Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Dalet · Halachá 6
בְּרָכוֹת

A oração de Mussaf e o "chever ir": quem está obrigado, e a regra de quem chega e encontra outros rezando

Perek Dalet, Halachá 6 (completa) — última halachá do capítulo

A Mishná traz a disputa entre Rabi Elazar ben Azaria, para quem a oração de Mussaf só se reza havendo "chever ir" — uma comunidade organizada na cidade —, os sábios, que a obrigam com ou sem "chever ir", e Rabi Yehudá, que, em nome de Rabi Elazar ben Azaria, isenta o particular onde já existe "chever ir". A halachá abre fixando a lei conforme Rabi Yehudá, com o costume de Shmuel, que só rezou Mussaf sozinho uma única vez; segue com a divergência sobre pastores e colhedores de figos, e com o episódio de Rabi Yanai, visto por Rabi Yochanan rezando Mussaf enquanto caminhava no mercado de Tsipori — de onde se extraem três ensinamentos, incluindo a regra de que se pode rezar caminhando quatro cotovelos entre uma oração e outra; discute se é preciso inovar algo de conteúdo na segunda oração para que ela não seja repetição vã; traz a regra de que quem reza e encontra dez homens ainda rezando deve rezar de novo com eles, ilustrada pelos episódios de Rav Nachman bar Yaacov e de Rav Chisda; discute o caso de quem já rezou Shacharit e encontra a congregação rezando Mussaf, com a condição de terminar antes que o oficiante chegue ao ponto de responder Amém; debate qual Amém é esse — o de "o Deus Santo" ou o de "que ouve a oração" —, conciliados por Rabi Pinchas como Shabat e dia comum; e fecha com a lei de que o mensageiro da congregação desobriga os demais, e a exigência de que ele esteja presente desde o início da oração, com a ordem das três primeiras bênçãos da Amidá.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה אוֹמֵר אֵין תְּפִילַּת הַמּוּסָפִין אֶלָּא בְּחֶבֶר עִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים בְּחֶבֶר עִיר וּשְׁלֹא בְּחֶבֶר עִיר. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר מִשְּׁמוֹ כָּל מָקוֹם שֶׁיֵּשׁ בּוֹ חֶבֶר עִיר הַיָּחִיד פָּטוּר מִתְּפִילַּת הַמּוּסָפִין.

Rabi Elazar ben Azaria diz: a oração de Mussaf só se reza havendo chever ir (uma comunidade organizada na cidade). E os sábios dizem: reza-se havendo chever ir e não havendo chever ir. Rabi Yehudá diz em seu nome (de Rabi Elazar ben Azaria): em todo lugar onde há chever ir, o particular está isento da oração de Mussaf.

A Halachá · הֲלָכָה ו

01Rabi Bibi em nome de Rabi Chaná: a lei segue Rabi Yehudá em nome de Rabi Elazar ben Azaria; o costume de Shmuel, que só rezou Mussaf sozinho uma única vez
Yerushalmi · Berachot 4:6
רִבִּי בִּיבִי בְשֵׁם רִבִּי חָנָה אָמַר הֲלָכָה כְּרִבִּי יוּדָה שֶׁאָמַר מִשּׁוּם רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה. מִילְתֵיהּ דִּשְׁמוּאֵל אֲמַר כֵּן דִּשְׁמוּאֵל אֲמַר אֲנָא מִן יוֹמֹיי לָא צְלִית דְּמוּסָפָא אֶלָּא חַד זְמָן דְּמִית בְּרֵיהּ דְּרֵישׁ גָּלוּתָא וְלָא צָּלוּ צִיבּוּרָא וּצְלִיית.

Rabi Bibi, em nome de Rabi Chaná, disse: a lei segue Rabi Yehudá, que a disse em nome de Rabi Elazar ben Azaria (isentando o particular onde há chever ir). A palavra de Shmuel diz o mesmo, pois Shmuel disse: eu, em todos os meus dias, nunca rezei Mussaf sozinho, exceto uma única vez, quando morreu o filho do Reish Galutá (o Exilarca), e a congregação não rezou naquele dia por causa do luto, e eu então rezei sozinho.

