Deixa-se cair frutas pela clarabóia em dia de festa, mas não em Shabat. E cobrem-se frutas com utensílios contra o gotejar da chuva, e do mesmo modo jarros de vinho e jarros de azeite. E coloca-se um utensílio sob o gotejar em Shabat. — Quem tinha grãos ou frutas estendidos no telhado para secar, e vê a chuva se aproximar, pode em dia de festa deixá-los cair pela abertura da clarabóia até o chão, pois esse esforço, embora incomum, é permitido para evitar prejuízo financeiro; mas em Shabat isso permanece proibido, pela diferença entre os dois dias que a mishná seguinte, 5:2, virá a detalhar. Já cobrir frutas ou jarros de vinho e de azeite com utensílios para que a chuva não os danifique é permitido tanto em dia de festa quanto em Shabat, pois não há nisso trabalho algum, apenas a colocação de um utensílio sobre outro; e pela mesma razão é permitido, mesmo em Shabat, colocar um recipiente para recolher a água que goteja do telhado, evitando que suje a casa.
Ao proibir "toda obra" sem exceção, o versículo do Shabat é mais absoluto do que o dia de festa, cuja permissão para o trabalho de comida (Shemot 12:16) os sábios de Bet Hilel estenderam também a outras necessidades da festa, como se verá na mishná seguinte. Deixar frutas caírem pela clarabóia para salvá-las da chuva é justamente um desses atos estendidos: não é preparo direto de comida, mas evita prejuízo, e por isso Bet Hilel o permite em dia de festa — porém não em Shabat, onde a proibição permanece na sua forma mais estrita. Cobrir os produtos e recolher o gotejar, por não envolverem esforço algum equiparável a trabalho, permanecem permitidos em ambos os dias.
O Rambam explica a diferença entre deixar cair pela clarabóia de um mesmo telhado e de um telhado a outro; Bartenura detalha por que apenas a abertura vertical da clarabóia é permitida, e não a janela lateral.
"Deixa-se cair frutas pela clarabóia em dia de festa etc." — é permitido deixar cair frutas pela clarabóia de um mesmo telhado quando se quer transferi-las de um lugar a outro, mas deixá-las cair de um telhado a outro é proibido. E a razão é o que já dissemos algumas vezes: que não se faça como se faz em dia comum. E "delef" são as águas que escorrem dos telhados, soltas no momento da queda das chuvas.
"Deixa-se cair frutas pela clarabóia" — quem tem frutas ou grãos estendidos no telhado para secar, e vê a chuva se aproximando, foi-lhe permitido esforçar-se e lançá-los pela clarabóia do telhado, e eles caem no chão, pois não há esforço excessivo nisso; e especificamente pela clarabóia, pois toda clarabóia vai de cima para baixo no teto do telhado, mas uma janela — como um telhado cercado por paredes com uma janela na parede, que exigiria erguer os produtos até a janela e lançá-los — tanto esforço os sábios não permitiram. "E cobrem-se as frutas" — e não dizemos que é um esforço desnecessário ao dia de festa, pois por causa de prejuízo financeiro os sábios o permitiram. "Gotejar" — chuvas que pingam do telhado. "E do mesmo modo jarros de vinho e jarros de azeite" — cobrem-nos contra o gotejar. "Sob o gotejar" — para recolher a água, para que não sujem a casa; e se o utensílio se enche, esvazia-o e o coloca de novo, sem se abster.
Rashi, no início do daf, discute a etimologia do primeiro verbo da mishná — mashilín, mashirín ou manshirín —, todas formas aceitas para descrever o ato de fazer cair os produtos pela abertura do telhado.
"A mishná: deixa-se cair frutas pela clarabóia" — quem tem trigo e cevada estendidos no telhado para secar, e vê a chuva se aproximando, é permitido deixá-los cair pela clarabóia do telhado; a Guemará discute ainda, sobre o verbo da mishná, se se diz "mashilín", "mashirín" ou "manshirín" — as três formas descrevendo o mesmo ato de lançar os produtos para baixo.