Um boi que vale uma mina, que chifrou um boi que vale duzentos, e a carcaça não vale nada, toma o boi. — Quando um boi de valor menor chifra e mata um boi de valor maior, e a carcaça do boi morto nada vale, o dono do boi morto simplesmente toma para si o boi vivo que o matou — pois o pagamento devido (metade do dano, no caso de um boi tam) equivale exatamente ao valor total do boi agressor.
Um boi que vale duzentos, que chifrou um boi que vale duzentos, e a carcaça não vale nada, disse Rabi Meir: sobre isto foi dito (Shemot 21): "e venderão o boi vivo e dividirão seu dinheiro." — Quando os dois bois têm valor igual e a carcaça nada vale, Rabi Meir aplica o versículo literalmente: vende-se o boi vivo e divide-se seu valor entre as duas partes — cada uma recebendo metade do valor do boi vivo, o que equivale a cem, dos quais o dono do boi morto fica com sua parte e recebe do outro os cem restantes como metade do dano.
Disse-lhe Rabi Yehudá: e assim é a halachá; cumpriste "e venderão o boi vivo e dividirão seu dinheiro", mas não cumpriste "e também o morto dividirão" — e qual é este caso? Um boi que vale duzentos que chifrou um boi que vale duzentos, e a carcaça vale cinquenta zuz, que este toma metade do vivo e metade do morto, e aquele toma metade do vivo e metade do morto. — Rabi Yehudá concorda com o resultado prático de Rabi Meir no caso em que a carcaça nada vale, mas observa que a continuação do mesmo versículo — "e também o morto dividirão" — exige uma aplicação para outro caso: quando a carcaça tem algum valor residual, como cinquenta zuz. Nesse caso, ambas as partes dividem tanto o valor do boi vivo quanto o valor da carcaça morta, cada uma recebendo metade de cada um — de modo que o versículo inteiro, em suas duas cláusulas, encontra aplicação prática.
Rambam detalha o mecanismo exato da disputa sobre a valorização da carcaça; Bartenura confirma que a halachá segue Rabi Yehudá.
Rambam esclarece que o princípio subjacente é que a carcaça pertence ao dono do boi morto (o prejudicado), avaliada em seu valor no momento em que a decisão é tomada; a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehudá diz respeito especificamente ao valor agregado à carcaça entre o momento da morte e o momento do julgamento — se esse valor agregado é dividido entre as partes ou pertence inteiramente ao prejudicado. A halachá segue Rabi Yehudá.
Bartenura confirma que a halachá segue Rabi Yehudá, e explica o pano de fundo da disputa: quando, no momento da morte, a carcaça nada valia, mas depois se valorizou — por poder ser vendida a um não-judeu, por exemplo —, Rabi Meir entende que todo esse valor agregado pertence ao prejudicado, sem desconto; Rabi Yehudá entende que metade do valor agregado pertence ao causador do dano, que tem direito de descontá-lo do que deve pagar.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 33a e 34a), abrindo cada uma das duas cláusulas da mishná.
Rashi explica que, quando o dono do boi morto simplesmente toma o boi agressor para si, isso equivale exatamente ao pagamento de metade do dano — pois o valor do boi agressor (uma mina) corresponde precisamente à metade do dano causado ao boi de duzentos.
Sobre a segunda parte da mishná, Rashi observa que a divisão do dinheiro do boi vivo, conforme o versículo, também equivale ao pagamento de metade do dano — confirmando que a citação bíblica de Rabi Meir se ajusta exatamente ao cálculo devido entre dois bois tam de valor igual.