A folha abre completando, em sua primeira palavra, a frase que 74a havia deixado cortada ao final: Chizkiyah ensinara que quem escolhe tremoços do meio de sua própria casca é responsável, e a Guemará começara a explicar a diferença entre o tremoço e qualquer outro alimento com as palavras "diferente é o tremoço..." — sem predicado. Aqui, o predicado chega: "que se ferve sete vezes, e se não for retirado da água, apodrece — e por isso é como refugo do meio do alimento". O tremoço, ao contrário de outros grãos, precisa ser fervido repetidas vezes para perder o amargor; a cada fervura, sua casca ainda amarga é tratada como refugo indesejável que, se deixado junto ao grão por tempo demais, o deteriora — de modo que separar o grão da casca não é "escolher alimento do meio do refugo" (permitido para consumo imediato), mas "escolher refugo do meio do alimento" (proibido), pois a casca, aqui, age ativamente contra o alimento, e não é um refugo indiferente. Encerrada esta sugia, a Guemará passa à categoria seguinte da Mishná, "o que mói" (tochen): Rav Papa ensina que quem corta acelga fina é responsável por moer, e Rav Menashe ensina o mesmo para quem racha lenha em lascas finas; Rav Ashi acrescenta que, se a pessoa se preocupa com a medida exata do corte, é responsável antes por "o que corta" (mechatech) do que por moer. Passa-se então a "o que amassa e o que assa": Rav Papa pergunta por que a nossa Mishná, que já mencionara o cozimento das ervas dos corantes no Tabernáculo, tomou "assar" (associado ao pão) em vez de repetir "cozinhar" — e responde que a Mishná segue a sequência da preparação do pão, e assar o pão é, em essência, como cozinhar as ervas dos corantes. Seguem-se dois casos de "o que cozinha": Rav Acha bar Rav Avira ensina que quem lança uma cavilha úmida ao forno quente para endurecê-la é responsável, pois a umidade amolece antes de a cavilha endurecer — o processo de cozimento ocorre nesse amolecer intermediário; e Rabá bar Rav Huna ensina o mesmo para quem derrete piche, ainda que este volte a endurecer depois de frio. Rava then calcula quantas categorias de trabalho estão embutidas em fabricar um barril de barro (sete: moer os torrões, escolher as pedras, peneirar, amassar o barro, alisá-lo, acender o forno e queimá-lo) e um forno (oito, pois inclui ainda rebocá-lo por fora); Abaye calcula as de um cesto de junco (onze — cortar os juncos, ajuntá-los, escolher os melhores, alisá-los, cortá-los por medida, urdir, tecer os fios de amarração, tecer o cesto e aparar as bordas —, treze se a boca for costurada e amarrada). Passa-se então à categoria "o que tosquia e o que branqueia a lã": Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, ensina que quem fia lã ainda sobre o corpo do animal no Shabat é responsável por três oferendas de pecado — tosquiar, cardar e fiar — mas Rav Kahana contesta que isso não é o modo costumeiro de tosquiar, cardar nem fiar; a objeção é rejeitada por uma baraita, em nome de Rabi Nechemia, que descreve as cabras lavadas e fiadas ainda vivas, com sabedoria excepcional. Segue-se uma baraita sobre quem arranca a grande pena da asa de uma ave, apara sua ponta fina e depena o restante — responsável por três oferendas, segundo Reish Lakish (arrancar por tosquiar, aparar por cortar, depenar por alisar). A Guemará passa a "o que amarra e o que desata" (hakosher vehamatir), perguntando onde amarrar ocorreu no Tabernáculo, e percorre quatro tentativas: Rava propõe as estacas das tendas — mas isso é amarrar para desatar (ao desmontar o acampamento), categoria isenta; Abaye propõe os tecelões das cortinas que amarram um fio de urdidura rompido — mas Rava replica que isso explica apenas "amarrar", não "desatar"; por fim, Rava (ou, segundo outra versão, Rabi Ilai) propõe os caçadores do chilazon (o molusco da tintura azul), que amarram e desatam as redes de captura conforme a necessidade, resolvendo ambos os lados da categoria. Segue-se brevemente "o que costura dois pontos": Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, esclarece que a responsabilidade exige que os dois pontos estejam amarrados nas pontas (senão a costura não permanece). A folha se fecha abrindo a última categoria da Mishná examinada nesta sequência, "o que rasga para costurar dois pontos": a Guemará pergunta onde rasgar ocorreu no Tabernáculo, e começa a responder com os nomes de Rabá e Rabi Zeira, que ambos disseram... — mas, exatamente neste ponto, a impressão de Vílna vira a página, e a frase fica gramaticalmente incompleta, a completar-se apenas na abertura de 75a.
