Três coisas disse Rabi Elazar ben Partá diante dos sábios, e eles confirmaram suas palavras: sobre uma cidade cercada por um acampamento sitiante, sobre o navio agitado no mar, e sobre quem sai para ser julgado — que estão com a presunção de vivos. Mas uma cidade conquistada por um acampamento sitiante, um navio perdido no mar, e quem sai para ser executado — impõem sobre eles as estringências dos vivos e as estringências dos mortos: uma filha de Israel casada com um cohen, e uma filha de cohen casada com um israelita, não comerá da teruma. — Rabi Elazar ben Partá trouxe, como testemunho recebido de gerações anteriores, três situações de perigo em que ainda se presume que a pessoa está viva: os moradores de uma cidade sitiada, mas ainda não tomada; os passageiros de um navio sacudido pela tempestade, mas ainda não naufragado; e quem sai para ser julgado, mas cuja sentença ainda não foi proferida — em todos esses casos, ainda não há motivo para presumir a morte. Mas quando a cidade já foi conquistada, o navio já se perdeu no mar, ou o condenado já saiu para ser executado, a situação se torna dúbia: não se pode mais presumir com segurança que a pessoa está viva, mas também não há prova definitiva de morte — por isso aplicam-se simultaneamente as restrições próprias de quem está vivo e as próprias de quem está morto. Assim, a filha de Israel casada com um cohen — que só pode comer da teruma enquanto o marido está vivo — não pode comer, pois talvez ele tenha morrido; e a filha de cohen casada com um israelita — que só volta a comer da teruma de seu pai após a morte do marido — também não pode comer, pois talvez ele ainda esteja vivo.
Rambam, no Perush HaMishná, define com precisão os termos técnicos "navio agitado" e "navio perdido".
Rambam distingue os dois estados do navio: "o navio agitado no mar" é aquele sobre o qual o mar se enfurece e ameaça quebrá-lo, e os marinheiros não conseguem controlá-lo conforme desejam pela intensidade da tempestade — mas os mastros e os equipamentos do navio permanecem intactos. Já "o navio perdido no mar" é aquele cujos equipamentos e mastros já se quebraram, tudo se perdeu, e resta apenas o casco à deriva sobre as águas, sem âncora nem remos para dirigi-lo. Esta distinção define exatamente onde termina a presunção plena de vida e começa o estado intermediário das duas estringências.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 28b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi identifica carcom como o termo aramaico para "cerco" (mátsor, na tradução de Onkelos), e explica que "o navio agitado" ainda não afundou — está apenas sacudido pela tempestade. "Sair para ser julgado" refere-se especificamente a julgamento em causas capitais, onde a sentença ainda não foi proferida. Sobre a conclusão da mishná, Rashi explica que a proibição de comer teruma se aplica em direções opostas conforme o caso: a filha de Israel casada com um cohen recebe a estringência própria de quem já é considerada viúva (pois só come teruma enquanto o marido vive, e aqui há dúvida se ele já morreu); já a filha de cohen casada com um israelita recebe a estringência própria de quem ainda é considerada casada (pois só volta a comer da teruma paterna depois que o marido morre, e aqui há dúvida se ele ainda vive) — em ambos os casos, o resultado prático é a mesma proibição de comer, mas por razões opostas.
Rambam encerra sua explicação notando que toda essa gradação — cidade cercada versus conquistada, navio agitado versus perdido, réu à espera de julgamento versus já condenado à execução — é "algo verdadeiro", isto é, um critério objetivo e observável para determinar quando a presunção de vida ainda se sustenta plenamente e quando ela se torna duvidosa, exigindo as duas estringências combinadas.
Bartenura resume que "carcom" é sinônimo de cerco militar, e que "o navio agitado" ainda não naufragou. Confirma a explicação de que "sair para ser julgado" refere-se a processo em causa capital. Quanto à conclusão, explica sucintamente: para a filha de Israel casada com cohen, aplica-se a estringência própria dos mortos (não podendo comer, como se o marido já tivesse morrido); para a filha de cohen casada com israelita, aplica-se a estringência própria dos vivos (não podendo comer, como se o marido ainda estivesse vivo) — e ela não come da teruma de seu pai.