Designou [pombinhos] pretos e encontrou brancos, brancos e encontrou pretos, dois e encontrou três — são proibidos. — Se o dono designou na véspera pombinhos de uma cor e no dia seguinte encontra pombinhos de outra cor no mesmo lugar, ou designou dois e encontra três, presume-se que os designados voaram para outro lugar e os encontrados vieram de fora — e, não sendo possível distinguir quais são os originais, todos ficam proibidos por muktzê.
Três e encontrou dois — são permitidos. — Neste caso, presume-se que um dos três designados simplesmente saiu voando, e os dois que restaram são os mesmos originalmente designados — não se diz que todos os três se foram e que os dois encontrados vieram de outro lugar.
[Designou os que estão] dentro do ninho e encontrou-os diante do ninho — são proibidos. Mas se não há ali senão eles, eis que são permitidos. — Se o dono designou especificamente os pombinhos que estavam dentro do ninho e no dia seguinte os encontra fora dele, teme-se que sejam outros, vindos de um pombal vizinho — a menos que não haja nenhum outro pombal próximo de onde pudessem ter vindo, caso em que continuam permitidos.
O mesmo princípio de hachaná que abre o tratado — a exigência de que aquilo que se usa em dia de festa tenha sido especificamente designado para esse uso desde véspera — está por trás de toda esta mishná. A designação exige identificação precisa: não basta ter pensado genericamente em "pombinhos", é necessário que os pombinhos efetivamente tomados no dia de festa sejam, com razoável certeza, os mesmos que a mente do dono havia fixado na véspera — e é essa exigência de identidade que os diversos casos da mishná testam.
O Rambam explica a lógica de cada caso pela pergunta: os pombinhos encontrados são os mesmos designados, ou vieram de outro lugar? Bartenura acrescenta o detalhe físico de que os pombinhos ainda não voadores só se deslocam em linha reta a partir de seu próprio ninho.
Quer dizer, quando designou pretos e brancos e encontrou pretos no lugar dos brancos e brancos no lugar dos pretos, ficam proibidos em dia de festa, pois dizemos: aqueles que designou voaram e se foram, e os que encontrou são outros, vindos de outro lugar.
“E se não há naquele pombal senão eles, eis que são permitidos” — pois os pombinhos, enquanto ainda não voam e apenas se deslocam andando, só andam em linha reta a partir de seu próprio ninho, e não se desviam dele.
Rashi confirma a leitura padrão do primeiro caso, esclarecendo que a mishná pressupõe que nenhum vestígio dos pombinhos designados permaneceu no local, tornando inevitável a conclusão de que os encontrados são outros.
“A mishná: designou pretos” — e não havia mais nenhum ali, e no dia seguinte encontrou todos brancos: certamente os designados se foram, e estes são outros que vieram de fora para o pombal. E o mesmo vale para dois e encontrou três: não reconhecendo quais são os preparados, todos ficam proibidos.