O daf abre completando a analogia verbal que ficara cortada ao final de 63b: "utensílio", "utensílio", dali — derivando-se, da palavra "utensílio" usada a respeito do despojo de Midiã, para a mesma palavra usada a respeito dos répteis impuros, que também esta última inclui um utensílio de ornamento e não apenas um utensílio de trabalho. A Guemará então esclarece a cláusula da baraita anterior sobre o saco: embora não seja tecido, ele é impuro por servir de base para o pobre trançar três fios e pendurá-los, como amuleto, no pescoço de sua filha. Segue-se uma baraita que estende, a partir de "ou saco", a impureza do réptil ao kilkeli (a cabeçada do cavalo) e ao chavak (a cilha da sela), desde que fiados e tecidos, excluindo cordas e tiras meramente trançadas; e, por meio de um raciocínio e depois de uma analogia verbal entre "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil e do morto, essa mesma inclusão — e, na direção inversa, também a extensão a coisas feitas de cauda de cavalo e de cauda de vaca como se fossem obra de pelos de cabra — se estende de um caso para o outro. A Guemará então examina se essa analogia verbal está devidamente "livre" de necessidade própria no texto, condição sem a qual poderia ser refutada pela peculiaridade do réptil de tornar impuro até no tamanho de uma lentilha; conclui que ambos os lados — o do réptil, justaposto à emissão seminal, e o do morto, igualmente justaposto a ela — estão livres, respondendo assim mesmo à opinião mais exigente, que admite objeções contra analogias verbais livres apenas de um lado. A Guemará então se volta a uma sugya inteiramente nova, também ligada ao despojo de Midiã: o versículo sobre a oferta de utensílios de ouro trazida pelos comandantes do exército, no qual Rabi Elazar identifica o agil e o kumaz como moldes de partes do corpo feminino; a discussão entre Rav Yosef e Rabá sobre a tradução aramaica de "kumaz"; e o relato de que Moshe se irou contra os comandantes, temendo que tivessem repetido em Midiã a corrupção de Baal-Peor, seguido do diálogo em que Israel afirma não ter faltado ninguém ao pecado propriamente dito, mas admite não ter escapado ao pensamento — daí a oferta trazida como expiação. O daf termina, mais uma vez de modo excepcional, com o ensinamento da escola de Rabi Yishmael sobre por que aquela geração precisou de expiação, interrompido na palavra "por causa", retomando apenas na abertura de Shabat 64b.
"Utensílio", "utensílio", dali.
Completa-se aqui a resposta de Rava que ficara cortada ao final de 63b: assim como a palavra "utensílio", usada a respeito do despojo de Midiã, inclui um utensílio de ornamento e não apenas um utensílio de trabalho, também a mesma palavra "utensílio", usada a respeito dos répteis impuros, deve incluir um utensílio de ornamento — respondendo à objeção de que a fonte de Midiã não se aplicaria, por si só, aos répteis.
"'Utensílio', 'utensílio'" — a respeito dos répteis está escrito: "todo utensílio com que se faz trabalho, etc."; e do próprio versículo dos répteis não se poderia derivar, pois "com que se faz trabalho" não indica um utensílio de ornamento.
"Isso acrescenta o saco ao vestido, que é impuro por ser tecido." Ora, o vestido não é tecido?! Assim se quer dizer: isso acrescenta o saco ao vestido — ainda que não seja tecido, é impuro. Para que serve? Disse Rabi Yochanan: pois o pobre trança três fios e pendura no pescoço de sua filha.
A Guemará esclarece a cláusula final da baraita citada ao fim de 63b: dizer que o saco "acrescenta" algo ao vestido pareceria supérfluo, já que o próprio vestido é tecido; mas o que se quer dizer é que o saco é impuro mesmo sem ser tecido propriamente dito — e Rabi Yochanan explica o uso prático de um pedaço tão pequeno: o pobre, sem posses para ornamentos, trança apenas três fios de pelo de cabra e os pendura, como amuleto, no pescoço de sua filha.
