Não se abre a lamparina, pois isso constitui fazer um utensílio. E não se faz carvão em dia de festa, e não se corta o pavio ao meio. Rabi Yehudá diz: corta-se com fogo para duas lamparinas. — Tomar um vaso de barro ainda fechado, do tipo produzido pelo oleiro, e perfurá-lo com o punho para escavar nele uma cavidade própria de lamparina é fabricar um utensílio novo a partir de matéria-prima, ato claramente vedado em dia de festa por constituir tikkun kli. Pela mesma razão, não se produz carvão — também ele um material preparado como um utensílio para os ourives — nem se corta um pavio ao meio com faca ou tesoura, pois isso é consertar e adaptar um utensílio para o uso do fogo. Rabi Yehudá, porém, permite uma alternativa: aproximar as duas pontas de um único pavio às bocas de duas lamparinas já acesas e tocar fogo no meio, de modo que o próprio fogo, e não uma lâmina, separe o pavio em dois — pois assim não fica evidente a intenção de consertar um utensílio, mas apenas de acender.
A proibição de "trabalho laborioso" (מְלֶאכֶת עֲבֹדָה) é a mesma linguagem usada para o Shabat, distinguindo-a de "toda obra" (כָּל מְלָאכָה) — a diferença é precisamente o que permite cozinhar em dia de festa, mas não fabricar utensílios. Abrir um vaso de barro para transformá-lo em lamparina, ou produzir carvão, não serve diretamente à comida — serve a construir uma ferramenta nova, e por isso permanece dentro da categoria de trabalho vedada mesmo no dia de festa. O corte do pavio ilustra o limite exato: cortar com lâmina fabrica um utensílio (a mecha pronta para arder), mas cortar com o próprio fogo, segundo Rabi Yehudá, é apenas acender — a mesma ação permitida do dia de festa, sem o elemento adicional de fabricação.
O Rambam explica o costume de fazer lamparinas em pares e o motivo do corte com fogo; Bartenura detalha por que abrir o vaso de barro e produzir carvão são igualmente considerados fabricar um utensílio, e fixa a halachá segundo Rabi Yehudá.
"Não se abre a lamparina, pois isso constitui fazer um utensílio etc." — trata-se da lamparina conhecida, e as lamparinas deles eram feitas em pares e cortadas depois de prontas. "Corta-se com fogo para duas lamparinas" — significa colocar uma ponta do pavio numa lamparina e a outra ponta em outra lamparina, e tocar fogo no meio, de modo que ele se divida e fique um pavio ardendo nesta lamparina e um pavio ardendo naquela lamparina. E proibiu cortar o pavio com faca ou com tesoura, por constituir consertar um utensílio; mas amassá-lo com a mão é permitido. E a halachá segue Rabi Yehudá.
"Não se abre a lamparina" — tomar um dos vasos ovais do oleiro de barro e enfiar o punho dentro dele para escavar uma lamparina, pois isso constitui fazer um utensílio. "E não se faz carvão" — pois também ele é um utensílio para os ourives de ouro, e o pavio também é um utensílio para acender, pois requer confecção e reparo. "E não se corta ao meio" — porque isso conserta um utensílio; mas amassá-lo com a mão é permitido. "Corta-se com fogo" — coloca as duas pontas do pavio nas bocas de duas lamparinas que precisa acender ao mesmo tempo, e acende no meio, de modo que agora não fica evidente que sua intenção é consertar um utensílio, mas apenas acender. E a halachá segue Rabi Yehudá.
Rashi, na Guemará, discute a razão da proibição e traz uma segunda versão da posição de Rav Yosef sobre a origem tanaítica desta mishná.
"A mishná: não se abre a lamparina" — tomar um dos vasos ovais do oleiro e enfiar o punho dentro dele para escavar uma lamparina — o ato descrito pela mishná como fabricação de um utensílio novo, discutido em detalhe pela Guemará quanto à opinião tanaítica que lhe serve de base.