02A divergência dos sábios sobre pastores e colhedores de figos; o episódio de Rabi Yanai rezando Mussaf enquanto caminhava no mercado de Tsipori, e os três ensinamentos daí extraídos; Rabi Aba: mesmo parar por tempo equivalente basta
Yerushalmi · Berachot 4:6
מִילֵּיהוֹן דְּרַבָּנָן פְּלִיגָן. דָּמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אִידִי בְּשֵׁם רִבִּי שִׁמְעוֹן חֲסִידָא בְּרוֹעִים וּבְקַיָיצִים. הָא מַתְנִיתָא לָא אֲמַר אֶלָּא בְּרוֹעִים וּבְקַיָיצִים הָא שְׁאָר כָּל אָדָם חַיָיבִין. מִילְתֵיהּ דְּרִבִּי יוֹחָנָן אֲמַר כֵּן דָּמַר רִבִּי יוֹחָנָן אֲנִי רָאִיתִי אֶת רִבִּי יַנַּאי עוֹמֵד וּמִתְפַּלֵּל בְּשׁוּק שֶׁל צִיפּוֹרִין וּמְהַלֵּךְ אַרְבַּע אַמּוֹת וּמִתְפַּלֵּל שֶׁל מוּסָף. וְאֵין חֶבֶר עִיר בְּצִיפּוֹרִין. אַתְּ שְׁמַע מִינַּהּ תְּלָת. אַתְּ שְׁמַע מִינַּהּ שֶׁשּׁוּקֵי שֶׁל צִיפּוֹרִין כְּצִיפּוֹרִין. אַתְּ שְׁמַע מִינַּהּ חֲלוּקִין עַל רִבִּי יְהוּדָה שֶׁאָמַר מִשּׁוּם רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה. אַתְּ שְׁמַע מִינַּהּ שֶׁאָדָם מִתְפַּלֵּל וּמְהַלֵּךְ אַרְבַּע אַמּוֹת וּמִתְפַּלֵּל שֶׁל מוֹסָף. אָמַר רִבִּי אַבָּא וְלֹא סוֹף דָּבָר עַד שֶׁיְּהַלֵּךְ אַרְבַּע אַמּוֹת אֶלָּא אֲפִילוּ שָׁהָא כְּדֵי הִילּוּךְ אַרְבַּע אַמּוֹת.

As palavras dos sábios (que obrigam Mussaf mesmo havendo chever ir) estão em desacordo entre si. Pois Rabi Yaacov bar Idi, em nome de Rabi Shimon Chassidá, disse: a isenção vale apenas para pastores e colhedores de figos. Ora, esta baraita não disse a isenção senão para pastores e colhedores de figos — logo, todas as outras pessoas estão obrigadas (mesmo havendo chever ir, contradizendo a isenção geral). A palavra de Rabi Yochanan diz o mesmo, pois Rabi Yochanan disse: eu vi Rabi Yanai de pé, rezando no mercado de Tsipori, e depois caminhando quatro cotovelos e então rezando a oração de Mussaf. E não há chever ir em Tsipori (ou seja, no próprio mercado). Disso tu aprendes três coisas: tu aprendes disso que os mercados de Tsipori são considerados como a própria cidade de Tsipori; tu aprendes disso que essa prática discorda de Rabi Yehudá, que a disse em nome de Rabi Elazar ben Azaria (pois Rabi Yanai rezou Mussaf mesmo onde havia chever ir); tu aprendes disso que a pessoa reza uma oração, e depois caminha quatro cotovelos, e então reza a oração de Mussaf. Rabi Aba disse: e não é preciso necessariamente caminhar quatro cotovelos — basta até que a pessoa demore o tempo equivalente ao de caminhar quatro cotovelos.