Esta primeira linha de 74b não é um raciocínio novo: é a conclusão direta e gramatical da frase que a Guemará havia começado ao final de 74a — "שָׁאנֵי תּוּרְמוֹסָא" ("diferente é o tremoço...") —, interrompida pela virada da página sem predicado. Aqui, o predicado enfim chega: "דְּשָׁלְקִי לֵיהּ שִׁבְעָא זִימְנֵי, וְאִי לָא שָׁקְלִי לֵיהּ מַסְרַח" ("que se ferve sete vezes, e se não for retirado, apodrece"). A ideia completa: Chizkiyah havia ensinado que quem escolhe tremoços do meio de sua casca é responsável por oferenda de pecado — o que parecia contradizer a regra de Abaye, aprovada por Rava, segundo a qual escolher alimento do meio do refugo para consumo imediato é permitido. A resposta agora se completa: o tremoço é diferente de qualquer outro alimento porque precisa ser fervido sete vezes para perder seu amargor, e, se não for retirado da água a tempo entre uma fervura e outra, apodrece — de modo que sua casca, enquanto ainda misturada ao grão, não é um refugo passivo e indiferente, mas algo que ativamente deteriora o alimento se não for separado. Por isso, escolher o tremoço de sua casca equivale, na prática, a "escolher refugo do meio do alimento" — a categoria plena e proibida — e não a "escolher alimento do meio do refugo", que seria permitida para consumo imediato.
...que se ferve sete vezes, e se não for retirado, apodrece — e é como refugo do meio do alimento.
"'Que se ferve sete vezes'" — para adoçá-lo e retirar-lhe o amargor. "'E se não for retirado'" — o alimento do meio do refugo, por ser mole e amolecido de tanto ser fervido. "'Apodrece'" — e por isso, ainda que continue sendo alimento enquanto misturado, torna-se como refugo, e agrava-se sobre quem o retira, para que seja como quem retira refugo do meio do alimento; ademais, Rabeinu Levi lê de outro modo: "e se retirado, dissolve-se" — quando o toma, dissolve-se entre os dedos e se estraga, e por isso o que é retirado é como refugo, e o que resta é alimento, até que volte a retirá-lo.
E "o que mói": disse Rav Papa: quem corta acelga fina é responsável por "o que mói". Disse Rav Menashe: quem racha lenha em lascas finas é responsável por "o que mói". Disse Rav Ashi: se se preocupa com a medida, é responsável por "o que corta".
A Mishná das trinta e nove categorias inclui "o que mói" (tochen), normalmente entendido como moer grãos. Rav Papa e Rav Menashe estendem esta categoria a ações que, à primeira vista, parecem apenas cortar: cortar acelga em pedaços muito finos, ou rachar lenha em lascas muito finas, produz um resultado equivalente ao de moer — reduzir algo a partes pequenas e uniformes — e por isso gera a mesma responsabilidade. Rav Ashi refina esta regra: se a pessoa corta com a intenção de obter pedaços de tamanho exato e específico (preocupando-se com a medida), a ação se assemelha mais a "o que corta" (mechatech, a categoria derivada de cortar peles por medida, ensinada em 75b) do que a "o que mói" (cujo objetivo é reduzir a pedaços pequenos, sem medida fixa).
"'Quem corta acelga'" — o verbo se lê com a letra mem (parim), e não com samech, tal como se explica em outro lugar: corta-a fina. "'Quem racha lenha'" — em pedaços de madeira finos, para acender fogo. "'Se se preocupa com a medida'" — para cortá-los em medida exata. "'O que corta'" — a categoria de quem corta o couro por medida.
E "o que amassa e o que assa". Disse Rav Papa: nosso tanna abandonou "o que cozinha os corantes", que ocorreu no Tabernáculo, e tomou "o que assa"?! Nosso tanna tomou a sequência da preparação do pão.
Rav Papa nota uma aparente anomalia: assar pão, ao contrário das outras categorias já discutidas, não ocorreu literalmente no Tabernáculo — lá se cozinhavam as ervas dos corantes, não se assava pão. Por que, então, a Mishná tomou "o que assa" como categoria principal, e não simplesmente "o que cozinha", que teria a vantagem de corresponder exatamente ao que se fez no Tabernáculo? A resposta: a Mishná, ao chegar a este ponto da lista, está seguindo a sequência natural da preparação do pão (semear, colher, debulhar, peneirar, escolher, moer, peneirar fino, amassar, assar), e por isso, dentro desta sequência, nomeou "assar" — que é, em essência, uma forma de "cozinhar" (o calor transforma a massa, assim como transforma as ervas dos corantes), e assim se conecta legitimamente ao trabalho do Tabernáculo, ainda que por meio de uma categoria mais específica que a original.
