" — um cinto importante; há quem o faça de uma placa de ouro, e há quem o faça de uma tira com engastes de ouro e pedras preciosas fixadas nela. "Assim como um manto dourado" — que é um enfeite, e é permitido; e também não tememos que ela o tire e o mostre, pois não é costume desatar o cinto na rua, já que suas roupas cairiam. "O cinto dos reis" — que é feito inteiramente de placa fundida, e todo Israel, sendo filhos de reis, é digno dele.

11Ravina pergunta sobre o kamra sobre o cinto de dinheiro: dois cintos são claramente um fardo
Ravina; Rav Ashi
אֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְרַב אָשֵׁי: קַמְרָא עִילָּוֵי הֶמְיָינָא מַאי? אֲמַר לֵיהּ תְּרֵי הֶמְיָינֵי קָאָמְרַתְּ.

Disse-lhe Ravina a Rav Ashi: o kamra sobre o cinto de dinheiro, qual é a lei? Disse-lhe: dois cintos de dinheiro estás dizendo — o que é claramente um fardo.

Nota

Ravina pergunta se o kamra, quando usado por cima de um cinto de dinheiro comum, ainda conserva seu caráter de enfeite. Rav Ashi responde que a pergunta já contém a resposta: usar dois cintos ao mesmo tempo é, por definição, um fardo, e não um enfeite, independentemente da qualidade de cada um deles.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "terei hemyanei ka-amarat"
תרי המייני קאמרת - הא ודאי משאוי הוא ואסור לשון תלמידי רבינו יצחק נ"ע [ובתלמידי] רבינו הלוי מצאתי מותר והראשון נראה לי משום דגבי הצלת דליקה מנינן לר' יוסי שמנה עשר כלים והתם חד חגור הוא דמנינן בכל כתבי הקדש (לקמן שבת דף קכ.) ואי שני חגורות שרי לכתחילה נימני התם תרי:

"Dois cintos de dinheiro estás dizendo" — isso certamente é um fardo, e é proibido — segundo a versão dos discípulos de Rabenu Yitzchak, de abençoada memória; e nos escritos dos discípulos de Rabenu HaLevi encontrei a versão "é permitido". E a primeira versão me parece correta, porque, a respeito de salvar objetos de um incêndio, contamos, segundo Rabi Yossi, dezoito utensílios que podem ser vestidos um sobre o outro, e ali contamos apenas um cinto, em "Kol Kitvei HaKodesh" (adiante, Shabat 120a); e, se dois cintos fossem permitidos de antemão ao mesmo tempo, deveríamos ter contado ali dois.

12O resuco: permitido se tem presas de fixação, proibido se não tem
Rav Ashi
אָמַר רַב אָשֵׁי: הַאי רְסוֹקָא, אִי אִית לֵיהּ מַפְרְחָיָיתָא — שְׁרֵי, וְאִי לָא — אֲסִיר.

Disse Rav Ashi: este resuco — um pedaço largo de manto —, se tem mafrechayata — pequenas tiras para amarrá-lo e ajustá-lo ao corpo —, é permitido; e se não tem, é proibido.

Nota

O resuco é uma larga tira de tecido usada como enfeite. Rav Ashi distingue: se possui pequenas tiras que permitem amarrá-lo firmemente ao redor do corpo, não há temor de que se solte e caia, levando a mulher a carregá-lo na mão; sem essas presas, porém, o risco de queda — e de carregá-lo — é real, e por isso permanece proibido.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "resuka", "mafrechayata" e "sharei"
רסוקי - חתיכת מעיל רחבה: אי אית ליה מפרחייתא - רצועות קצרות תלויות בה לקושרה בהם ולהדקה סביבותיו: שרי - דמיהדק שפיר וליכא למיחש דילמא משתרי קטרי ונפיל ואתי לאיתויי: מפרחייתא - פינדצ"א בלע"ז:

"Resuco" — um pedaço largo de manto. "Se tem mafrechayata" — pequenas tiras penduradas nele, para amarrá-lo com elas e ajustá-lo ao redor do corpo. "É permitido" — pois fica bem ajustado, e não há temor de que os nós se soltem, e caia, e ela venha a carregá-lo. "Mafrechayata" — "pindtsa" em francês antigo.

Nova mishná: o colar, os brincos e o anel sem selo · וְלֹא בְּקַטְלָא

13O que é "katla"? Um adorno preso ao pescoço; "nezamim" são os brincos do nariz
Mishná; Guemará
וְלֹא בְּקַטְלָא. מַאי קַטְלָא — מְנַקְּטָא פָּארֵי. נְזָמִים — נִזְמֵי הָאָף.