03Rav e Shmuel: é preciso, ou não, inovar algo na segunda oração; Rabi Zeirá pergunta a Rabi Yossei o que conta como inovação
Yerushalmi · Berachot 4:6
רַב אָמַר צָרִיךְ לְחַדֵּשׁ בָּהּ דָּבָר. וּשְׁמוּאֵל אָמַר אֵין צָרִיךְ לְחַדֵּשׁ בָּהּ דָּבָר. רִבִּי זְעִירָא בְּעִי קוֹמֵי רִבִּי יוֹסֵי מַהוּ לְחַדֵּשׁ בָּהּ דָּבָר. אָמַר לֵיהּ אֲפִילוּ אָמַר וְנַעֲשֶׂה לְפָנֶיךְ אֶת חוֹבוֹתֵינוּ תְּמִידֵי יוֹם וְקָרְבַּן מוּסָף יָצָא.

Rav disse: quando se reza a segunda oração, é preciso inovar nela algo de conteúdo, para que não pareça repetição vã. E Shmuel disse: não é preciso inovar nela nada. Rabi Zeirá perguntou diante de Rabi Yossei: o que conta como inovar nela algo? Ele lhe disse: mesmo que a pessoa apenas tenha dito "e façamos diante de ti nossas obrigações dos sacrifícios perpétuos diários e do sacrifício de Mussaf", cumpriu sua obrigação.

04Rabi Shilá em nome de Rav: quem reza e encontra dez homens ainda rezando deve rezar com eles; o episódio de Rabi Zeorá e Rav Nachman bar Yaacov, que repetiu a oração
Yerushalmi · Berachot 4:6
רִבִּי שִׁילָא בְּשֵׁם רַב נִתְפַּלֵּל וּמָצָא עֲשָׂרָה בְּנֵי אָדָם מִתְפַּלְלִין מִתְפַּלֵּל עִמָּהֶן. רִבִּי זְעוֹרָא וְרַב נַחְמָן בַּר יַעֲקֹב הֲווּ יָתְבִין. מִן דְּמַצְלוּן אִתַּת צֻלוּתָא קָם רַב נַחְמָן בַּר יַעֲקֹב מַצְלִיא. אֲמַר לֵיהּ רִבִּי זְעוֹרָא וְלָא כְבָר צְלִונָן. אֲמַר לֵיהּ מַצְלִי אֲנָא וַחֲזַר וּמַצְלִי. דָּמַר רִבִּי שִׁילָא בְּשֵׁם רַב נִתְפַּלֵּל וּמָצָא עֲשָׂרָה בְּנֵי אָדָם מִתְפַּלְלִין מִתְפַּלֵּל עִמָּהֶן.

Rabi Shilá, em nome de Rav: quem já rezou e depois encontra dez homens rezando, reza de novo com eles. Rabi Zeorá e Rav Nachman bar Yaacov estavam sentados. Quando os outros rezaram e a oração terminou, Rav Nachman bar Yaacov se levantou e começou a rezar. Rabi Zeorá lhe disse: mas já não rezamos? Ele lhe disse: eu ainda vou rezar. E de fato voltou e rezou. Pois Rabi Shilá disse em nome de Rav: quem já rezou e depois encontra dez homens rezando, reza com eles.

05Rabi Acha e Rabi Yoná em nome de Rabi Zeorá: quem já rezou Shacharit e encontra a congregação em Mussaf reza com eles se puder terminar a tempo; a disputa sobre qual Amém, resolvida por Rabi Pinchas
Yerushalmi · Berachot 4:6
רִבִּי אָחָא רִבִּי יוֹנָה בְשֵׁם רִבִּי זְעוֹרָא נִתְפַּלֵּל שֶׁל שַׁחֲרִית וּבָא וּמְצָאָן מִתְפַּלְלִין שֶׁל מוּסָף מִתְפַּלֵּל עִמָּהֶן. לֹא נִתְפַּלֵּל שֶׁל שַׁחֲרִית וּבָא וּמְצָאָן מִתְפַּלְלִין שֶׁל מוּסָף. אִם יוֹדֵעַ הוּא שֶׁהוּא מַתְחִיל וְגוֹמֵר עַד שֶׁלֹּא יַתְחִיל שְׁלִיחַ צִיבּוּר כְּדֵי לַעֲנוֹת אַחֲרָיו אָמֵן יִתְפַּלֵּל וְאִם לָאו אַל יִתְפַּלֵּל. בְּאֵי זֶה אָמֵן אָמְרוּ. תְּרֵין אֲמוֹרָאִין חַד אָמַר בְּאָמֵן שֶׁל הָאֵל הַקָּדוֹשׁ. וְחָרָנָה אָמַר בְּאָמֵן שֶׁל שׁוֹמֵעַ תְּפִילָּה. אָמַר רִבִּי פִּינְחָס וְלֹא פְלִיגִון. מַאן דָּמַר בְּאָמֵן שֶׁל הָאֵל הַקָּדוֹשׁ בְּשַׁבָּת. וּמַאן דָּמַר בְּאָמֵן שֶׁל שׁוֹמֵעַ תְּפִילָּה בְּחוֹל.

