Se foi escrito de dia e assinado de dia, à noite e assinado à noite, à noite e assinado de dia — é válido. Se foi escrito de dia e assinado à noite — é inválido. Rabi Shimon o valida, pois Rabi Shimon dizia: todos os documentos que foram escritos de dia e assinados à noite são inválidos, exceto os documentos de divórcio das mulheres. — No calendário judaico, a noite precede o dia que a segue, e não o contrário. Por isso, um get escrito à noite e assinado no dia seguinte não apresenta problema algum: a data escrita continua correspondendo ao momento real da assinatura. Mas um get escrito de dia e assinado somente na noite seguinte já pertence, tecnicamente, ao dia seguinte — e a data registrada no documento passaria a preceder o momento em que ele de fato se completou, tornando-o, em certo sentido, um documento "antedatado", o que a lei proíbe. Rabi Shimon discorda apenas quanto aos gitin de mulheres, e explica sua posição com uma razão distinta sobre o motivo pelo qual, de modo geral, os sábios exigiram que os documentos tragam uma data: não para evitar antedatação em si, mas por uma preocupação específica ligada à proteção da mulher divorciada contra suspeitas indevidas — razão que, segundo ele, simplesmente não se aplica da mesma forma ao get.
Rambam, no Perush HaMishná, explica a razão da instituição rabínica da data no get e decide a halachá contra Rabi Shimon.
Rambam explica que, sendo sabido que o dia judaico segue a noite que o precede, um get escrito de dia e testemunhado como assinado à noite seguinte equivaleria a um testemunho falso quanto à data, pois mudaria o dia registrado. Esclarece ainda a razão de Rabi Shimon: para ele, a instituição rabínica da data no get não visa, em primeiro lugar, evitar prejuízo patrimonial à mulher — o verdadeiro motivo é a preocupação com a sobrinha da mulher divorciada, isto é, com casos em que se poderia suspeitar dela de infidelidade antes do divórcio; a data no get permite provar que ela já estava divorciada antes do fato suspeito, evitando uma acusação injusta. Como essa razão específica, segundo Rabi Shimon, não afeta a validade do get em si, ele o considera válido mesmo quando escrito de dia e assinado à noite. Rambam conclui, porém, que a halachá não segue Rabi Shimon.
Perush de Rashi sobre a Guemará, além de Rambam e Bartenura.
Rashi comenta a discussão da Guemará sobre até que ponto se pode confiar na posição de Rabi Shimon — o autor da mishná que valida o get escrito de dia e assinado à noite, quando se trata de get de mulher. Explica que essa opinião pode ser usada como apoio em caso de necessidade urgente — por exemplo, quando o mensageiro que trouxe o get já partiu de volta e não pode mais ser interrogado, ou quando a mulher já se casou de novo com base nesse get — permitindo, em tais circunstâncias, apoiar-se na posição minoritária de Rabi Shimon mesmo sem ela ser a halachá normativa.
Rambam reafirma que o dia segue a noite no calendário judaico, explica a razão de Rabi Shimon quanto à sobrinha da mulher divorciada, e conclui que a halachá não o segue.
Bartenura explica que, sendo o dia subsequente à noite, escrever à noite e assinar no dia seguinte não é considerado "adiantado", por isso é válido; já escrever de dia e assinar à noite seguinte é, de fato, adiantar a data, por isso inválido. Explica a razão pela qual os sábios instituíram a exigência de data nos documentos de divórcio: por receio de que um homem casado com a sobrinha de sua esposa cometesse adultério com ela, e, com pena de que a esposa fosse condenada à pena capital, ele lhe entregasse um get sem data — de modo que ela pudesse alegar, mais tarde, já estar divorciada antes do fato. Rabi Shimon discorda porque entende que essa é a única razão da instituição da data, e que ela se refere aos frutos dos bens da mulher (nichsei melog), não ao caso do get em si; conclui que a halachá não segue Rabi Shimon.