Não se afia a faca em dia de festa, mas se passa uma sobre a outra. — Afiar uma faca numa pedra de amolar ou instrumento próprio é considerado consertar um utensílio — um trabalho vedado em dia de festa —, mas é permitido dar-lhe um fio melhorado apenas passando uma lâmina contra a outra, um modo alterado que não se assemelha ao afiamento de dia útil.
Que a pessoa não diga ao açougueiro: pese-me carne por um dinar. Mas pode abater e repartir entre si. — Pedir ao açougueiro que pese uma quantidade de carne equivalente a determinado valor monetário é uma transação comercial explícita, própria de dia útil, e por isso proibida; mas é permitido que várias pessoas se juntem, abatam um animal e repartam a carne entre si sem qualquer menção a preço ou valor.
Este versículo permite apenas o trabalho voltado ao preparo direto da comida, excluindo tanto o consertar utensílios quanto o negociar — atos que, mesmo relacionados à alimentação, não são, em si, preparo de comida. Por isso, afiar a faca numa pedra própria é tratado como reparo de um instrumento, e permanece proibido mesmo que a faca se destine ao abate da festa; e pedir ao açougueiro que pese carne por determinado valor é comércio, e permanece proibido mesmo que o resultado final seja comida — pois o próprio ato de pesar por dinheiro é estranho ao espírito do dia sagrado.
O Rambam explica o significado técnico do afiamento proibido e como se resolve, na prática, a divisão de valores entre os sócios; Bartenura detalha os instrumentos usados para afiar e o motivo de permitir passar uma faca sobre a outra.
Afiamento é passar a faca por uma roda de amolar. E eles repartem entre si dizendo: dá-me um quarto do cordeiro, ou seu oitavo, ou tal parte dele.
“Não se afia a faca” — numa roda de amolar ou numa pedra de amolar própria. “Mas se passa uma sobre a outra” — pois assim se altera do modo costumeiro de dia útil.
Rashi identifica o instrumento de pedra usado para afiar e explica, na Guemará, a distinção entre afiar em pedra de madeira — permitido em certos casos — e em pedra própria de afiamento.
“A mishná: não se afia” — em francês antigo, aguiser. “Mas se passa uma sobre a outra” — pois assim se altera do modo de dia útil. “Gemará: pedra de amolar de pedra” — pois ela deixa a faca bem consertada, o que parece um verdadeiro conserto próprio de dia útil.