Talmud Yerushalmi · Massechet Terumot · Perek Dalet · Halachá 2
מִי שֶׁהָיוּ פֵּירוֹתָיו בִּמְגוֹרָה

Quem tinha seus frutos num celeiro — a disputa de Rabi Meir e os sábios sobre os seim adicionais

Perek Dalet, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Terumot

Segunda halachá do Perek Dalet de Massechet Terumot. A Mishná ensina que quem tinha seus frutos num celeiro e deu uma seá (medida) a um levita e uma seá a um pobre, separa mais oito seim e as come — palavras de Rabi Meir (pois, ao dar essas duas seim como dízimo, ele já indicou que trata o restante do monte como se todo o dízimo devido já tivesse sido posto em ordem, permitindo assim comer o restante sem mais separações). E os sábios dizem: ele não separa senão conforme o cálculo (exigindo que se calcule exatamente a proporção do dízimo já dado antes de liberar o restante como comum). A guemará traz o ensinamento de Rabi Elazar em nome de Rabi Hoshaya: trataram esse caso como o de um trabalhador que não confia no patrão (que pode separar dízimo do produto que maneja e comê-lo de imediato, sem esperar confirmação, segundo as leis do demai). E fecha observando que é óbvio que, se os frutos foram queimados, a teruma se anula (pois não se sabe mais qual grão específico ela havia posto em ordem); mas se a teruma foi queimada, quando os frutos forem comidos, a teruma se santificará retroativamente (pois, uma vez que se declarou o restante como comum, a porção separada é considerada teruma válida desde o início).

A Mishná · מַתְנִיתִין

מִי שֶׁהָיוּ פֵּירוֹתָיו בִּמְגוֹרָה וְנָתַן סְאָה לְבֶן לֵוִי וּסְאָה לְעָנִי מַפְרִיש עוֹד שְׁמוֹנֶה סְאִין וְאוֹכְלָן דִּבְרֵי רִבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אֵינוֹ מַפְרִישׁ אֶלָּא לְפִי חֶשְׁבּוֹן.

Mishná: Quem tinha seus frutos num celeiro e deu uma seá a um filho de Levi (levita, como maasser rishon) e uma seá a um pobre (como maasser ani), separa mais oito seim e as come — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: ele não separa senão conforme o cálculo.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Rabi Elazar em nome de Rabi Hoshaya: trataram-no como um trabalhador que não confia no patrão
Yerushalmi · Terumot 4:2
רִבִּי לָעְזָר בְּשֵׁם רִבִּי הוֹשַׁעְיָה עָשׂוּ אוֹתָהּ כְּפוֹעֵל שֶׁאֵינוֹ מַאֲמִין לְבַעַל הַבַּיִת.

Halachá: Rabi Elazar em nome de Rabi Hoshaya: trataram esse caso como o de um trabalhador que não confia no patrão (que, segundo as leis do demai, pode separar dízimo daquilo que maneja e comê-lo de imediato, sem esperar que o dono confirme; da mesma forma, aqui, ao ver que o dono já deu uma seá ao levita e uma seá ao pobre, presume-se que todo o dízimo foi posto em ordem, permitindo comer o restante como Rabi Meir ensina).

02É óbvio: se os frutos foram queimados, a teruma se anula; se a teruma foi queimada, ela se santifica retroativamente quando os frutos forem comidos
Yerushalmi · Terumot 4:2
פְּשִׁיטָא הָדָא מִילְתָא נִשְׂרְפוּ הַפֵּירוֹת הַתְּרוּמָה בְטֵילָה. נִשְׂרְפָה הַתְּרוּמָה לִכְשֶׁיֵאָכְלוּ הַפֵּירוֹת קָדְשָׁה הַתְּרוּמָה לְמַפְרֵעַ.

Halachá: É óbvia esta coisa: se os frutos (o restante do monte, ainda tevel) foram queimados, a teruma se anula (pois já não se sabe mais qual grão específico ela havia posto em ordem, e sem essa correspondência a separação parcial perde seu efeito). Mas se a teruma foi queimada, quando os frutos forem comidos, a teruma se santificará retroativamente (pois, conforme o ensinamento anterior, o restante do monte já é considerado comum desde que se deu a seá ao levita e ao pobre; logo, a porção que foi separada como teruma permanece válida como tal, mesmo tendo sido depois queimada, e essa validade se confirma no momento em que o restante é efetivamente comido).

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Dalet de Massechet Terumot, capítulo com oito halachot no total. A Mishná ensina que quem tinha seus frutos num celeiro e deu uma seá a um levita e uma seá a um pobre separa mais oito seim e as come — palavras de Rabi Meir —, e que os sábios dizem que ele não separa senão conforme o cálculo.

A guemará traz o ensinamento de Rabi Elazar em nome de Rabi Hoshaya de que se tratou o caso como o de um trabalhador que não confia no patrão, e fecha observando que é óbvio que, se os frutos foram queimados, a teruma se anula, mas que, se a teruma foi queimada, quando os frutos forem comidos, ela se santificará retroativamente. Esta halachá trata de um caso técnico sobre a confiança implícita na separação parcial do dízimo, sem paralelo temático genuíno no Talmud Bavli, Massechet Shabat.