Obrigam-no a construir guarita e porta para o pátio. Rabán Shimon ben Gamliel diz: nem todos os pátios são adequados para guarita. — Os moradores de um pátio comum podem ser obrigados a contribuir financeiramente para a construção de uma guarita — um pequeno alojamento onde um guarda se posta para proteger a entrada — e de uma porta para fechar o pátio. Rabán Shimon ben Gamliel discorda dessa obrigação generalizada, sustentando que nem todo pátio realmente precisa de uma guarita: cada caso deve ser avaliado segundo suas próprias necessidades específicas, e não se pode impor essa exigência de modo automático e uniforme a todos.
Obrigam-no a construir muralha, portas e ferrolho para a cidade. Rabán Shimon ben Gamliel diz: nem todas as cidades são adequadas para muralha. — Da mesma forma, em maior escala, os moradores de uma cidade podem ser obrigados a contribuir para erguer sua muralha protetora, com portas duplas e a tranca (ferrolho) que as trava. Rabán Shimon ben Gamliel repete sua objeção também aqui: nem toda cidade — por exemplo, uma que não fica próxima de território inimigo — realmente necessita de fortificação, e por isso essa obrigação também não pode ser imposta de modo indiscriminado.
Quanto tempo deve estar na cidade para ser como a gente da cidade? Doze meses. Se adquiriu ali casa de moradia, eis que já é como a gente da cidade imediatamente. — A mishná define o critério temporal que determina quando um morador recém-chegado passa a compartilhar plenamente das obrigações financeiras coletivas da cidade, como a construção da muralha: apenas depois de residir ali por doze meses completos ele é considerado equiparado aos demais moradores estabelecidos. Mas se, em vez de apenas alugar, ele efetivamente comprou para si uma casa própria na cidade, esse ato de aquisição definitiva já o torna, desde o primeiro momento, plenamente equiparado aos demais moradores, sem necessidade de esperar o prazo de um ano.
Rambam explica o critério de Rabán Shimon ben Gamliel a partir da proximidade de território inimigo, e confirma que a halachá segue os Sábios contra ele; Bartenura detalha o mesmo ponto e a prática do prazo de residência em sua própria época.
Rambam explica o fundamento da posição de Rabán Shimon ben Gamliel: apenas cidades situadas próximas ao território de povos inimigos realmente necessitam de fortificação — muralha, portas e ferrolho —, enquanto cidades distantes dessa fronteira não têm essa necessidade prática. Os Sábios, em contrapartida, sustentam que toda cidade precisa dessa proteção, independentemente de sua localização, e Rambam confirma que a halachá segue a opinião dos Sábios, não a de Rabán Shimon ben Gamliel.
Bartenura precisa o critério de Rabán Shimon ben Gamliel em cada caso: um pátio não é adequado para guarita quando não fica junto a uma via pública movimentada, e uma cidade não precisa de muralha quando não está próxima da fronteira com povos inimigos; em ambos os casos, conclui Bartenura, a halachá não segue Rabán Shimon ben Gamliel, mas a opinião dos Sábios. Sobre o prazo de doze meses, Bartenura acrescenta uma observação de sua própria época: como nos seus dias as pessoas se deslocavam com mais frequência de um lugar para outro, o costume geral já havia se ajustado para considerar apenas trinta dias de residência suficientes para equiparar alguém aos demais moradores.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 7b, onde esta mishná é ensinada após uma sugyá sobre os direitos de passagem herdados entre irmãos que dividiram a herança do pai.
Rashi explica quem exatamente é obrigado e por quê: o morador do pátio que se recusa a contribuir para a construção da guarita é forçado a fazê-lo pelos demais. A função prática da guarita, explica Rashi, é abrigar um guarda sentado à sombra ali, cuja presença afasta os transeuntes da via pública de espiar para dentro do pátio — protegendo assim a privacidade de todos os moradores.
Rashi identifica brevemente a "porta" da mishná como a porta do próprio portão do pátio, destinada a trancá-lo.
Rashi assinala que a Guemará dedicará discussão própria para definir com precisão qual tipo de pátio realmente se qualifica, segundo Rabán Shimon ben Gamliel, para a exigência de uma guarita — critério que, como visto acima, Bartenura já resume como a proximidade com uma via pública movimentada.
Rashi explica a expressão final da mishná — "ser como a gente da cidade" — no sentido preciso de compartilhar igualmente o peso das obrigações financeiras coletivas: uma vez cumprido o prazo de residência (ou realizada a compra de uma casa), o morador passa a "carregar o jugo junto com" os demais habitantes estabelecidos, contribuindo nas mesmas condições que eles.