Rabi Acha e Rabi Yoná, em nome de Rabi Zeorá: quem já rezou a oração de Shacharit e depois vem e os encontra rezando a oração de Mussaf, reza com eles. Mas se não rezou ainda a oração de Shacharit e vem e os encontra rezando a oração de Mussaf — se sabe que conseguirá começar e terminar sua oração de Shacharit antes que o mensageiro da congregação comece, de modo a poder responder Amém depois dele, reze; e se não, não reze. Sobre qual Amém exatamente falaram? Dois amoraítas divergem: um diz que é sobre o Amém da bênção "o Deus Santo"; e o outro diz que é sobre o Amém da bênção "que ouve a oração". Rabi Pinchas disse: eles não discordam de fato — quem disse "o Deus Santo" referia-se ao Shabat, e quem disse "que ouve a oração" referia-se ao dia comum.

06A Mishná de Rabán Gamliel sobre o mensageiro da congregação; o episódio de Rabi Zeorá e Rav Chisda; a exigência de Rabi Ada de Cesareia de que o mensageiro esteja presente desde o início da oração; a ordem das bênçãos segundo Rabi Tanchum bar Yirmiyá
Yerushalmi · Berachot 4:6
תַּמָּן תַּנִּינָן רַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר שְׁלִיחַ צִיבּוּר מוֹצִיא אֶת הָרַבִּים יְדֵי חוֹבָתָן. רִבִּי הוּנָא רַבָּא דְצִיפּוֹרִין בְּשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן הֲלָכָה כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל בְּאִילֵּין תְּקִיעָתָא. רִבִּי זְעוֹרָא וְרַב חִסְדָּא הֲווּ יָתְבִין תַּמָּן בְּאִילֵּין תְּקִיעָתָא. מִן דִּצְלוּן אֲתָת צְלוּתָא קָם רַב חִסְדָּא מַצְלִיא. אֲמַר לֵיהּ רִבִּי זְעוֹרָא וְלָא כְבָר צְלִינָן. אֲמַר לֵיהּ מַצְלִי אֲנָא וַחֲזַר וּמַצְלִי. דְּנַחְתֻּין מַעֲרָבָאֵי לְתַמָּן וְאָמְרִין בְּשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן הֲלָכָה כְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל בְּאִילֵּין תְּקִיעָתָא. וַאֲנָא דְּלָא כְּוָונִית הָא אִלּוּ כְּוָונִית הֲוִינָא נְפִיק יְדֵי חוֹבָתִי. אֲמַר רִבִּי זְעוֹרָא וְיֵאוּת כָּל תְּנָאֵי תַּנִּי בְּשֵׁם רַבָּן גַּמְלִיאֵל. וְרִבִּי הוֹשַׁעְיָא תַּנִּי לָהּ בְּשֵׁם חֲכָמִים. רִבִּי אָדָא דְּקֵיסַרִין בְּשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן וְהוּא שֶׁיִּהְיֶה שָׁם מֵרֹאשׁ הַתְּפִילָּה. אָמַר רִבִּי תַּנְחוּם בַּר יִרְמְיָה וּמַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן סֶדֶר בְּרָכוֹת אוֹמֵר אָבוֹת וּגְבוּרוֹת וּקְדוּשַׁת הַשֵּׁם.

