A cauda do bezerro que não alcança o jarrete — disseram os sábios: assim é o crescimento normal de todos os bezerros; enquanto crescem, as caudas vão se esticando. A qual jarrete se referiram? Rabi Chanina ben Antigonus diz: ao jarrete que fica no meio da coxa.
— Depois de tantas máculas fixas, a mishná traz um caso importante do lado oposto: o que parece defeito, mas não é. Numa cauda que ainda não chega ao jarrete, seria natural supor uma má-formação — mas os sábios esclarecem que essa é a condição normal de todo bezerro jovem: a cauda cresce e se estica gradualmente conforme o animal amadurece, de modo que a curta extensão, por si só, não prova defeito algum. A mishná então precisa qual articulação serve de referência para essa medida (“jarrete”), e Rabi Chanina ben Antigonus a identifica com a articulação no meio da coxa — a mesma que, no camelo, se reconhece por um osso saliente para fora, servindo de ponto de comparação visual.
Por estas máculas se abate o primogênito, e por elas se resgatam os animais consagrados desqualificados.
— Esta frase repete quase literalmente a abertura do capítulo, na primeira mishná (6:1), e a Guemará pergunta por que a repetição é necessária. A resposta, segundo Bartenura, é que, como no meio do caminho a mishná introduziu as três máculas adicionais de Ilá — inicialmente rejeitadas e só depois confirmadas por um tribunal posterior — era preciso reafirmar, ao final de toda a lista, que a regra vale igualmente para essas adições: também por elas se abate o primogênito fora do Templo. E a fórmula acrescenta algo que não estava na abertura: que essas mesmas máculas servem de base para o resgate de qualquer animal consagrado desqualificado, não apenas do primogênito — encerrando formalmente toda a longa lista deste capítulo.
Rambam explica diretamente a razão da repetição: incluir, junto com as máculas originais, as três que Ilá acrescentou depois. E confirma que a afirmação dos sábios — de que o crescimento da cauda do bezerro é assim mesmo, naturalmente — é verdadeira, e por isso não é mácula, já que ela continua a se esticar depois desse ponto.
Bartenura identifica o jarrete como a articulação superior onde a coxa se une à perna, reconhecível no camelo por um osso saliente equivalente. Confirma que é normal a cauda do bezerro ainda não alcançar esse ponto, pois ela continua a se esticar com o crescimento. E explica exatamente por que a mishná repete a fórmula de abertura: para deixar claro que a regra também cobre as três máculas que Ilá acrescentou e que inicialmente foram rejeitadas.
Rashi confirma que o jarrete é a articulação da coxa, remetendo à Guemará para a identificação precisa. E, sobre a repetição da fórmula final, cita a própria pergunta da Guemará — “para que preciso disto de novo, se já foi ensinado no início?” — e sua resposta: como a mishná trouxe, no meio do caminho, a opinião individual de Ilá com suas três adições rejeitadas e depois aceitas, era necessário fechar a lista selando todas elas sob uma única fórmula geral.