Segunda halachá do Perek Chet de Massechet Kilayim, dando continuidade direta ao tema fechado da Mishná anterior — "kilaim de animais são proibidos uns com os outros": a Mishná ensina que animal doméstico com animal doméstico, selvagem com selvagem, doméstico com selvagem e selvagem com doméstico, impuro com impuro, puro com puro, impuro com puro e puro com impuro, são proibidos de arar, puxar e conduzir juntos; quem os conduz recebe os quarenta açoites, e quem se senta na carroça puxada por eles recebe os quarenta açoites, com Rabi Meir isentando este último; e o terceiro animal, atado pelas correias aos outros dois, também é proibido. A guemará abre derivando de "teu animal não farás cruzar" que a proibição recai apenas sobre fazer cruzar, sendo permitido colocar machos junto a fêmeas e fêmeas junto a machos, pois o próprio animal age por sua vontade, sem ação humana direta; traz Isi ben Akavya, que proíbe montar sobre uma mula por um raciocínio a fortiori a partir das vestes misturadas, contestado pelo verso sobre os filhos do rei fugindo montados em mulas, e pelo mulo sobre o qual David ordenou que Shlomo montasse — resolvido explicando que aquele mulo era uma criatura já formada nos seis dias da Criação; discute, por Rabi Chama bar Ukva em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina, quem conduz um animal proibido apenas com a voz, comparando-o ao animal parado fora do techum que vem sozinho ao ser chamado, e ao escravo cananeu ferido no olho ou no ouvido, cuja alforria depende de poder fugir; traz a disputa entre os sábios, para quem quem se senta na carroça soma peso real, e Rabi Meir, que discorda; e fecha com a progressão histórica do número de animais atrelados juntos a um mesmo veículo — dois, na carruagem de Yossef; três, quando Faraó os aumentou; e quatro, quando o império romano os aumentou ainda mais.
Mishná: Animal doméstico com animal doméstico, e animal selvagem com animal selvagem, animal doméstico com animal selvagem e animal selvagem com animal doméstico, impuro com impuro, e puro com puro, impuro com puro e puro com impuro, são proibidos de arar, de puxar e de conduzir juntos. Quem os conduz recebe os quarenta açoites, e quem se senta na carroça recebe os quarenta açoites. Rabi Meir isenta (quem se senta). E o terceiro animal, que está atado pelas suas correias aos outros dois, é proibido.
Halachá: "Animal doméstico com animal doméstico", etc. Poder-se-ia pensar que não se poderiam colocar machos junto às fêmeas, e fêmeas junto aos machos? O texto ensina: "teu animal não farás cruzar" (Vayikrá 19:19). Não estás proibido senão de fazê-los cruzar, mas podes colocar machos junto às fêmeas, e fêmeas junto aos machos. E, afinal, que ação ele fez? Não é assim que ocorre — quando o animal emite a semente, é segundo sua própria vontade que a emite (o próprio animal age por si, sem que o dono tenha realizado o ato de fazer cruzar).
Halachá: Isi ben Akavya diz: é proibido montar sobre uma mula, por um raciocínio de kal vachomer (a fortiori). Pois, se quanto às vestes — que te é permitido vestir uma sobre a outra — proíbes sua mistura (o sha'atnez, lã com linho); quanto ao animal — que te é proibido conduzir, um com o outro, de espécies diferentes —, não é ainda mais razoável que te seja proibido montar sobre ele? Mas não está escrito: "e cada homem montou sobre sua mula, e fugiram" (Shmuel Bet 13:29, sobre os filhos do rei David)? Não se aprende halachá a partir da realeza. Mas não está escrito: "e fareis montar Shlomo, meu filho, sobre a mula que é minha" (Melachim Alef 1:33, ordem do próprio rei David)? Aquela era uma criatura já formada desde os seis dias da Criação (um animal original, e não produto de um cruzamento proibido entre duas espécies).