"'E tomou "o que assa"'" — que não se relaciona em nada com o trabalho do Tabernáculo. "'A sequência da preparação do pão'" — já que a começou, tomou "o que assa" no lugar de "o que cozinha os corantes", pois este é o cozimento próprio do pão.
Disse Rav Acha bar Rav Avira: quem lança uma cavilha ao forno é responsável por "o que cozinha". Isto é óbvio! Poderia se pensar que sua intenção é apenas endurecer o utensílio — por isso nos ensina que a cavilha primeiro se amolece, e depois endurece de novo. Disse Rabá bar Rav Huna: quem ferve piche é responsável por "o que cozinha". Isto é óbvio! Poderia se pensar que, já que volta a endurecer, se diria que não é responsável — por isso nos ensina que é.
Dois casos aparentemente óbvios de "o que cozinha" (mevashel) são trazidos, cada um com uma razão para não serem tão óbvios quanto parecem. No primeiro, alguém lança uma cavilha de madeira ainda úmida a um forno quente, para endurecê-la e torná-la utilizável. Poder-se-ia pensar que isto é apenas "fortalecer um utensílio" (um efeito mecânico, sem cozimento propriamente dito) — mas a Guemará explica que o processo passa por uma fase intermediária em que o calor faz a umidade sair, amolecendo a madeira antes que ela endureça definitivamente; e é justamente esse amolecimento pelo calor que constitui "cozinhar". No segundo caso, alguém derrete piche (usado para calafetar) ao fogo. Poder-se-ia pensar que, já que o piche volta a endurecer ao esfriar (ao contrário de um alimento cozido, que não reverte ao estado cru), não haveria responsabilidade por "cozinhar" — mas a Guemará ensina que há responsabilidade de qualquer modo, pois o próprio ato de derreter pela ação do calor já constitui a categoria, independentemente da reversibilidade.
"'Quem lança a cavilha'" — que lançou uma estaca úmida a um forno quente, para secá-la, para que endureça. "'Para fortalecer'" — para reforçar, e não há aqui cozimento algum. "'Primeiro se amolece'" — pelo calor do fogo, e a água em seu interior sai; e depois que sua umidade sai, endurece; e quando se amolece no início, ali está seu cozimento. "'Quem ferve piche'" — que derreteu piche. "'Volta a endurecer'" — torna a endurecer.
Disse Rava: quem faz um barril de barro é responsável por sete oferendas de pecado. Quem faz um forno é responsável por oito oferendas de pecado. Disse Abaye: quem faz um cesto de junco é responsável por onze oferendas de pecado. E se lhe costurou a boca, é responsável por treze oferendas de pecado.
Rava e Abaye somam, para três objetos comuns, quantas das trinta e nove categorias principais de trabalho se combinam em sua fabricação completa, caso alguém realizasse todo o processo em um só Shabat. No barril de barro: moer os torrões de terra, escolher as pedras do meio da terra, peneirá-la, amassar o barro com água, alisar a superfície ao moldá-lo (a categoria de "o que alisa", memachek), acender o fogo no forno de cerâmica e queimar o barril nele (mevashel) — sete no total; não se conta "o que cava", pois a terra é apenas retirada da superfície, sem necessidade de cavar propriamente. No forno de cerâmica: as mesmas sete, mais rebocá-lo por fora com uma camada de barro após a queima — oito no total. No cesto de junco trançado: cortar os juncos (a categoria de colher/ceifar), ajuntá-los em feixe (a categoria de amontoar), escolher os melhores, alisá-los, cortá-los por medida, preparar a urdidura, tecer os fios de amarração que sustentam a urdidura, tecer o cesto propriamente, e aparar as pontas ao final — onze no total; se, além disso, costurou e amarrou a boca do cesto, somam-se costurar e amarrar — treze no total.
