Disse a perda, mas não disse seus sinais, não lhe dará. E o embusteiro, ainda que tenha dito seus sinais, não lhe dará — pois foi dito: "até que o teu irmão a busque", até que investigues o teu irmão, se é embusteiro ou se não é embusteiro. — A simples menção genérica de ter perdido "algo" não basta como prova; é preciso descrever sinais específicos que identifiquem o objeto entre outros semelhantes. Mas mesmo alguém que sabe descrever os sinais corretos não deve receber o achado se for conhecido como pessoa desonesta — pois é possível que tenha aprendido os sinais por outros meios, sem realmente ser o dono; a Torá exige que se investigue o caráter de quem reclama antes de devolver, não apenas seu conhecimento dos sinais.
Tudo o que trabalha e come, trabalhará e comerá. E o que não trabalha e come, será vendido — pois foi dito: "e o devolverás a ele", vê como o devolverás a ele. — Um animal encontrado que possa ser mantido produtivo enquanto trabalha — comendo às custas de seu próprio trabalho — deve ser assim mantido pelo achador, que o utiliza e o alimenta ao mesmo tempo; mas um animal que apenas consome sem produzir deve ser vendido, para que não se torne um fardo financeiro insustentável para quem o encontrou — pois o próprio dever de devolução implica que a devolução deve ser viável e não ruinosa.
O que será com o dinheiro? Rabi Tarfon diz: usará dele, e por isso, se perder, é responsável por ele. Rabi Akiva diz: não usará dele, e por isso, se perder, não é responsável por ele. — Uma vez vendido o animal, surge a questão de quem se beneficia do dinheiro recebido enquanto aguarda o dono. Rabi Tarfon permite ao achador usar o dinheiro para seu próprio proveito — mas, precisamente por esse benefício, ele assume plena responsabilidade caso o dinheiro se perca sob seus cuidados. Rabi Akiva proíbe o uso do dinheiro, exigindo que fique guardado intacto — e por isso, ao contrário, o achador não é responsável se ele se perder por circunstâncias fora de seu controle, pois nunca tirou proveito dele.
A mishná ancora suas duas exigências — a investigação do caráter de quem reclama, e a viabilidade prática da devolução — nas próprias palavras do versículo de Devarim.
A mishná extrai duas leituras da mesma frase. Da expressão "até que o teu irmão o busque" (עַד דְּרשׁ אָחִיךָ אֹתוֹ), lida como "até que investigues o teu irmão", deriva a exigência de investigar o caráter de quem reclama, não apenas conferir os sinais que ele apresenta — protegendo contra o embusteiro que os aprendeu por outro meio. Da expressão "e o devolverás a ele" (וַהֲשֵׁבֹתוֹ לוֹ), lida como "vê como o devolverás a ele", deriva a exigência de que a própria forma da devolução seja sustentável — daí a regra de vender o que só consome sem produzir, para que o dever de guardar o achado não se torne, na prática, impossível de cumprir.
Rambam fixa os prazos concretos para cada tipo de animal antes da venda, e decide a halachá como Rabi Tarfon quanto ao dinheiro da venda; Bartenura detalha a lista completa de prazos.
Rambam explica que a expressão "trabalha e come" não significa que o achador deve cuidar do animal indefinidamente, mas por um período fixo, segundo o tipo comum de uso de cada espécie: um animal de grande porte (boi, por exemplo) ou uma galinha, doze meses; um animal de pequeno porte destinado a pastar — ovelhas, cabritos e bezerros de pasto, não de engorda — e jumentos jovens, três meses; gansos aquáticos, trinta dias. Depois desses prazos, o achador vende o animal e fica responsável pelo dinheiro recebido. Rambam decide a halachá como Rabi Tarfon quanto ao dinheiro da venda do achado — pode ser usado, e por isso o achador responde por sua perda —, mas ressalva que isso vale apenas para o dinheiro da venda; moedas achadas como o próprio objeto perdido nunca podem ser usadas.
Bartenura explica que "trabalha e come" refere-se a um achado que pode pagar sua própria manutenção com seu trabalho, como boi ou jumento — o achador não deve vendê-lo, pois todo dono prefere reaver o próprio animal já acostumado a ele. Detalha a tabela completa de prazos: galinha e animal de grande porte, doze meses; bezerros e potros de pasto — não destinados a engorda —, cabritos e cordeiros, três meses; bezerros de engorda, trinta dias; gansos e galos pequenos, trinta dias; e os grandes, que comem muito, apenas três dias — depois disso são vendidos. Quanto ao dinheiro da venda, Bartenura explica a lógica de Rabi Tarfon: já que os sábios permitiram seu uso, mesmo que o achador não o use de fato, é tratado como se usasse, e por isso responde por sua perda; a halachá segue Rabi Tarfon quanto ao dinheiro da venda — mas nunca quanto às próprias moedas achadas como objeto perdido, que jamais podem ser usadas.