"Saco" — é feito de pelo de cabra; e, embora não seja tecido, mas um pequeno trançado feito de pelo de cabra para pendurar nele amuletos no pescoço de sua filha, é impuro, pois esse é seu uso costumeiro, e é um ornamento; e isto é o que se quer dizer: que é impuro por ser tecido, ainda que não seja tecido. "Trança três fios, etc." — três fios de fiado de pelo de cabra tingido. "E pendura no pescoço de sua filha" — e essa trança sua é seu tecer, já que é fiado, como dissemos a respeito dos fios da flauta no início deste capítulo, que os chama de tecido; e o que disse "ainda que não seja tecido" significa que não é tecido propriamente dito.
Ensinaram os Sábios: "saco" — não tenho senão o saco; de onde se aprende para incluir o kilkeli e o chavak? Ensina o versículo: "ou saco". Poderia eu incluir também as cordas e as tiras? Ensina o versículo: "saco" — assim como o saco é fiado e tecido, também tudo deve ser fiado e tecido.
Uma baraita amplia o alcance da palavra "saco": a partícula "ou" permite incluir o kilkeli, a cabeçada do cavalo, e o chavak, a cilha da sela e do arreio — ambos feitos de pelo de cabra, fiados e tecidos; mas a repetição da própria palavra "saco" serve para excluir cordas e tiras meramente trançadas do pelo tal como arrancado, sem fiação.
"Não tenho senão o saco" — o que é feito para os pastores vestirem. "Kilkeli" — a cabeçada do cavalo, chamada em francês antigo "peitral". "Chavak" — a cilha da sela e do arreio, feita de pelo de cabra, fiada e tecida.
Eis que está dito a respeito do morto: "e todo utensílio de couro, e toda obra de pelos de cabra, etc., vos purificareis" — para incluir o kilkeli e o chavak.
A baraita traz um segundo apoio textual, agora a respeito da impureza transmitida pelo cadáver: a expressão "toda obra de pelos de cabra" serve para incluir os mesmos dois objetos.
Poderia eu incluir também as cordas e as tiras? Isto se aprende por raciocínio: a Torá declarou impureza a respeito do réptil, e declarou impureza a respeito do morto; assim como, ao declarar impureza a respeito do réptil, não declarou impuro senão o fiado e o tecido, também, ao declarar impureza a respeito do morto, não declarou impuro senão o fiado e o tecido.
A baraita antecipa e rejeita uma extensão indevida: poder-se-ia pensar que a mesma expressão ampla incluiria também cordas e tiras de medir, meramente trançadas sem fiação; mas um raciocínio comparativo entre a impureza do réptil e a do morto mostra que ambas se limitam ao fiado e ao tecido.
"Poderia eu incluir também as cordas e as tiras" — de medir, que se fazem trançando o pelo tal como foi arrancado, sem fiá-lo; e isso não se assemelha ao trançar três fios mencionado acima, pois ali é fiado, e essa é sua tecelagem. "Poderia eu incluir, etc." — visto que está escrito "todo". "E isto se aprende por raciocínio, que não devemos incluir" — e não é necessário um versículo para excluir.
Sim! Se [a Torá] foi indulgente quanto à impureza do réptil, que é leve, seremos nós indulgentes quanto à impureza do morto, que é severa?! Ensina o versículo "vestimenta" e "couro", "vestimenta" e "couro", para uma analogia verbal.
A baraita objeta ao raciocínio anterior: a impureza do réptil dura apenas até a tarde, ao passo que a do morto dura sete dias — comparar as duas seria equiparar o leve ao severo indevidamente. A resposta vem, então, não de um simples raciocínio, mas de uma analogia verbal firme entre as palavras "vestimenta" e "couro", repetidas em ambos os contextos.
"Sim" — é uma pergunta espantada: acaso as coisas são equiparáveis? "Se foi indulgente quanto à impureza do réptil, que é leve" — ou seja: se foi indulgente em não tornar impuras as cordas e as tiras, foi indulgente contigo no réptil, cuja impureza é leve, impureza até a tarde. "Seremos indulgentes" — também nós, por esta construção-modelo, quanto ao morto, cuja impureza é severa, impureza de sete dias?
