Bet Shamai diz: as especiarias são moídas no pilão de madeira, e o sal num jarro ou com o cabo de madeira da panela. — Bet Shamai exige que o sal, por moer-se com maior facilidade e não perder o sabor mesmo quando triturado com antecedência, seja moído de um modo alterado em relação ao habitual — usando um jarro de barro ou o cabo de madeira usado para mexer a panela — como sinal visível de que se trata de trabalho de dia de festa e não de dia comum; já as especiarias comuns, que perdem sabor quando moídas de véspera, podem ser moídas no pilão de madeira sem alteração.
E Bet Hilel diz: as especiarias são moídas como de costume, no pilão de pedra, e o sal no pilão de madeira. — Bet Hilel permite moer as especiarias exatamente como em dia comum, inclusive no pilão de pedra; quanto ao sal, basta a diferença de usar o pilão de madeira em vez do de pedra, sem exigir um método totalmente alterado.
Este versículo é a fonte da permissão geral de realizar, em dia de festa, os trabalhos necessários ao preparo de alimento — o que inclui moer especiarias e sal para temperar a refeição. A disputa desta mishná não é sobre se tal moagem é permitida, mas sobre em que medida deve haver alguma alteração perceptível em relação ao modo de moer em dia comum, de forma que o trabalho permitido pelo versículo não se confunda com um trabalho comum realizado sem qualquer distinção do caráter sagrado do dia.
O Rambam explica a base da exigência de alteração: apenas o sal, que não perde sabor quando moído de véspera, precisa de distinção; Bartenura acrescenta a prática halachica de inclinar o pilão para moer o sal de lado.
E a razão de exigir uma alteração na moagem do sal é que ele não perde o sabor nem diminui sua eficácia quando moído desde véspera de festa; já as especiarias perdem o sabor e diminuem seu calor e picância quando permanecem moídas desde véspera.
E a halachá é que quem for moer sal em dia de festa incline o pilão de lado e moa dessa forma alterada; já as especiarias são moídas como de costume, sem necessitar de qualquer alteração.
Rashi identifica o instrumento alternativo mencionado pela mishná — o "pey rur" — como uma colher grande usada para mexer a panela, cujo cabo de madeira também servia, em caso de necessidade, para triturar o sal.
“A mishná: pilão” — é o pilão comum de golpear, usado como de costume, sem necessitar de alteração; mas para o sal, onde há sal grosso, deve-se moê-lo num jarro de barro, e não no pilão. “Ou com o cabo de madeira da panela” — uma colher grande; pois o sal exige alguma alteração.