"'Barril'" — de barro. "'Sete oferendas'" — mói os torrões e os tritura fino, eis "o que mói"; e escolhe as pedras grossas do meio deles, eis duas; e os peneira na peneira; e amassa o barro, isto é "o que amassa"; e alisa o barro ao fazer a peça, para que fique liso, eis "o que alisa"; e acende o fogo no forno e o queima ali dentro, eis "o que cozinha" — não há responsabilidade por "o que cava", pois só precisa da terra da superfície. "'O forno é responsável por oito'" — pois, depois de queimá-lo no forno, reboca-o por fora, para que a parede fique espessa e seu calor se mantenha. "'Cesto'" — colmeia de junco. "'Responsável por onze'" — poda os juncos, e precisa deles, é responsável por "o que colhe" e por "o que planta" (a categoria derivada de colher); ajunta-os, eis "o que amontoa"; escolhe os melhores, eis "o que escolhe"... "'E se lhe costurou a boca'" — para fazer-lhe uma borda, o cálculo acrescenta aqui costurar e amarrar, pois precisa amarrar depois de costurar.
"O que tosquia a lã e o que a branqueia": disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: quem fia lã que está sobre o animal, no Shabat, é responsável por três oferendas de pecado: uma por "o que tosquia", uma por "o que carda", e uma por "o que fia". Rav Kahana disse: não é este o modo de tosquiar, não é este o modo de cardar, não é este o modo de fiar. Mas não é assim? Ora, foi ensinado em nome de Rabi Nechemia: "lavado nas próprias cabras, e fiado nas próprias cabras" — logo, fiar sobre o corpo do animal se chama fiar! Sabedoria excepcional é diferente.
A Mishná menciona "o que tosquia a lã e o que a branqueia" entre as categorias derivadas do trabalho com tecidos. Rabi Yochanan ensina um caso extremo: quem, num só gesto contínuo, fia lã diretamente do corpo do animal vivo (sem primeiro tosquiá-la, lavá-la e cardá-la separadamente) é responsável por três categorias de uma só vez — tosquiar (ao arrancar a lã), cardar (ao desembaraçar as fibras) e fiar (ao torcê-las em fio) — pois todas ocorrem, de fato, ainda que de modo incomum. Rav Kahana contesta que nenhuma destas três ações, feita deste modo incomum, se qualifica como o "modo" (derech) que a Torá proíbe — pois a categoria de trabalho proibido exige que a ação seja realizada da forma humanamente costumeira, e ninguém tosquia, carda ou fia puxando a lã diretamente do animal vivo. A Guemará resolve a objeção citando uma baraita sobre as cortinas do Tabernáculo, tecidas com lã de cabra "lavada e fiada nas próprias cabras" — ou seja, ainda sobre o corpo do animal —, numa demonstração da sabedoria excepcional das mulheres que teceram para o Tabernáculo (Êxodo 35:26, "toda mulher sábia de coração fiou com suas mãos"); e, já que isto de fato ocorreu no Tabernáculo, "fiar sobre o animal" é, sim, reconhecido como fiar. A objeção de Rav Kahana é descartada com a distinção: aquilo era um feito de sabedoria excepcional, reservado a poucas, e não o modo costumeiro do trabalho — mas, mesmo assim, sendo tecnicamente possível e de fato realizado no Tabernáculo, gera responsabilidade plena, como ensinara Rabi Yochanan.
"'Lavado nas cabras, e fiado nas cabras'" — a baraita interpreta o versículo "fiaram a lã das cabras" (Êxodo 35) como indicando no próprio corpo das cabras. "'Sabedoria excepcional'" — como está escrito, "e toda mulher sábia de coração fiou com suas mãos"; mas para o homem comum não é este o seu modo, e é feito de modo incomum.
Ensinaram os rabinos: quem arranca a grande pena da asa, apara sua ponta, e a depena, é responsável por três oferendas de pecado. E disse Rabi Shimon ben Lakish: quem arranca é responsável por "o que tosquia"; quem apara é responsável por "o que corta"; quem depena é responsável por "o que alisa".
Uma baraita descreve três etapas sucessivas no processamento de uma pena grande retirada da asa de uma ave, usada para forrar travesseiros e colchões ou para fazer capacetes: primeiro se arranca a pena da asa; depois se apara sua ponta fina e rígida, cortando-a no ponto exato onde se torna útil; e por fim se depenam as barbas da pena (a parte macia junto à haste), para usá-las como enchimento. Reish Lakish atribui cada uma destas três etapas a uma categoria distinta da Mishná: arrancar corresponde a "o que tosquia" (gozez, pois se retira algo do corpo do animal); aparar corresponde a "o que corta" (mechatech, pois se corta com precisão de medida); e depenar corresponde a "o que alisa" (memachek, a mesma categoria de alisar o couro, aplicada aqui a alisar a haste da pena ao retirar suas barbas).
