A Mishná desta halachá é nova: trata do zav que teve keri, da nidá que expeliu sêmen e da mulher que, durante a relação conjugal, percebeu que começou a menstruar — todos precisam de imersão, segundo os sábios, mas Rabi Yehudá os isenta. A halachá pergunta se de fato adianta alguma coisa imergir-se por uma impureza leve quando já existe, ou sobrevém, uma impureza severa; investiga a razão de Rabi Yehudá — se é porque a imersão não traz proveito algum, ou porque não há sentido em nomear impureza leve na presença de impureza severa —, e conclui, por eliminação, que a segunda é a razão correta; e por fim discute se essa regra vale igualmente quando a impureza leve chega por último e quando a severa chega por último, concluindo que os dois casos se equivalem. Com esta halachá termina o Perek Guimel de Massechet Berachot.
O zav (homem com fluxo de gonorreia) que teve keri (emissão seminal), e a nidá (mulher menstruada) que expeliu sêmen (teve um orgasmo), e a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisam de imersão; e Rabi Yehudá os isenta.
Até aqui, tratou-se do zav que teve keri; mas mesmo no caso de keri que teve, em seguida, zov (fluxo de gonorreia), adianta alguma coisa que ele se imerja? Ouçamos isto a partir do seguinte: "a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisa de imersão; e Rabi Yehudá a isenta" (citação da Mishná — pois também aqui a impureza leve do keri veio primeiro, e a severa, da nidá, veio depois, provando que a mesma dúvida se aplica a ambos os casos).
Qual é a razão de Rabi Yehudá? É porque ele entende que não adianta nada que ele se imerja? Ou é porque não há nome de impureza leve diante de impureza severa (isto é, a impureza severa absorve e anula a designação da leve, tornando a imersão por ela inútil não por falta de efeito prático, mas por falta de sentido)? Qual é a diferença entre essas duas explicações? No caso de quem teve keri (sem impureza severa alguma): se dizes que a razão é que não adianta nada que ele se imerja, nesse caso adianta, sim (pois elimina a proibição rabínica de estudar Torá e ler o Shemá sem lavar-se) — logo, a única razão é que não há nome de impureza leve diante de impureza severa!
Até aqui, tratou-se do caso em que a impureza leve lhe veio por último (o keri depois do zov); mas será assim também quando a impureza severa lhe vem por último (a nidá depois do keri, como no caso da mulher durante a relação)? Ouçamos isto a partir do seguinte: "a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisa de imersão; e Rabi Yehudá a isenta" (citação da Mishná). Isto ensina que este caso é igual àquele caso.
Esta é a sexta e última halachá do Perek Guimel do Talmud Yerushalmi, Massechet Berachot, e comenta uma nova Mishná, distinta da que abriu a halachá anterior: a do zav que teve keri, da nidá que expeliu sêmen durante o orgasmo, e da mulher que percebeu ter começado a menstruar durante a relação conjugal — casos em que os sábios exigem imersão, e Rabi Yehudá isenta. A halachá abre perguntando se, no caso inverso — o de quem teve keri e depois zov —, a imersão pela impureza leve ainda faz algum sentido, e traz a prova de que a mesma pergunta vale a partir da Mishná da mulher durante a relação. Em seguida busca a razão exata de Rabi Yehudá: não que a imersão seja tecnicamente inútil (pois, no caso do keri isolado, ela de fato tem efeito prático, ao permitir o estudo de Torá e a leitura do Shemá), mas que não existe, do ponto de vista conceitual, um "nome" de impureza leve quando já há, ou sobrevém, uma impureza severa — a impureza severa absorve a designação da leve. Por fim, a halachá pergunta se essa regra vale apenas quando a impureza leve vem por último, ou também quando é a severa que vem por último, e conclui, a partir da mesma Mishná da mulher durante a relação, que os dois casos são equivalentes. Com esta halachá termina o Perek Guimel de Massechet Berachot no Talmud Yerushalmi. O tema — as leis de zav, zavá, nidá e keri, e a discussão sobre impurezas leves e severas combinadas — corresponde, no Talmud Bavli, à sugia de Berachot 26a, ainda não traduzida nesta biblioteca, que até o momento cobre apenas 2a–16b; por isso não há, no momento, um link cruzado direto para um daf já publicado do Bavli.