Halachá: Rabi Chama bar Ukva, em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina, disse: quem conduz um animal de kilaim apenas com a voz é açoitado. E assim foi ensinado: se o conduziu, se o puxou, ou se o chamou e ele veio atrás dele, torna-se responsável por ele para pagar como um tomador emprestado (pois já o tratou como estando sob seu uso e sua posse). Mas não ensinou Shmuel: se ele estava parado fora do techum (o limite de caminhada permitido no Shabat), e o chamou, e ele veio atrás dele, este está isento? Ali, ele caminha segundo sua própria vontade; mas aqui, ele caminha contra sua vontade. Mas não foi ensinado: quem bateu perto do olho de seu escravo e o cegou, perto do ouvido e o ensurdeceu, este não sai para a liberdade (a alforria do escravo cananeu por lesão em um órgão listado na Torá exige um golpe direto sobre o próprio órgão, não um efeito colateral de um golpe ao redor dele)? Disse Rabi Lieezer beRabi Yossei diante de Rabi Yossei: é diferente, pois ele pode fugir (o escravo tem a opção de escapar do golpe, o que não se aplica ao animal chamado, que não tem como resistir ao chamado). Sabe que é assim, pois foi ensinado: se o próprio senhor o segurou com força, impedindo-o de fugir, e então o golpe o cegou ou ensurdeceu, este escravo é liberto.
Halachá: Quem se senta na carroça — os rabinos dizem: seu peso é de fato um peso real, que os animais proibidos precisam puxar, tornando-o responsável pelos açoites como se os conduzisse. Rabi Meir diz: não é um peso (e por isso o isenta, como já ensinou a Mishná).
Halachá: No princípio não havia senão duas bestas atreladas juntas a um mesmo veículo, como está escrito: "e o fez montar na segunda carruagem que era sua" (Bereshit 41:43, sobre Yossef, entendido como referindo-se a uma carruagem puxada por duas). Faraó se levantou e fez três, como está escrito: "e capitães sobre a totalidade dele" (Shemot 14:7, entendido aqui como três animais atrelados a cada carruagem). O reino ímpio (o império romano) se levantou e as fez quatro.
Esta halachá dá continuidade direta ao fechamento da Mishná anterior (8:1), que já havia estabelecido que kilaim de animais são proibidos uns com os outros. A Mishná de 8:2 detalha essa proibição: qualquer combinação de animal doméstico, animal selvagem, puro e impuro — desde que de espécies diferentes — é proibida de arar, puxar e conduzir junta, com pena de quarenta açoites tanto para quem conduz quanto para quem se senta na carroça puxada por eles, embora Rabi Meir isente este último; e mesmo um terceiro animal, apenas atado pelas correias aos outros dois sem participar diretamente do trabalho, já é incluído na proibição.
A guemará abre esclarecendo os limites exatos da proibição de cruzamento, já tratada na Mishná anterior: o versículo "teu animal não farás cruzar" proíbe apenas o ato de fazer cruzar, permitindo-se colocar machos junto a fêmeas de espécies diferentes, pois o acasalamento em si é ação do próprio animal, segundo sua vontade, e não do seu dono. Segue-se a posição de Isi ben Akavya, que estende a proibição também a montar sobre uma mula, por um raciocínio a fortiori a partir das vestes — se a mistura de lã e linho, que seria permitida vestir separadamente, é proibida quando combinada, tanto mais deveria ser proibido montar sobre um animal que já é, ele mesmo, o produto de um cruzamento entre espécies. A guemará contesta essa extensão com dois versículos em que reis e príncipes montam sobre mulas sem reserva, rejeitando o primeiro por não se aprender halachá do costume da realeza, e resolvendo o segundo — o mulo pessoal do rei David, sobre o qual ele ordena que Shlomo monte — com a explicação de que aquele animal específico não era produto de cruzamento algum, mas uma criatura formada já nos seis dias da Criação. Segue a discussão sobre quem conduz um animal proibido apenas com a voz, sem tocá-lo, e ainda assim é açoitado e responsabilizado como um tomador emprestado — contrastada com o caso, ensinado por Shmuel, do animal que já estava parado fora do techum e apenas veio ao ser chamado, isento por caminhar então segundo sua própria vontade —, e aprofundada com a comparação ao escravo cananeu golpeado perto do olho ou do ouvido sem alforria, cuja diferença Rabi Lieezer beRabi Yossei explica pela capacidade do escravo de fugir do golpe, ao contrário do animal chamado pela voz. A guemará então registra a disputa sobre se quem se senta na carroça soma peso real ao esforço dos animais — posição dos sábios, que o responsabiliza pelos açoites, contra Rabi Meir, que o isenta — e fecha com uma breve digressão histórica sobre o número de animais atrelados juntos a um mesmo veículo, crescendo de dois, na carruagem de Yossef no Egito, para três, por decisão do próprio Faraó, e finalmente para quatro, por decisão do império romano — pano de fundo histórico para a proibição da Mishná de atar um terceiro animal aos outros dois. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.