"'Quem arranca a pena'" — a grande pena da asa da ave. "'E a apara'" — depois de arrancá-la, corta sua ponta, que é fina e própria para colocar em travesseiro e colchão. "'E a depena'" — do lado de sua haste, que é rígida, depena o pelo macio deste e daquele lado, e descarta a haste, colocando o pelo em travesseiro e colchão. "'Por "o que corta"'" — pois se preocupa em cortar até o ponto próprio, e também com a haste tecem chapéus, e fazem chapéus de asas de aves sem o pelo. "'Por "o que alisa"'" — pois assim se ensina a respeito do couro, "o que o alisa".
"O que amarra e o que desata": amarrar, onde ocorreu no Tabernáculo? Disse Rava: já que se amarravam as estacas das tendas. Amarravam?! Aquilo é amarrar para desatar. Antes, disse Abaye: já que os tecelões das cortinas, quando lhes rompia um fio, o amarravam. Disse-lhe Rava: resolveste "o que amarra"; "o que desata", o que há a dizer? E se disseres que, quando lhe ocorriam dois nós juntos, desatava um e amarrava outro — ora, diante de um rei de carne e sangue não se faz assim; diante do Rei dos reis dos reis, o Santo, bendito seja, se faria?! Antes, disse Rava — e há quem diga, Rabi Ilai: já que os caçadores do chilazon amarram e desatam.
A Guemará busca a origem, no trabalho do Tabernáculo, das categorias "o que amarra" (kosher) e "o que desata" (matir), que devem ambas ter ocorrido ali para serem contadas como categorias plenas. Rava propõe, primeiro, as estacas das tendas do acampamento, amarradas com cordas ao chão — mas isto é rejeitado, pois amarrar uma estaca é "amarrar com a intenção de desatar" (quando o acampamento se movesse), uma forma reduzida e isenta de amarrar, não a categoria plena. Abaye propõe os fios de urdidura das cortinas do Tabernáculo: quando um fio se rompia durante a tecelagem, as tecelãs o amarravam para continuar o trabalho — um nó permanente e pleno. Mas Rava replica que isto explica apenas "o que amarra"; não há, nesta cena, nenhum "desatar" correspondente. Rava rejeita ainda uma tentativa hipotética de explicar "desatar" a partir do mesmo cenário (quando dois nós ocorriam próximos um do outro, desfazendo um para reamarrar de modo mais econômico) com um argumento a fortiori: se nem diante de um rei humano se agiria de modo tão displicente com o material do trabalho, muito menos se faria assim no serviço do Tabernáculo, diante do Rei dos reis. Por fim, Rava (segundo outra tradição, Rabi Ilai) encontra a origem definitiva: os caçadores do chilazon (o molusco cujo sangue tingia de azul o tejelet usado nas cortinas) amarravam e desatavam as redes de captura conforme a necessidade — resolvendo, de uma só vez, ambos os lados da categoria.
"'Com as estacas das tendas'" — fincam-se estacas no chão, como está escrito, "as estacas do Tabernáculo", e amarram-se ali as cortinas com suas cordas. "'Aquilo é amarrar para desatar'" — e deste modo isentamos mais adiante, pois foi ensinado: "todo nó que não é permanente, não se é responsável por ele". "'Juntos'" — em dois fios lado a lado. "'Desata um'" — depois de tecidos, desata um, pois os nós se sobressaem e aparecem. "'E amarra outro'" — isto é, deixa-o como está. "'Os caçadores do chilazon'" — para tingir o azul com seu sangue, e é como um pequeno peixe que sobe à superfície uma vez a cada setenta anos. "'Amarram e desatam'" — pois todas as redes são feitas de nós sobre nós, e são nós permanentes, e às vezes é preciso tirar fios desta rede e acrescentar a outra: desata daqui e amarra ali.
"E o que costura dois pontos": mas isto não permanece! Disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: e isso, apenas se os amarrou.
A Mishná conta "o que costura dois pontos" como categoria de trabalho. A Guemará observa que dois pontos de costura, por si sós, sem serem amarrados nas pontas, não permanecem — o fio se soltaria e a costura se desfaria, não constituindo um trabalho "permanente" no sentido exigido para responsabilidade plena. Rabi Yochanan esclarece: a responsabilidade só se aplica quando os pontos foram amarrados, garantindo que a costura persista.
"'Mas isto não permanece'" — assim, e já que não permanece, não é categoria de trabalho. "'Que os amarrou'" — que amarrou as duas pontas do fio.
"O que rasga para costurar": rasgar, ocorreu no Tabernáculo? Rabá e Rabi Zeira, que ambos disseram...