Quinta halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim: a Mishná muda de assunto e ensina que quem planta uma fileira de videiras em sua própria propriedade, e o vizinho planta outra fileira na propriedade dele, com um caminho particular, um caminho público, ou uma cerca mais baixa que dez palmos entre as duas — as fileiras se somam (para proibir a semeadura no espaço intermediário, como se fossem um único vinhedo); mas se a cerca é mais alta que dez palmos, não se somam. Rabi Yehudá diz: se ele entrelaçou as ramas por cima (sobre a cerca alta, unindo visualmente as duas fileiras), elas se somam mesmo assim. A guemará traz a pergunta de Rabi Achai se esta Mishná não contradiz a posição de Rabi Shimon, segundo a qual ninguém pode consagrar o que não é seu, respondida com a distinção entre consagrar a propriedade alheia em si e apenas somar duas propriedades legítimas para proibir o espaço entre elas; e fecha com a tradição de Rabi Shmuel em nome de Rabi Zeirá, segundo Rabi Maná, de que a mesma opinião de Rabi Shimon se estende também ao conceito de "prender" — tornar proibida — a propriedade de outrem.
Mishná: Quem planta (uma linha de cinco videiras) uma fileira em sua própria propriedade, e outra fileira na propriedade do seu vizinho, e um caminho particular, ou um caminho público, ou uma cerca mais baixa que dez palmos, estão no meio (entre as duas fileiras), eis que estas se somam (as duas fileiras, de dois donos distintos, são tratadas como um único vinhedo, proibindo a semeadura no espaço entre elas). Mas se a cerca é mais alta que dez palmos, não se somam. Rabi Yehudá diz: se ele entrelaçou (as ramas das videiras) por cima (da cerca alta, unindo as copas de um lado a outro), eis que estas se somam.
Halachá: Rabi Achai perguntou: acaso isto não contradiz Rabi Shimon? Pois Rabi Shimon disse: ninguém pode consagrar o que não é seu (quem faz sua videira pender sobre a plantação do vizinho consagra — torna proibida — a plantação do vizinho, e Rabi Shimon discorda, porque ninguém pode consagrar bem alheio; como então esta Mishná permite que a fileira de um dono, plantada em sua própria terra, some-se à fileira do vizinho, plantada na terra dele, para proibir o espaço entre as duas propriedades?). A resposta: ali (no caso de Rabi Shimon), ninguém pode consagrar o que não é seu (porque se trata de uma única pessoa tentando impor proibição sobre a propriedade do outro, sem que o outro tenha plantado nada de sua parte); mas aqui, a sua e a do seu vizinho se somam para proibir o espaço do meio (porque cada um plantou legitimamente em sua própria terra; nenhum dos dois consagra a terra do outro — apenas as duas plantações legítimas, somadas, proíbem o espaço intermediário entre elas).
Halachá: Rabi Maná não disse assim (não aceitou a resposta anterior tal como formulada); antes, não foi assim que disse Rabi Shmuel em nome de Rabi Zeirá: Rabi Shimon é consistente com sua própria opinião (em outro contexto também): assim como Rabi Shimon disse que ninguém pode consagrar o que não é seu, também disse que ninguém pode "prender" o que não é seu (tornar proibida, por meio de sua própria plantação, a propriedade do vizinho que ele não plantou; esta é uma segunda aplicação do mesmo princípio de Rabi Shimon, mais ampla que a primeira). Ali (nesse segundo caso), ninguém pode consagrar o que não é seu; mas aqui (no caso da Mishná), a sua e a do seu vizinho se somam para proibir o espaço do meio (pois, de novo, ambos os donos plantaram legitimamente cada um em sua própria terra, e nenhum impõe proibição sobre bem que não lhe pertence — apenas o espaço comum entre as duas propriedades fica proibido).
Esta é a quinta halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim. A Mishná muda de assunto: depois de tratar, nas halachot anteriores, da forma mínima que constitui um vinhedo dentro de uma única propriedade, passa agora a discutir o caso de duas fileiras plantadas por dois donos distintos, em duas propriedades vizinhas, separadas por um caminho ou por uma cerca. Se a separação é pequena — caminho particular, caminho público, ou cerca de menos de dez palmos —, as duas fileiras se somam e proíbem a semeadura no espaço entre elas, como se fossem um único vinhedo; se a cerca é mais alta que dez palmos, a separação é considerada suficiente e as fileiras não se somam, salvo se, segundo Rabi Yehudá, as ramas foram entrelaçadas por cima da cerca, unindo visualmente as duas plantações.
A guemará é breve e gira em torno de uma única tensão: como esta Mishná pode permitir que duas propriedades distintas se somem para proibir o espaço entre elas, se Rabi Shimon ensina, em outro lugar, que ninguém pode consagrar o que não é seu? A primeira resposta distingue entre "consagrar" a propriedade do outro, que Rabi Shimon proíbe, e apenas "somar" duas plantações legítimas para proibir o espaço comum entre elas, que não impõe proibição sobre bem alheio algum. Rabi Maná, porém, prefere uma formulação diferente, transmitida por Rabi Shmuel em nome de Rabi Zeirá: a mesma opinião de Rabi Shimon — que ninguém consagra o que não é seu — vale igualmente para o conceito de "prender", ou tornar proibida, a propriedade alheia; e a conclusão final permanece a mesma, que a soma das duas propriedades legítimas para proibir apenas o espaço intermediário não contradiz, em nenhuma de suas duas formulações, a posição de Rabi Shimon. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.