Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Guimel · Halachá 6 (última)
בְּרָכוֹת

O zav que teve keri, a nidá que expeliu sêmen e a mulher que viu nidá durante a relação: quando a imersão por impureza leve ainda ajuda diante de uma impureza severa

Perek Guimel, Halachá 6 (completa) — encerra o Perek Guimel

A Mishná desta halachá é nova: trata do zav que teve keri, da nidá que expeliu sêmen e da mulher que, durante a relação conjugal, percebeu que começou a menstruar — todos precisam de imersão, segundo os sábios, mas Rabi Yehudá os isenta. A halachá pergunta se de fato adianta alguma coisa imergir-se por uma impureza leve quando já existe, ou sobrevém, uma impureza severa; investiga a razão de Rabi Yehudá — se é porque a imersão não traz proveito algum, ou porque não há sentido em nomear impureza leve na presença de impureza severa —, e conclui, por eliminação, que a segunda é a razão correta; e por fim discute se essa regra vale igualmente quando a impureza leve chega por último e quando a severa chega por último, concluindo que os dois casos se equivalem. Com esta halachá termina o Perek Guimel de Massechet Berachot.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

זָב שֶׁרָאָה קֶרִי וְנִדָּה שֶׁפָּלְטָה שִׁכְבַת זֶרַע וְהַמְּשַׁמֶּשֶׁת שֶׁרָאֲתָה נִדָּה צְרִיכָה טְבִילָה וְרִבִּי יוּדָה פּוֹטֵר.

O zav (homem com fluxo de gonorreia) que teve keri (emissão seminal), e a nidá (mulher menstruada) que expeliu sêmen (teve um orgasmo), e a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisam de imersão; e Rabi Yehudá os isenta.

A Halachá · הֲלָכָה ו

01O zav que teve keri e o keri que teve zov: adianta algo imergir-se?
Yerushalmi · Berachot 3:6
עַד כְּדוֹן זָב שֶׁרָאָה קֶרִי וַאֲפִילוּ קֶרִי שֶׁרָאָה זוֹב מוֹעִיל הוּא שֶׁהוּא טוֹבֵל. נִשְׁמְעִנָהּ מִן הֲדָא הַמְּשַׁמֶּשֶׁת שֶׁרָאֲתָה נִדָּה צְרִיכָה טְבִילָה. וְרִבִּי יוּדָה פּוֹטֵר.

Até aqui, tratou-se do zav que teve keri; mas mesmo no caso de keri que teve, em seguida, zov (fluxo de gonorreia), adianta alguma coisa que ele se imerja? Ouçamos isto a partir do seguinte: "a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisa de imersão; e Rabi Yehudá a isenta" (citação da Mishná — pois também aqui a impureza leve do keri veio primeiro, e a severa, da nidá, veio depois, provando que a mesma dúvida se aplica a ambos os casos).

02A razão de Rabi Yehudá: não há nome de impureza leve diante de impureza severa
Yerushalmi · Berachot 3:6
מַה טַעַם דְּרִבִּי יוּדָה מִשֻּׁם מַה מוֹעִיל הוּא שֶׁהוּא טוֹבֵל שֶׁאִם שֵׁם לְטוּמְאָה קַלָּה אֵצֶל טוּמְאָה חֲמוּרָה. מַה נָפַק מִבֵּינֵיהוֹן רָאָה קֶרִי אִין תֵּימַר מַה מוֹעִיל שֶׁהוּא טוֹבֵל מוֹעִיל הוּא הֲוֵי לֵית טַעֲמֵיהּ דְּלָא מִשּׁוּם שֶׁאֵין שֵׁם לְטוּמְאָה קַלָּה אֵצֶל טוּמְאָה חֲמוּרָה.

Qual é a razão de Rabi Yehudá? É porque ele entende que não adianta nada que ele se imerja? Ou é porque não há nome de impureza leve diante de impureza severa (isto é, a impureza severa absorve e anula a designação da leve, tornando a imersão por ela inútil não por falta de efeito prático, mas por falta de sentido)? Qual é a diferença entre essas duas explicações? No caso de quem teve keri (sem impureza severa alguma): se dizes que a razão é que não adianta nada que ele se imerja, nesse caso adianta, sim (pois elimina a proibição rabínica de estudar Torá e ler o Shemá sem lavar-se) — logo, a única razão é que não há nome de impureza leve diante de impureza severa!

03A impureza leve no início ou no fim: os dois casos se equivalem
Yerushalmi · Berachot 3:6
עַד כְּדוֹן כְּשֶׁבָּאָת לוֹ טוּמְאָה קַלָּה בְּסוֹף. אֲפִילוּ בָּאָת לוֹ טוּמְאָה חֲמוּרָה בְסוֹף. נִשְׁמְעִינָהּ מִן הֲדָא וְהַמְּשַׁמֶּשֶׁת שֶׁרָאֲתָה נִדָּה צְרִיכָה טְבִילָה וְרִבִּי יוּדָה פּוֹטֵר. הֲדָא אָמְרָה הִיא הֲדָא הִיא אֲדָא.

Até aqui, tratou-se do caso em que a impureza leve lhe veio por último (o keri depois do zov); mas será assim também quando a impureza severa lhe vem por último (a nidá depois do keri, como no caso da mulher durante a relação)? Ouçamos isto a partir do seguinte: "a mulher que, enquanto tinha relação conjugal, percebeu que começou a menstruar, precisa de imersão; e Rabi Yehudá a isenta" (citação da Mishná). Isto ensina que este caso é igual àquele caso.

Nota

Esta é a sexta e última halachá do Perek Guimel do Talmud Yerushalmi, Massechet Berachot, e comenta uma nova Mishná, distinta da que abriu a halachá anterior: a do zav que teve keri, da nidá que expeliu sêmen durante o orgasmo, e da mulher que percebeu ter começado a menstruar durante a relação conjugal — casos em que os sábios exigem imersão, e Rabi Yehudá isenta. A halachá abre perguntando se, no caso inverso — o de quem teve keri e depois zov —, a imersão pela impureza leve ainda faz algum sentido, e traz a prova de que a mesma pergunta vale a partir da Mishná da mulher durante a relação. Em seguida busca a razão exata de Rabi Yehudá: não que a imersão seja tecnicamente inútil (pois, no caso do keri isolado, ela de fato tem efeito prático, ao permitir o estudo de Torá e a leitura do Shemá), mas que não existe, do ponto de vista conceitual, um "nome" de impureza leve quando já há, ou sobrevém, uma impureza severa — a impureza severa absorve a designação da leve. Por fim, a halachá pergunta se essa regra vale apenas quando a impureza leve vem por último, ou também quando é a severa que vem por último, e conclui, a partir da mesma Mishná da mulher durante a relação, que os dois casos são equivalentes. Com esta halachá termina o Perek Guimel de Massechet Berachot no Talmud Yerushalmi. O tema — as leis de zav, zavá, nidá e keri, e a discussão sobre impurezas leves e severas combinadas — corresponde, no Talmud Bavli, à sugia de Berachot 26a, ainda não traduzida nesta biblioteca, que até o momento cobre apenas 2a–16b; por isso não há, no momento, um link cruzado direto para um daf já publicado do Bavli.