Está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil, e está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do morto: assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil não tornam impuro senão o fiado e o tecido, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto não tornam impuro senão o fiado e o tecido.
A baraita formula a analogia verbal em sua primeira direção, confirmando o limite ao fiado e tecido em ambos os contextos, agora com base textual firme e não apenas raciocínio.
E assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto tornam impura toda obra de pelos de cabra, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil tornam impura toda obra de pelos de cabra.
A mesma analogia verbal opera também no sentido contrário: assim como se limitou o morto pelo réptil, estende-se agora o réptil pelo morto, para incluir toda obra de pelos de cabra — preparando o caminho para incluir também o kilkeli e o chavak no lado do réptil.
Não tenho senão a coisa feita de pelos de cabra; de onde se aprende para incluir a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca? Ensina o versículo: "ou saco".
A baraita estende ainda mais o alcance: também objetos feitos de cauda de cavalo ou de vaca, e não apenas de pelo de cabra, se incluem, a partir da mesma partícula "ou" já usada para o kilkeli e o chavak.
Mas não se tirou já dali o kilkeli e o chavak?
A Guemará observa uma dificuldade: a palavra "ou saco" já havia sido usada, num passo anterior, para incluir precisamente o kilkeli e o chavak — como pode agora servir também para incluir a cauda de cavalo e de vaca?
Isso era antes de vir a analogia verbal; agora que veio a analogia verbal, sobrou para ela.
A Guemará resolve a dificuldade: antes de se estabelecer a analogia verbal entre "vestimenta" e "couro", a palavra "ou saco" era necessária para incluir o kilkeli e o chavak; mas, agora que a analogia verbal já cumpre essa função por outra via, a palavra "ou saco" fica livre para servir a um novo propósito — incluir a cauda de cavalo e de vaca.
"Agora que veio a analogia verbal" — e, assim como se deriva o morto do réptil para excluir as cordas e as tiras, deriva-se também o réptil do morto para toda obra de pelos de cabra, incluindo o kilkeli e o chavak.
E não tenho isso senão a respeito do réptil; quanto à impureza do morto, de onde se aprende?
A Guemará observa que a extensão à cauda de cavalo e de vaca, derivada de "ou saco", só se demonstrou até agora a respeito do réptil, pois é ali que essa expressão está escrita; falta ainda estendê-la também à impureza do morto.
"Não tenho isso senão a respeito do réptil" — pois "ou saco" está escrito ali.
Isto se aprende por raciocínio: a Torá declarou impureza a respeito do morto, e declarou impureza a respeito do réptil; assim como, ao declarar impureza a respeito do réptil, tratou a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra, também, ao declarar impureza a respeito do morto, deve tratar a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra.
A Guemará propõe, primeiro, um simples raciocínio comparativo para estender ao morto o que já se estabelecera para o réptil.
Sim! Se [a Torá] estendeu quanto à impureza até a tarde, que é ampla, estenderemos nós quanto à impureza de sete dias, que é restrita?!
Como antes, o simples raciocínio é rejeitado: a impureza até a tarde, do réptil, aplica-se a muitos tipos de contato, sendo por isso "ampla"; a impureza de sete dias, do morto, aplica-se apenas ao contato com o próprio morto, sendo "restrita" — e não se pode estender indevidamente do caso amplo para o restrito por mera analogia de raciocínio.
"Se estendeu" — foi para tornar impura a coisa feita de cauda de cavalo que a Torá estendeu, na impureza até a tarde. "Que é ampla" — pois todos os contatos são de impureza até a tarde, seja do réptil, do animal morto, da emissão seminal, do contato com o zav, ou do contato com quem está impuro por morto. "Estenderemos nós quanto à impureza de sete dias, que é restrita" — pois não se aplica a todos os contatos, senão ao contato com o morto apenas.