E a mulher não sai com um "katla" — um colar. O que é "katla"? Um adorno preso ao redor do pescoço, com o vestido pendurado a ele. "Brincos" — referem-se aos brincos do nariz.

Nota

O daf passa a uma nova cláusula da mesma Mishná, que continua a lista de enfeites proibidos. O katla, segundo Rashi, é uma peça com laçadas por onde se enfia uma tira larga amarrada ao redor do pescoço, da qual o vestido fica pendurado sobre o peito — uma peça importante, ornamentada com ouro. Quanto aos "nezamim" mencionados na Mishná, a Guemará esclarece que se trata dos brincos de nariz, e não dos de orelha — estes últimos permitidos de antemão, pois é trabalhoso tirá-los, já que as orelhas ficam cobertas pelos adornos de cabeça.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "menaketa pa'arei" e "nizmei ha-af"
מנקטא פארי - מושטניצ"א והוא בגד שיש לו שנצים כעין מכנסים ומכנסת בו רצועה רחבה וקושרת סביב צוארה והבגד תלוי על לבה והוא חשוב ומצוייר בזהב וי"מ כמין חצי עגול עשוי כמין כלבוס אוחזת בו מפתחי חלוקה והפגם בולע צוארה והוא של זהב לוי"ה: נזמי האף - אבל נזמי האוזן מותרין לכתחלה דטריחא לה מילתא למישלף ואחויי מפני שאזניה מכוסות בקישורין:

"Um adorno preso ao redor do pescoço" — "moshtanitsa" em francês antigo; é uma peça de roupa que tem laçadas, como calças, e nela se enfia uma tira larga, e se amarra ao redor do pescoço, e a peça fica pendurada sobre o peito, e é peça importante, ornamentada com ouro; e há quem explique que é como uma meia-lua, feita como um gancho, com o qual se prendem as aberturas do vestido, e o gancho abraça o pescoço, e é de ouro — "loviá" em francês antigo. "Brincos do nariz" — mas os brincos de orelha são permitidos de antemão, pois é trabalhoso para ela tirá-los e mostrá-los, já que suas orelhas ficam cobertas pelos adornos de cabeça.

14O anel sem selo é enfeite; com selo é fardo — contradição com a baraita dos enfeites impuros, resolvida por Rabi Zeira
Mishná; Guemará; Baraita; Rabi Zeira; Rabi Nechemia; Sábios
וְלֹא בְּטַבַּעַת שֶׁאֵין עָלֶיהָ חוֹתָם. הָא יֵשׁ עָלֶיהָ חוֹתָם — חַיֶּיבֶת. אַלְמָא לָאו תַּכְשִׁיט הוּא. וּרְמִינְהוּ: תַּכְשִׁיטֵי נָשִׁים טְמֵאִים. וְאֵלּוּ הֵן תַּכְשִׁיטֵי נָשִׁים: קַטְלָאוֹת, נְזָמִים וְטַבָּעוֹת, וְטַבַּעַת בֵּין שֶׁיֵּשׁ עָלֶיהָ חוֹתָם בֵּין שֶׁאֵין עָלֶיהָ חוֹתָם, וְנִזְמֵי הָאָף. וְאָמַר רַבִּי זֵירָא, לָא קַשְׁיָא: הָא רַבִּי נְחֶמְיָה, הָא רַבָּנַן. דְּתַנְיָא: הִיא שֶׁל מַתֶּכֶת וְחוֹתָמָהּ שֶׁל אַלְמוֹג — טְמֵאָה, הִיא שֶׁל אַלְמוֹג וְחוֹתָמָהּ שֶׁל מַתֶּכֶת — טְהוֹרָה, וְרַבִּי נְחֶמְיָה מְטַמֵּא, שֶׁהָיָה רַבִּי נְחֶמְיָה אוֹמֵר: בְּטַבַּעַת הַלֵּךְ אַחַר חוֹתָמָהּ. בְּעוֹל הַלֵּךְ אַחַר סִמְלוֹנָיו.

