Massechet Guitin, o sexto tratado de Seder Nashim, trata do get — o documento de divórcio judaico — desde sua escrita, que precisa ser feita especificamente em nome da esposa, até sua entrega válida pelas mãos de um emissário, mesmo quando este atravessa fronteiras distantes da Terra de Israel. O tratado dedica também atenção às leis paralelas da carta de alforria do escravo, cujas regras de entrega e validade se equiparam, em vários pontos, às do get.
Os nove perakim de Massechet Guitin — Perek Alef, Perek Bet, Perek Guimel, Perek Dalet, Perek Hei, Perek Vav, Perek Zayin, Perek Chet e Perek Tet — estão publicados por inteiro: setenta e cinco mishnayot ao todo — a exigência da declaração do emissário, os limites geográficos da Terra de Israel, as equivalências e diferenças entre o get e a carta de alforria (Perek Alef); o que o mensageiro que traz o get do exterior deve testemunhar, a data do documento, os materiais e superfícies de escrita, e quem é apto a escrever e trazer o get (Perek Bet); a exigência de que o get seja escrito para o nome da mulher, os formulários-padrão de documentos, a presunção de vida do marido em diversos cenários, e os procedimentos do mensageiro doente (Perek Guimel); as takanot de Rabban Gamliel Hazaken e de Hilel "pelo bem da ordem social" — a anulação e identificação do get, o juramento da viúva, o prosbol, os escravos capturados ou dados em garantia, o meio-escravo meio-livre, o resgate de cativos, os divórcios irreversíveis e a recompra de terras na Terra de Israel (Perek Dalet); a continuação dessas mesmas takanot — os três graus de terra para indenizações, a proteção do comprador de bens já vendidos, o tutor de órfãos, os testemunhos de Rabi Yochanan ben Gudgeda, a lei do sikarikon, a capacidade jurídica do surdo-mudo e das crianças, e a célebre mishná sobre a ordem de leitura da Torá e os demais "caminhos da paz", incluindo a instrução de não impedir os pobres gentios de colher leket, shichechá e pe'ah (Perek Hei); a figura do agente (shaliach) na entrega e no recebimento do get — o poder de retratação do marido, as duas duplas de testemunhas exigidas da esposa, a incapacidade jurídica da menor, os limites entre indicar um lugar e condicioná-lo, as consequências para o direito de comer da teruma, a clareza de linguagem exigida nas ordens de divórcio, o contraste entre quem está em risco de vida e quem zomba, e a distinção entre agentes e tribunais formais (Perek Vav); a capacidade mental do marido no momento de ordenar o get — o homem tomado por kurdiakos e o marido emudecido, a exigência de que a ordem venha diretamente de sua boca, os gittin condicionados à morte e o poder retroativo de "desde agora", o status incerto da mulher nos dias intermediários, os gittin condicionados a pagamento ou serviço, os marcos geográficos que anulam a condição de retorno, e o get em dúvida da corrida entre a morte e a entrega (Perek Zayin); os modos de entrega do get além da mão direta e os defeitos que o invalidam — o get atirado ao pátio, à casa, ao colo ou à cesta da esposa, o get sem declaração explícita e a via pública com o get perto dela ou dele, a extensão ao kidushin e à dívida e o get atirado entre telhados, o get "velho", o longo bloco de defeitos na data e no lugar de escrita com a extensa lista de penalidades para as tzarot das arayot e da yevamá ailonit, o erro do escriba que trocou get por recibo, o marido que reconsiderou, o divorciado que pernoita com a ex-esposa na pousada, e o get careca (Perek Chet); e, para concluir, as exceções que invalidam ou não o get, o corpo essencial do texto, os três gitin inválidos que não geram mamzer, os gitin homônimos e coletivos, os gitin lado a lado em hebraico e grego, onde as testemunhas podem assinar, o get forçado, a força do boato público e, por fim, a mais célebre disputa de toda a Mishná sobre os motivos do divórcio — Beit Shamai, Beit Hilel e Rabi Akiva (Perek Tet) — hebraico e português lado a lado, com fontes bíblicas, halachot e o perush dos comentadores, incluindo Rashi sobre a Guemará quando localizado para a mishná específica.