Ensina o versículo "vestimenta" e "couro", "vestimenta" e "couro", para uma analogia verbal. Está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil, e está dito "vestimenta" e "couro" a respeito do morto: assim como "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do réptil tratam a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra, também "vestimenta" e "couro" ditos a respeito do morto tratam a coisa feita de cauda de cavalo e de cauda de vaca como obra de pelos de cabra.
Assim como no caso do kilkeli e do chavak, a extensão final à cauda de cavalo e de vaca se apoia, também aqui, na mesma analogia verbal firme entre "vestimenta" e "couro" — e não em simples raciocínio, que já se mostrara vulnerável a objeções.
E [essa analogia verbal deve ser] livre. Pois, se não fosse livre, haveria como refutar: o que há de peculiar no réptil, que torna impuro até no tamanho de uma lentilha?!
A Guemará introduz uma condição técnica para a validade de qualquer analogia verbal: as palavras usadas devem estar "livres", isto é, não ser estritamente necessárias no próprio contexto em que aparecem; caso contrário, a analogia poderia ser refutada por uma diferença relevante entre os dois casos — aqui, o fato de que o réptil, ao contrário do morto, transmite impureza mesmo num pedaço do tamanho de uma lentilha.
"Livre" — é preciso que esta analogia verbal, a partir das duas palavras "vestimenta" e "couro", esteja livre para esta interpretação, isto é, que não sejam necessárias por si mesmas; e, uma vez livres para aprender por analogia verbal, é como se a interpretação estivesse escrita explicitamente no versículo, e não se objeta contra ela. "Pois, se não fosse livre" — diríamos que vieram por si mesmas, e não derivaríamos disso este ensinamento. "Que haveria como refutar, etc." — e do mesmo modo se poderia dizer isso a respeito da primeira analogia verbal; porém expuseram toda a baraita primeiro, e a objeção recai sobre a parte final dela; e, com a resposta que se dá aqui, resolve-se também a primeira.
Em verdade, elas estão livres. Pois, afinal, o réptil está justaposto à emissão seminal, como está escrito: "o homem de quem sair emissão seminal", e logo em seguida: "o homem que tocar em qualquer réptil"; e está escrito a respeito da emissão seminal: "e toda vestimenta e todo couro sobre o qual houver emissão seminal" — para que preciso, então, de "vestimenta" e "couro" que o Misericordioso escreveu a respeito do réptil? Aprende-se disso que estão livres.
A Guemará demonstra a condição de "livre" para o lado do réptil: como a Torá justapõe, num mesmo contexto, o réptil à emissão seminal, e já se aprende, a respeito desta última, que vestimenta e couro se tornam impuros por ela, a menção separada de "vestimenta" e "couro" a respeito do réptil seria redundante — e, sendo redundante, está disponível para servir à analogia verbal.
"Em verdade" — de fato. "E está escrito a respeito da emissão seminal" — que vestimenta e couro são impuros por ela.
Mas ainda assim é livre apenas de um lado. Isso está bem para quem diz que, quando livre apenas de um lado, se pode aprender mas não se pode objetar; mas para quem diz que se aprende e se objeta, o que há a dizer?
A Guemará observa que a liberdade demonstrada vale apenas para o lado do réptil, e não ainda para o lado do morto — o que bastaria para a opinião mais branda, segundo a qual uma liberdade de um só lado impede objeções, mas não para a opinião mais rigorosa, segundo a qual, nesse caso, ainda se admitem objeções contra a analogia.
"De um lado" — os termos escritos a respeito do réptil estão livres, como dissemos; mas os escritos a respeito do morto não estão livres. "Isso está bem para quem diz, etc." — é a controvérsia de Rabi Yishmael e os Sábios, no tratado Nidá, no capítulo "Hamapelet" (Nidá 22b). "Mas para quem diz que se aprende" — se não há resposta. "E se objeta" — se há o que responder. "O que há a dizer?" — de fato há o que objetar, pois o réptil torna impuro até no tamanho de uma lentilha.