E a mulher não sai com um anel que não tem selo. Isso implica que, se tem selo, é obrigada a um sacrifício pelo pecado, caso saia com ele. Logo, o anel com selo não é um enfeite para a mulher. E contrapõem a isso uma baraita: os enfeites das mulheres são impuros (recebem impureza de utensílio). E estes são os enfeites das mulheres: colares, brincos e anéis, e o anel, seja com selo, seja sem selo, e os brincos do nariz. E disse Rabi Zeira: não há dificuldade: esta baraita segue Rabi Nechemia; aquela mishná segue os sábios. Pois se ensinou: se o anel é de metal e seu selo é de coral, é impuro; se é de coral e seu selo é de metal, é puro; e Rabi Nechemia o considera impuro em ambos os casos, pois Rabi Nechemia dizia: quanto ao anel, segue-se o selo; quanto ao jugo, segue-se seus pinos.

Nota

A Mishná trata o anel sem selo como enfeite (permitido), e implicitamente o anel com selo como fardo (proibido, com responsabilidade por sacrifício). A Guemará contrapõe uma baraita que lista o anel, com ou sem selo, entre os enfeites impuros das mulheres — o que sugere que ambos são considerados enfeite. Rabi Zeira resolve a contradição atribuindo cada fonte a uma opinião diferente: a baraita segue Rabi Nechemia, para quem o selo é o elemento principal do anel — de modo que um anel com selo continua sendo um enfeite de uso feminino, ainda que sirva também para selar; a Mishná segue os sábios, para quem o próprio corpo do anel é o principal, e o selo o transforma em instrumento de autoridade, e não em mero enfeite. A prova vem de outra baraita: segundo Rabi Nechemia, a impureza do anel sempre segue o material do selo, e não do corpo do anel — e o mesmo vale para o jugo do animal, cuja impureza segue o material de seus pinos de fixação.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ha yesh aleha chotam", "ha Rabi Nechemia" e "simlonav"
ולא בטבעת שאין עליה חותם - קתני מתניתין דאם יצאת פטורה דתכשיט הוא לה ומשום דילמא משלפא ומחויא הוא דמיתסר: הא יש עליה חותם חייבת חטאת - דלאו תכשיט הוא והוי משאוי: נזמים - נזמי האוזן: וטבעת בין שיש כו' - כלומר וטבעת שאמרנו בין שיש עליה כו': הא רבי נחמיה - דאמר עיקר טבעת אדעתא דחותם הוא חייבת חטאת דחותם לאשה לאו תכשיט הוא דאין דרך לאשה לחתום ולשלוח שלוחים שאין חותם עשוי אלא לאדם גדול וממונה והא דקתני תכשיט הוא רבנן דאמרי גופה של טבעת עיקר ואדעתא דטבעת נפקא ביה וטבעת ודאי תכשיט הוא: טמאה - דטבעת עיקר והוה ליה פשוטי כלי מתכות: היא של אלמוג וחותמה של מתכת טהורה - דהוה ליה פשוטי כלי עץ: הלך אחר סמלוניו - ואם של מתכות הם טמא: סמלוניו - העול שלהם לא היה פגום כשלנו אלא חלק ונוקבים בו שני נקבים וביניהם כעובי עורף השור ותוחבין בהן שתי יתדות והם סימלונין:

"E não com um anel que não tem selo" — ensina a mishná que, se saiu, está isenta, pois é um enfeite para ela, e é proibido apenas por causa do temor de que ela o tire e o mostre. "Isso implica que, se tem selo, é obrigada a um sacrifício pelo pecado" — pois nesse caso não é um enfeite, e é um fardo. "Brincos" — brincos de orelha. "E o anel, seja com, etc." — isto é, e o anel de que falamos, seja com selo, etc. "Esta baraita segue Rabi Nechemia" — que diz que o principal do anel é feito com a finalidade do selo; por isso, se saiu com ele, é obrigada a um sacrifício pelo pecado, pois o selo não é um enfeite para a mulher, já que não é costume da mulher selar documentos e enviar mensageiros — pois o selo só se faz para um homem importante e investido de autoridade. E o ensinamento de que é um enfeite segue os sábios, que dizem que o corpo do anel é o principal, e ela sai com ele com a finalidade do próprio anel, e o anel certamente é um enfeite. "É impuro" — pois o anel é o principal, e ele se torna um utensílio simples de metal. "É de coral e seu selo é de metal — é puro" — pois ele se torna um utensílio simples de madeira. "Segue-se seus pinos" — e, se são de metal, é impuro. "Seus pinos" — o jugo deles não era entalhado como o nosso, mas liso, e se perfuram nele dois buracos, e entre eles fica um espaço da largura da nuca do boi, e se enfiam ali duas cavilhas, que são os "pinos".