Foi ensinado ali (em outra Mishná): Rabán Gamliel diz: o mensageiro da congregação desobriga os muitos de sua obrigação. Rabi Huná Rabá de Tsipori, em nome de Rabi Yochanan: a lei segue Rabán Gamliel nestes toques de shofar (isto é, no contexto dos toques de Rosh HaShaná, onde a norma foi originalmente ensinada, e daí estendida à oração). Rabi Zeorá e Rav Chisdá estavam sentados ali, ouvindo esses toques. Quando eles terminaram de rezar e a oração chegou ao fim, Rav Chisdá se levantou e começou a rezar. Rabi Zeorá lhe disse: mas já não rezamos? Ele lhe disse: eu ainda vou rezar. E de fato voltou e rezou. Isto porque, mais tarde, desceram sábios ocidentais (da Terra de Israel) para lá (a Babilônia) e disseram em nome de Rabi Yochanan: a lei segue Rabán Gamliel nestes toques. E eu (Rav Chisdá) não tinha tido a intenção de me desobrigar através do mensageiro — mas se eu tivesse tido a intenção, teria cumprido minha obrigação. Rabi Zeorá disse: e está certo — todos os tanaítas a ensinaram em nome de Rabán Gamliel, e Rabi Hoshaiá ensinou-a em nome dos sábios (anonimamente, como opinião coletiva). Rabi Ada de Cesareia, em nome de Rabi Yochanan: e isso vale apenas quando a pessoa estava ali desde o início da oração. Rabi Tanchum bar Yirmiyá disse: e uma baraita diz o mesmo: a ordem das bênçãos da Amidá é dizer primeiro a bênção de "Patriarcas", depois a de "Poderes" e depois a de "Santidade do Nome" — ou seja, é preciso acompanhar desde o início, na ordem correta, para se desobrigar através do mensageiro.

Nota

Esta sexta e última halachá do Perek Dalet comenta a Mishná sobre a obrigação da oração de Mussaf e o papel do "chever ir" — a comunidade organizada da cidade. A lei se fixa conforme Rabi Yehudá, que, em nome de Rabi Elazar ben Azaria, isenta o particular de rezar Mussaf sozinho onde já existe uma comunidade que a reza publicamente, sustentada pelo costume de Shmuel, que evitava rezá-la à parte. A halachá então explora as tensões dessa regra: os próprios sábios que a contestam parecem discordar entre si sobre o alcance da isenção — restrita a pastores e colhedores de figos, segundo uma tradição, ou mais ampla, à luz do episódio em que Rabi Yochanan viu Rabi Yanai rezando Mussaf no mercado de Tsipori, mesmo ali havendo "chever ir" na cidade. Desse episódio a guemará extrai três lições, entre elas a prática de rezar duas orações consecutivas separando-as pelo tempo de caminhar quatro cotovelos. Segue a disputa entre Rav e Shmuel sobre a necessidade de inovar algo de conteúdo na segunda oração para que não pareça repetição vazia, e uma sequência de casos práticos sobre repetir a oração ao encontrar um quórum já reunido — incluindo os episódios de Rav Nachman bar Yaacov e de Rav Chisdá, que voltaram a rezar mesmo já tendo rezado. A halachá discute ainda a regra de quem chega atrasado e encontra a congregação já em Mussaf, condicionando sua entrada na oração de Shacharit à possibilidade de terminá-la a tempo de responder Amém junto com os demais — e debate qual Amém é esse, conciliado por Rabi Pinchas como uma diferença entre Shabat e dia comum. A halachá — e o Perek Dalet — se encerra com a lei de que o mensageiro da congregação desobriga os demais de sua obrigação de orar, na condição de que estejam presentes desde o início da oração, acompanhando a ordem correta das bênçãos da Amidá. O tema desta halachá corresponde, no Talmud Bavli, à sugia de Berachot 30a–30b sobre a oração de Mussaf, o "chever ir" e o mensageiro da congregação, ainda não traduzida nesta biblioteca.