Pois também o morto está livre: afinal, o morto está justaposto à emissão seminal, como está escrito: "e quem tocar em qualquer impuro por um cadáver, ou o homem de quem sair emissão seminal"; e está escrito a respeito da emissão seminal: "e toda vestimenta e todo couro" — para que preciso, então, de "vestimenta" e "couro" que o Misericordioso escreveu a respeito do morto? Aprende-se disso que estão livres.
A Guemará estende a mesma demonstração ao lado do morto: também este está justaposto, num outro versículo, à emissão seminal, tornando igualmente redundante — e por isso livre — a menção de "vestimenta" e "couro" em seu contexto. Com isso, a analogia verbal se sustenta mesmo para a opinião mais rigorosa, que exige liberdade dos dois lados.
[Citação do versículo:] "e quem tocar em qualquer impuro por um cadáver, ou o homem de quem sair emissão seminal."
"E trouxemos a oferta do Eterno, cada homem que achou um utensílio de ouro: etzada e bracelete, anel, agil e kumaz." Disse Rabi Elazar: "agil" — esse é o molde dos seios; "kumaz" — esse é o molde do lugar do ventre.
Deixando a sugya da impureza de tecidos e ornamentos, a Guemará se volta a um novo versículo sobre o mesmo despojo de Midiã: a oferta de utensílios de ouro trazida pelos comandantes do exército israelita. Rabi Elazar identifica dois desses ornamentos — o agil e o kumaz — como moldes que reproduziam partes do corpo feminino, revelando o caráter sensual do despojo tomado das mulheres midianitas.
"Molde dos seios" — em que estes se colocam.
Disse Rav Yosef: se é assim, é por isso que traduzimos "machoch" — coisa que leva ao escárnio. Disse-lhe Rabá: já do próprio versículo se aprende isso: "kumaz" — [é como se dissesse] aqui, o lugar da luxúria.
Rav Yosef vê na explicação de Rabi Elazar a razão da tradução aramaica tradicional de "kumaz" por "machoch" — algo que provoca riso ou escárnio, por seu caráter obsceno. Rabá responde que não é preciso recorrer à tradução para tal conclusão: o próprio nome hebraico "kumaz" já se decompõe, por trocadilho, na frase "aqui o lugar da luxúria".
"Escárnio" — zombaria.
"E Moshe se irou contra os comandantes do exército." Disse Rav Nachman, disse Rabá bar Avuh: disse-lhes Moshe a Israel: acaso voltastes à vossa primeira corrupção? Disseram-lhe: "não faltou de nós nenhum homem". Disse-lhes: se assim é, para que a expiação? Disseram-lhe: se do pecado saímos, do pensamento não saímos! Imediatamente: "e trouxemos a oferta do Eterno".
A Guemará explica a ira de Moshe contra os comandantes: temia que, ao lidar com as mulheres midianitas capturadas, os soldados tivessem repetido a corrupção de Baal-Peor, quando Israel se prostituiu com as filhas de Moav. Os comandantes respondem que nenhum soldado transgrediu de fato; mas, quando Moshe pergunta então por que trazem uma oferta de expiação, admitem que, mesmo sem pecado consumado, não escaparam ao pensamento impróprio — e é por essa falha, mais sutil, que trazem imediatamente os ornamentos como oferta.
"À vossa corrupção" — a do episódio de Shitim, de se prostituir com as filhas de Moav; temia Moshe que assim tivésseis feito também em Midiã, e por isso precisásseis de uma oferta. "Não faltou" — não se perdeu o padrão de pureza de nenhum israelita.
Ensinou a escola de Rabi Yishmael: por que precisou Israel, naquela geração, de expiação? Por causa…
A escola de Rabi Yishmael retoma, num plano mais geral, a mesma pergunta que os comandantes haviam respondido a Moshe: por que toda aquela geração — não apenas os que tiveram contato direto com as midianitas — precisou de expiação. A resposta se inicia com "por causa", mas o daf se interrompe exatamente aí, retomando apenas na abertura de Shabat 64b: "por terem alimentado os olhos com a nudez proibida".